Superfértil
Num caso raro, mulher de
54 anos tem trigêmeas
Gisela Sekeff
A mexicana Arcelia Garcia é um fenômeno. Aos
54 anos, ela engravidou sem a ajuda de métodos artificiais.
A gravidez nessa idade, por si só, já seria
um feito. No sábado 8, ela deu à luz não
um mas três bebês. As surpresas não param
aí. Seria de esperar que Brianna, Arianna e Cecilia
tivessem sido geradas a partir de um único óvulo.
Ao que tudo indica, as meninas nasceram de gametas diferentes.
Na idade de Arcelia, a maioria das mulheres já não
produz sequer um óvulo, quanto mais três. O
melhor de tudo é que as crianças são
saudáveis. A possibilidade de uma mulher aos 50 anos
ter um filho com síndrome de Down é de uma
em dez 100 vezes mais do que mães de 20 anos.
Na segunda-feira passada, Arcelia recebeu alta do hospital.
Em casa a esperavam os oito filhos e quinze netos.
Imigrantes
mexicanos, Arcelia e o marido, Guillermo, de 60 anos, vivem
nos Estados Unidos desde 1976 e trabalham como agricultores.
"O trabalho braçal, como qualquer atividade física,
contribui para uma gravidez saudável", disse a VEJA
a obstetra Diana Smigaj, responsável pelo parto.
A gestação de Arcelia transcorreu sem sobressaltos.
Em sua idade, são grandes os riscos de pressão
alta e diabetes. "O que aconteceu foi uma conjunção
de fatores raros", diz Marcelo Zugaib, chefe do departamento
de ginecologia e obstetrícia da Universidade de São
Paulo. A probabilidade de uma cinqüentona gerar trigêmeos
diferentes e saudáveis é, na opinião
do médico Eduardo Motta, diretor do Centro de Medicina
Reprodutiva Huntington, estatisticamente desprezível
inferior a 0,5%. Como a natureza não se pauta
por estimativas, há explicações para
o que ocorreu. Perto da menopausa, o organismo libera uma
dose extra do hormônio estimulador da ovulação.
"No mês da fecundação, a quantidade
de hormônio deve ter sido tão alta que a paciente
produziu três óvulos", diz Paulo Serafini,
professor da Universidade Yale. Os óvulos gerados
pela senhora de 54 anos tinham o vigor dos de uma jovenzinha
de 20.