Edição 1 632 -19/1/2000

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Londres
Saiu para passear, voltou humilhado e doente

O folhetim da história está próximo de virar uma página. Na terça-feira passada, o ministro do Interior da Inglaterra, Jack Straw, anunciou que vai permitir a volta do ex-ditador Augusto Pinochet ao Chile, em lugar de enviá-lo para ser julgado na Espanha. A decisão foi tomada depois que exames médicos mostraram que a saúde do general de 84 anos, detido desde outubro de 1998 na Inglaterra, está debilitada demais para suportar um processo judicial. O juiz espanhol Baltasar Garzón, que pediu sua extradição para julgá-lo por crime de tortura, diz que vai recorrer, mas admite que suas chances são pequenas. O governo inglês está se livrando de um abacaxi. Mas isso não deve ser entendido como uma vitória de Pinochet. Ele foi passear em Londres com passaporte diplomático e o prestígio de quem mandou com mão de ferro durante dezoito anos. Quando voltar, provavelmente nesta semana, será uma figura melancólica, doente demais até para ir a julgamento. Os chilenos já terão escolhido um novo presidente entre o socialista Ricardo Lagos e o direitista Joaquín Lavín – e nenhum deles quer saber de intimidade com o general. Que sirva de lição a outros carrascos.

 

Rumo ao golpe – O general Lino Oviedo convocou a imprensa para mostrar que está no Paraguai. Ele deixou o exílio na Argentina para tentar tomar o poder. "Vivo tranqüilo, com o apoio da polícia e dos militares", gabou-se.

 

Bogotá
Ajuda bilionária para
combater as drogas

O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, já pode separar o champanhe. O americano Bill Clinton anunciou uma ajuda de 1,6 bilhão de dólares durante dois anos para o combate ao narcotráfico no país. Nada mau, considerando que Washington já colabora com 300 milhões por ano. Na pauta, estão o treinamento de unidades especializadas das forças colombianas e a compra de armamentos. Melhor ainda se ajudar também a combater a guerrilha comunista.

Colúmbia
Hora de arriar a bandeira

Estado do Mississippi
Estado da Geórgia

Os deputados da Carolina do Sul estão discutindo a retirada do topo da Assembléia e da sede do governo estadual da bandeira confederada. Dois séculos depois da guerra civil, o uso do pavilhão sulista – um símbolo da segregação racial – em bandeiras e instituições estaduais ainda causa furor nos Estados Unidos.


Quito

Agora, tudo funciona na base do dólar

O que já ia mal ficou pior ainda. Depois de decretar estado de emergência, o presidente do Equador, Jamil Mahuad, dolarizou a caótica economia do país. O dólar americano, que há um ano valia 7.000 sucres, agora está em 25.000. No banco central, quem não gostou foi obrigado a pedir as contas. Nas ruas, os protestos ficaram mais violentos, com a polícia lançando bombas de gás para todos os lados. Mahuad, que sucedeu a um presidente que foi parar na prisão e a outro declarado doente mental, vê sua popularidade despencar. Os militares deram-lhe apoio formal, mas de forma tímida e constrangida. Os sindicatos de trabalhadores, a classe estudantil e os partidos de oposição só falam em renúncia. Desta vez, nem o petróleo, a principal riqueza nacional ao lado da banana, chega a ser algum alento. O governo certamente precisará de uma mãozinha financeira do Fundo Monetário Internacional para que o barco não afunde de vez.

 

Johanesburgo
Ah, que saudade que eu tenho do poder...

Governo é governo, não importa a cor. Apeado do poder com a queda do regime de minoria branca, que ajudou a defender com unhas e dentes por dezessete anos, o ex-ministro das Relações Exteriores da África do Sul Pik Botha causou surpresa na semana passada ao revelar seus planos políticos para o futuro: ingressar no Congresso Nacional africano. Trata-se do partido de Nelson Mandela, que Botha tentou destruir como pôde. Mas como agora o CNA é governo...