Londres
Saiu
para passear, voltou humilhado e doente
O folhetim da história está próximo de virar uma página.
Na terça-feira passada, o ministro do Interior da Inglaterra,
Jack Straw, anunciou que vai permitir a volta do ex-ditador
Augusto Pinochet ao Chile, em lugar de enviá-lo para ser
julgado na Espanha. A decisão foi tomada depois que exames
médicos mostraram que a saúde do general de 84 anos, detido
desde outubro de 1998 na Inglaterra, está debilitada demais
para suportar um processo judicial. O juiz espanhol Baltasar
Garzón, que pediu sua extradição para julgá-lo por crime
de tortura, diz que vai recorrer, mas admite que suas chances
são pequenas. O governo inglês está se livrando de um abacaxi.
Mas isso não deve ser entendido como uma vitória de Pinochet.
Ele foi passear em Londres com passaporte diplomático e
o prestígio de quem mandou com mão de ferro durante dezoito
anos. Quando voltar, provavelmente nesta semana, será uma
figura melancólica, doente demais até para ir a julgamento.
Os chilenos já terão escolhido um novo presidente entre
o socialista Ricardo Lagos e o direitista Joaquín Lavín
e nenhum deles quer saber de intimidade com o general.
Que sirva de lição a outros carrascos.
Rumo
ao golpe O general Lino Oviedo convocou a imprensa para
mostrar que está no Paraguai. Ele deixou o exílio na Argentina
para tentar tomar o poder. "Vivo tranqüilo, com o apoio
da polícia e dos militares", gabou-se.
Bogotá
Ajuda bilionária para
combater as drogas
O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, já pode separar
o champanhe. O americano Bill Clinton anunciou uma ajuda
de 1,6 bilhão de dólares durante dois anos para o combate
ao narcotráfico no país. Nada mau, considerando que Washington
já colabora com 300 milhões por ano. Na pauta, estão o treinamento
de unidades especializadas das forças colombianas e a compra
de armamentos. Melhor ainda se ajudar também a combater
a guerrilha comunista.
|
Colúmbia
Hora
de arriar a bandeira
 |
| Estado do Mississippi |
 |
| Estado da Geórgia |
Os deputados da Carolina do Sul estão discutindo
a retirada do topo da Assembléia e da sede do governo
estadual da bandeira confederada. Dois séculos depois
da guerra civil, o uso do pavilhão sulista um símbolo
da segregação racial em bandeiras e instituições
estaduais ainda causa furor nos Estados Unidos.
|
Quito
Agora, tudo funciona na base do dólar
O que já ia mal ficou pior ainda. Depois de decretar estado
de emergência, o presidente do Equador, Jamil Mahuad, dolarizou
a caótica economia do país. O dólar americano, que há um
ano valia 7.000 sucres, agora
está em 25.000. No banco central,
quem não gostou foi obrigado a pedir as contas. Nas ruas,
os protestos ficaram mais violentos, com a polícia lançando
bombas de gás para todos os lados. Mahuad, que sucedeu a
um presidente que foi parar na prisão e a outro declarado
doente mental, vê sua popularidade despencar. Os militares
deram-lhe apoio formal, mas de forma tímida e constrangida.
Os sindicatos de trabalhadores, a classe estudantil e os
partidos de oposição só falam em renúncia. Desta vez, nem
o petróleo, a principal riqueza nacional ao lado da banana,
chega a ser algum alento. O governo certamente precisará
de uma mãozinha financeira do Fundo Monetário Internacional
para que o barco não afunde de vez.
Johanesburgo
Ah, que saudade que eu tenho do poder...
Governo é governo, não importa a cor. Apeado do poder com
a queda do regime de minoria branca, que ajudou a defender
com unhas e dentes por dezessete anos, o ex-ministro das
Relações Exteriores da África do Sul Pik Botha causou
surpresa na semana passada ao revelar seus planos políticos
para o futuro: ingressar no Congresso Nacional africano.
Trata-se do partido de Nelson Mandela, que Botha tentou
destruir como pôde. Mas como agora o CNA é governo...