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"O que vemos são verdadeiras
hordas procurando um lugar ao sol
(artificial) da luz de um holofote."
Fernando Duarte
Gomes Cancela
Rio de Janeiro, RJ
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Celebridades
Como músico e assinante de VEJA, sinto-me na obrigação
de cumprimentá-los pela reportagem "A era das celebridades"
(12 de janeiro). Mais uma vez VEJA desempenha um papel cultural
importantíssimo ao informar, de forma clara, a respeito
da indústria da fama. Indústria essa que fabrica
celebridades, sim. E fabrica artistas talentosos também.
Porém, na maioria das vezes essa mesma indústria
produz "artistas" sem a menor importância cultural
para o nosso país que acabam por tirar o espaço
de virtuoses da arte que passam uma vida inteira no anonimato.
Aleh Ferreira
São Paulo, SP
A indústria que produz ídolos da noite para
o dia apresenta muitos inconvenientes. O comprometimento
da vida privada e a inconstância da carreira são
apenas alguns deles. Ou será que essas celebridades
pensam que terão sucesso pelo resto da vida?
Aldo Angelim Dias
Fortaleza, CE
A mídia tem interesse em criar celebridades para
vender sua imagem em novelas, comerciais etc. e assim o
faz, aos montes. As celebridades, por sua vez, vêem
nisso a possibilidade de ascensão social e financeira
rápida e não hesitam. Uma simbiose perfeita.
A reportagem de VEJA mostra, com clareza, a indústria
da fama.
Rogério Roberto G. de Abreu
João Pessoa, PB
João Baptista Figueiredo
Excelente a reportagem sobre o ex-presidente Figueiredo.
Tudo o que ele disse em conversas informais já é
conhecido pelos brasileiros. Ele apenas vem confirmar a
sujeira que existe nos bastidores da política ("Mortos
não falam?", 12 de janeiro).
Jorge Wagner
Ribeirão Preto, SP
Figueiredo, um homem de palavras às vezes inconseqüentes,
falava o que pensava, era autêntico, e a missão
que lhe foi passada por Geisel foi cumprida: levar o país
outra vez à democracia.
Paulo Eduardo M. Guimarães
Londrina, PR
Não consegui deixar de lado o exemplar de VEJA trazendo
o mais completo depoimento dado pelo ex-presidente Figueiredo
em vida. Dele sempre ouvi relatos de um estilo grosseiro
e abrasivo de ser, porém nunca pensei que fosse capaz
de ir tão longe, sendo tão desrespeitoso.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
mmconsul@elogica.com.br
Os depoimentos colhidos por Orlando Brito do ex-presidente
Figueiredo apenas reafirmam a imagem que dele guardamos:
um homem limitado verbalmente, casca-grossa, como ele próprio
admitia, e fanfarrão.
Robinson Damasceno dos Reis
Itabira, MG
Walter Werner Bräuer
O brigadeiro Walter Werner Bräuer procurou ser cauteloso
em suas respostas a VEJA (Amarelas, 12 de janeiro), mas
não conseguiu ocultar sua simpatia por Adolf Hitler.
Tampouco conseguiu disfarçar sua crença de
que os alemães são, de certa forma, superiores.
Dizer que Hitler tinha "uma personalidade um pouco distorcida"
é minimizar a bestialidade de um monstro que planejou
friamente o aniquilamento de milhões de pessoas
aquelas que eram, a seu ver, inferiores.
Rabino Henry I. Sobel
Presidente do Rabinato da Congregação Israelita
Paulista
São Paulo, SP
Após ler a entrevista do senhor Bräuer, tive
a certeza de que mais do que justa foi sua demissão,
pois uma pessoa que, além de sofrer de complexo de
superioridade, acha que se viveria melhor se o mundo fosse
dos militares, demonstrou desequilíbrio defendendo
a "raça ariana superior geneticamente", de onde herdou
toda sua organização, disciplina e disposição
para o trabalho. Sem dizer que igualou Hitler aos grandes
líderes da humanidade.
Kleber Gomes
Natal, RN
Venho manifestar minha mais profunda admiração
pelo ótimo caráter, honestidade, patriotismo
e decência do "eterno" comandante da Aeronáutica
brasileira, brigadeiro Walter Werner Bräuer. O povo
brasileiro precisa de mais pessoas como o senhor no comando
de nosso país.
Romeu Bertini Filho
Ribeirão Preto, SP
Transbrasiliana
Com referência à reportagem "O Brasil profundo"
(5 de janeiro), no capítulo Bagé/RS, no qual
somos citados, solicitaria que fosse retificado quanto à
inseminação artificial, considerando-se que
essa prática é absolutamente proibida na criação
do cavalo puro-sangue inglês.
José Antonio Flores
Bagé, RS
A reportagem, ao destacar a influência de uma estrada
na vida de milhões de pessoas, foge do lugar-comum
para onde resvalam, normalmente, as notícias sobre
as estradas brasileiras. VEJA provou que elas, mesmo quando
carentes de manutenção por contingências
econômicas, representam muito mais que simples caminhos.
Assim como Juscelino Kubitschek, que até sob críticas
procurou investir na infra-estrutura do país, a nação
haverá de reconhecer, no devido tempo, o trabalho
do presidente Fernando Henrique Cardoso, que, no mesmo caminho
de JK, tem conferido prioridade ao desenvolvimento não
só no setor rodoviário como também
no portuário, hidroviário e ferroviário.
Eliseu Padilha
Ministro dos Transportes
Brasília, DF
O prefeito Pereira Passos derrubou 700 prédios antigos
no centro do Rio de Janeiro e o Morro do Senado (atual Praça
Cruz Vermelha), mas o Morro do Castelo foi demolido pelo
prefeito Carlos Sampaio, a partir de 1922.
Moyses Kessel
São Paulo, SP
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O
Fórum de Debates de VEJA on-line é uma
extensão da edição em papel da
revista. Ao ler uma reportagem sobre um tema polêmico,
os leitores que não se conformam em esperar
pelo número seguinte para opinar por meio da
seção Cartas podem entrar na página
de VEJA na internet e participar dos debates. A coisa
costuma pegar fogo. Na semana passada, VEJA perguntou
aos leitores se a crise na Aeronáutica e os
atentados verbais do deputado Jair Bolsonaro eram
um sinal de perigo da volta dos militares ao poder.
Abaixo, uma amostra das opiniões.
"O clima está propício para que os
militares venham colocar ordem neste país.
O presidente está se comportando como um verdadeiro
quinta-coluna."
Joaquim Gomes
"Tenho um tio que é desaparecido político,
tinha 26 anos quando foi 'torturado e assassinado'
pelos militares. Com certeza a ditadura militar deixou
marcas no meu coração."
Renata Santa Cruz Coelho
marcarva@elogica.com.br
"VEJA brinda seus leitores com mais uma questão
completamente dispensável."
Leonardo Gomes de Deus
lgdeus@uol.com.br
"Esses cerca de quinze anos de democracia ainda são
muito pouco para um país de 500 anos. Militares
nunca mais!"
José Henrique Teixeira
"Só as virgens assessoras do Planalto é
que viram esse episódio como uma manifestação
idiossincrásica de militares direitistas, tipo
Bolsonaro."
José João
"Civil ou militar? Por mim podem ser até
marcianos."
Felipe Ticiano
"Não rogo a volta dos militares ao poder,
mas algo se tem de fazer imediatamente para pôr
fim ao desrespeito cívico que vivemos."
Luiz Paulo Mendez
"Nunca ficou muito clara qual é a grande ameaça
que os militares oferecem."
Antonio Monteiro
"A pergunta denota uma leve e sutil tendência
à pregação de luta de classes."
Claudio Buchholz Ferreira
buchholz@netartur.com.br
"Se for para os militares tirarem todos os ladrões
que estão na Assembléia e no Senado,
que assim seja."
João Filho
"Os militares já tiveram sua oportunidade
de transformar este país por meio da educação
e não o fizeram. Eles têm de sair mais
ainda da vida civil."
Euclides de Oliveira
eoliveira@softone.com.br
"Quem de nós não tem dolorosas lembranças
dos anos de chumbo? Mas, com FHC no poder, doando
o país, só mesmo os militares de volta."
Isa Musa de Noronha
isamusa@uol.com.br
Para participar dos debates clique
aqui. Se você
é assinante de VEJA ou do UOL, poderá
consultar o texto integral da revista on-line, além
das edições regionais e especiais. As
instruções estão on-line.
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| Walter
Werner Bräuer 2 |
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Claudio
Rossi
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| Brigadeiro Bräuer |
Insistentemente procurado por essa revista para
uma entrevista, desde a passagem do Comando
da Aeronáutica em 21 de dezembro, somente
concordei em aceitá-la no dia 3 de janeiro
deste ano, desde que eu pudesse ver o texto
e aprová-lo antes da sua edição.
Aceitas essas condições, fui entrevistado,
a 4 de janeiro, por mais de seis horas, nas
quais discorri longamente sobre vários
temas ligados à Aeronáutica.
Nos dias 5, 6 e 7 aguardei a remessa do texto
para aprová-lo ou não, e corrigi-lo
se necessário.
Após vários telefonemas à
entrevistadora, somente às 19 horas do
dia 7, momentos antes do início da impressão
da revista, a senhora Sandra Brasil leu-me ao
telefone, de maneira rápida e sem emoção,
as perguntas e respostas montadas pela revista.
Disse-lhe que ela não cumprira o prometido
e que eu não concordava com o texto,
que não espelhava fielmente o que eu
quis transmitir. Pedi-lhe que deixasse para
a próxima edição, onde
teríamos mais tempo para a revisão.
Mas não houve a compreensão por
parte da entrevistadora, que deu por encerrado
o assunto.
A entrevista, tal como foi publicada, pecou
por pinçar frases de efeito jornalístico
de caráter polêmico, distorcendo
por omissão as idéias que, na
longa conversa mantida e na certeza de uma revisão
final, procurei transmitir.
Como exemplo, cito o tema criação
do Ministério da Defesa. Após
longa explanação sobre o mesmo,
apenas duas linhas foram publicadas. Não
publicaram o que falei: uma vez criado, por
Lei, o Ministério da Defesa, tudo fiz
para prestigiá-lo e torná-lo o
melhor da Esplanada dos Ministérios.
Da mesma forma, com relação à
Anac, uma vez determinada a sua criação,
tudo fiz para que ela fosse bem concebida e
que pudesse, melhor do que o DAC, cuidar da
nossa Aviação Civil.
Sobre o tema Embraer, não quis dizer
que os seus controladores não sabem fazer
avião. A idéia transmitida foi
a de que eles não têm a mesma vocação
e experiência dos que dirigem as empresas
francesas e que poderia ocorrer uma crescente
influência dos novos sócios na
condução da Embraer.
Quanto à questão da minha opinião
sobre Hitler, a entrevistadora insistiu muito
nesse tema, que, de resto, nada tinha a ver
com o propósito da entrevista. Através
de uma nítida técnica de entrevista,
não deixou que eu concluísse as
frases e por isso as minhas palavras levaram
a um entendimento tendencioso. Ao ser feita
a prometida e não cumprida revisão,
eu retiraria o tema do texto ou, no mínimo,
o corrigiria no sentido de completar a minha
opinião: Hitler foi um líder carismático
que reergueu a Alemanha e, nesse sentido, teve
seu valor. Mas conduzir seu país a
uma guerra absurda e praticar o genocídio
contra o povo judeu foram atitudes criminosas
e imperdoáveis.
Além disso, jamais preguei a superioridade
da raça alemã ou de qualquer outra.
Tenho grandes amigos judeus que me conhecem
e bem sabem disso. Em resumo: toda essa repercussão
negativa da entrevista ocorreu por uma atitude
desleal da revista, que descumpriu sua palavra
ao não me apresentar o texto a tempo
de revisá-lo.
Lamento o compreensível mal-estar público
provocado pela entrevista e reafirmo minha indignação
em relação à revista VEJA,
que, possivelmente, por mesquinhas razões
jornalísticas, tenha criado toda essa
celeuma.
Com certeza, não haverá uma segunda
vez.
Tenente-brigadeiro
Walter Werner Bräuer
Brasília, DF
Resposta
da Redação
A repórter Sandra Brasil leu para
o brigadeiro Walter Bräuer, por telefone,
a íntegra de sua entrevista às
17h30 da sexta-feira, dia 7. O brigadeiro não
fez reparos ao que ouviu. Informada por Bräuer
na noite de quarta-feira, dia 5, de que ele
pretendia gravar o telefonema de leitura do
texto, a repórter fez a mesma coisa na
tarde do dia 7. Ao término da conversa,
Bräuer disse: "Está razoável.
O.k." Em nenhum momento o brigadeiro disse que
o texto "não espelhava fielmente" o que
quis transmitir nem pediu o adiamento da publicação.
Ao contrário, quis confirmar se a entrevista
seria publicada na edição daquele
fim de semana. Alega que o texto lhe foi lido
pela repórter "de maneira rápida
e sem emoção". Atores interpretam.
Jornalistas apenas lêem. O brigadeiro
só enviou sua carta a VEJA na
quarta-feira passada, dia 12, cinco dias depois
de os primeiros exemplares da revista terem
chegado às bancas com sua entrevista.
Tudo leva a crer que Bräuer só tomou
tal atitude devido à repercussão
negativa de sua entrevista, também gravada.
Minutos depois de ouvir a leitura do texto,
Bräuer voltou a telefonar a VEJA.
Não para falar de Hitler. O que ele queria
saber era se ainda seria possível retirar
uma comparação dos alemães
com os portugueses. Nessa comparação,
os portugueses eram apresentados de forma depreciativa
em relação aos alemães.
A repórter ficou de verificar. Bräuer
foi informado, num telefonema posterior, de
que não era possível. Ele não
pediu à revista que acrescentasse uma
só palavra a sua avaliação
sobre Adolf Hitler. O brigadeiro Bräuer
tem razão de ter-se arrependido do que
disse. Não tem razão em culpar
a revista por publicar aquilo que ele afirmou.
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