Edição 1 632 -19/1/2000

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"O que vemos são verdadeiras
hordas procurando um lugar ao sol
(artificial) da luz de um holofote."

Fernando Duarte Gomes Cancela
Rio de Janeiro, RJ

Celebridades

Como músico e assinante de VEJA, sinto-me na obrigação de cumprimentá-los pela reportagem "A era das celebridades" (12 de janeiro). Mais uma vez VEJA desempenha um papel cultural importantíssimo ao informar, de forma clara, a respeito da indústria da fama. Indústria essa que fabrica celebridades, sim. E fabrica artistas talentosos também. Porém, na maioria das vezes essa mesma indústria produz "artistas" sem a menor importância cultural para o nosso país que acabam por tirar o espaço de virtuoses da arte que passam uma vida inteira no anonimato.
Aleh Ferreira
São Paulo, SP

A indústria que produz ídolos da noite para o dia apresenta muitos inconvenientes. O comprometimento da vida privada e a inconstância da carreira são apenas alguns deles. Ou será que essas celebridades pensam que terão sucesso pelo resto da vida?
Aldo Angelim Dias
Fortaleza, CE

A mídia tem interesse em criar celebridades para vender sua imagem em novelas, comerciais etc. e assim o faz, aos montes. As celebridades, por sua vez, vêem nisso a possibilidade de ascensão social e financeira rápida e não hesitam. Uma simbiose perfeita. A reportagem de VEJA mostra, com clareza, a indústria da fama.
Rogério Roberto G. de Abreu
João Pessoa, PB

 

João Baptista Figueiredo

Excelente a reportagem sobre o ex-presidente Figueiredo. Tudo o que ele disse em conversas informais já é conhecido pelos brasileiros. Ele apenas vem confirmar a sujeira que existe nos bastidores da política ("Mortos não falam?", 12 de janeiro).
Jorge Wagner
Ribeirão Preto, SP

Figueiredo, um homem de palavras às vezes inconseqüentes, falava o que pensava, era autêntico, e a missão que lhe foi passada por Geisel foi cumprida: levar o país outra vez à democracia.
Paulo Eduardo M. Guimarães
Londrina, PR

Não consegui deixar de lado o exemplar de VEJA trazendo o mais completo depoimento dado pelo ex-presidente Figueiredo em vida. Dele sempre ouvi relatos de um estilo grosseiro e abrasivo de ser, porém nunca pensei que fosse capaz de ir tão longe, sendo tão desrespeitoso.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
mmconsul@elogica.com.br

Os depoimentos colhidos por Orlando Brito do ex-presidente Figueiredo apenas reafirmam a imagem que dele guardamos: um homem limitado verbalmente, casca-grossa, como ele próprio admitia, e fanfarrão.
Robinson Damasceno dos Reis
Itabira, MG

 

Walter Werner Bräuer

O brigadeiro Walter Werner Bräuer procurou ser cauteloso em suas respostas a VEJA (Amarelas, 12 de janeiro), mas não conseguiu ocultar sua simpatia por Adolf Hitler. Tampouco conseguiu disfarçar sua crença de que os alemães são, de certa forma, superiores. Dizer que Hitler tinha "uma personalidade um pouco distorcida" é minimizar a bestialidade de um monstro que planejou friamente o aniquilamento de milhões de pessoas – aquelas que eram, a seu ver, inferiores.
Rabino Henry I. Sobel
Presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista
São Paulo, SP

Após ler a entrevista do senhor Bräuer, tive a certeza de que mais do que justa foi sua demissão, pois uma pessoa que, além de sofrer de complexo de superioridade, acha que se viveria melhor se o mundo fosse dos militares, demonstrou desequilíbrio defendendo a "raça ariana superior geneticamente", de onde herdou toda sua organização, disciplina e disposição para o trabalho. Sem dizer que igualou Hitler aos grandes líderes da humanidade.
Kleber Gomes
Natal, RN

Venho manifestar minha mais profunda admiração pelo ótimo caráter, honestidade, patriotismo e decência do "eterno" comandante da Aeronáutica brasileira, brigadeiro Walter Werner Bräuer. O povo brasileiro precisa de mais pessoas como o senhor no comando de nosso país.
Romeu Bertini Filho
Ribeirão Preto, SP

 

Transbrasiliana

Com referência à reportagem "O Brasil profundo" (5 de janeiro), no capítulo Bagé/RS, no qual somos citados, solicitaria que fosse retificado quanto à inseminação artificial, considerando-se que essa prática é absolutamente proibida na criação do cavalo puro-sangue inglês.
José Antonio Flores
Bagé, RS

A reportagem, ao destacar a influência de uma estrada na vida de milhões de pessoas, foge do lugar-comum para onde resvalam, normalmente, as notícias sobre as estradas brasileiras. VEJA provou que elas, mesmo quando carentes de manutenção por contingências econômicas, representam muito mais que simples caminhos. Assim como Juscelino Kubitschek, que até sob críticas procurou investir na infra-estrutura do país, a nação haverá de reconhecer, no devido tempo, o trabalho do presidente Fernando Henrique Cardoso, que, no mesmo caminho de JK, tem conferido prioridade ao desenvolvimento não só no setor rodoviário como também no portuário, hidroviário e ferroviário.
Eliseu Padilha
Ministro dos Transportes
Brasília, DF

O prefeito Pereira Passos derrubou 700 prédios antigos no centro do Rio de Janeiro e o Morro do Senado (atual Praça Cruz Vermelha), mas o Morro do Castelo foi demolido pelo prefeito Carlos Sampaio, a partir de 1922.
Moyses Kessel
São Paulo, SP

 

O Fórum de Debates de VEJA on-line é uma extensão da edição em papel da revista. Ao ler uma reportagem sobre um tema polêmico, os leitores que não se conformam em esperar pelo número seguinte para opinar por meio da seção Cartas podem entrar na página de VEJA na internet e participar dos debates. A coisa costuma pegar fogo. Na semana passada, VEJA perguntou aos leitores se a crise na Aeronáutica e os atentados verbais do deputado Jair Bolsonaro eram um sinal de perigo da volta dos militares ao poder. Abaixo, uma amostra das opiniões.

"O clima está propício para que os militares venham colocar ordem neste país. O presidente está se comportando como um verdadeiro quinta-coluna."
Joaquim Gomes

"Tenho um tio que é desaparecido político, tinha 26 anos quando foi 'torturado e assassinado' pelos militares. Com certeza a ditadura militar deixou marcas no meu coração."
Renata Santa Cruz Coelho
marcarva@elogica.com.br

"VEJA brinda seus leitores com mais uma questão completamente dispensável."
Leonardo Gomes de Deus
lgdeus@uol.com.br

"Esses cerca de quinze anos de democracia ainda são muito pouco para um país de 500 anos. Militares nunca mais!"
José Henrique Teixeira

"Só as virgens assessoras do Planalto é que viram esse episódio como uma manifestação idiossincrásica de militares direitistas, tipo Bolsonaro."
José João

"Civil ou militar? Por mim podem ser até marcianos."
Felipe Ticiano

"Não rogo a volta dos militares ao poder, mas algo se tem de fazer imediatamente para pôr fim ao desrespeito cívico que vivemos."
Luiz Paulo Mendez

"Nunca ficou muito clara qual é a grande ameaça que os militares oferecem."
Antonio Monteiro

"A pergunta denota uma leve e sutil tendência à pregação de luta de classes."
Claudio Buchholz Ferreira
buchholz@netartur.com.br

"Se for para os militares tirarem todos os ladrões que estão na Assembléia e no Senado, que assim seja."
João Filho

"Os militares já tiveram sua oportunidade de transformar este país por meio da educação e não o fizeram. Eles têm de sair mais ainda da vida civil."
Euclides de Oliveira
eoliveira@softone.com.br

"Quem de nós não tem dolorosas lembranças dos anos de chumbo? Mas, com FHC no poder, doando o país, só mesmo os militares de volta."
Isa Musa de Noronha
isamusa@uol.com.br

Para participar dos debates clique aqui. Se você é assinante de VEJA ou do UOL, poderá consultar o texto integral da revista on-line, além das edições regionais e especiais. As instruções estão on-line.

 

Walter Werner Bräuer 2
Claudio Rossi
Brigadeiro Bräuer


Insistentemente procurado por essa revista para uma entrevista, desde a passagem do Comando da Aeronáutica em 21 de dezembro, somente concordei em aceitá-la no dia 3 de janeiro deste ano, desde que eu pudesse ver o texto e aprová-lo antes da sua edição. Aceitas essas condições, fui entrevistado, a 4 de janeiro, por mais de seis horas, nas quais discorri longamente sobre vários temas ligados à Aeronáutica.

Nos dias 5, 6 e 7 aguardei a remessa do texto para aprová-lo ou não, e corrigi-lo se necessário.

Após vários telefonemas à entrevistadora, somente às 19 horas do dia 7, momentos antes do início da impressão da revista, a senhora Sandra Brasil leu-me ao telefone, de maneira rápida e sem emoção, as perguntas e respostas montadas pela revista. Disse-lhe que ela não cumprira o prometido e que eu não concordava com o texto, que não espelhava fielmente o que eu quis transmitir. Pedi-lhe que deixasse para a próxima edição, onde teríamos mais tempo para a revisão. Mas não houve a compreensão por parte da entrevistadora, que deu por encerrado o assunto.

A entrevista, tal como foi publicada, pecou por pinçar frases de efeito jornalístico de caráter polêmico, distorcendo por omissão as idéias que, na longa conversa mantida e na certeza de uma revisão final, procurei transmitir.

Como exemplo, cito o tema criação do Ministério da Defesa. Após longa explanação sobre o mesmo, apenas duas linhas foram publicadas. Não publicaram o que falei: uma vez criado, por Lei, o Ministério da Defesa, tudo fiz para prestigiá-lo e torná-lo o melhor da Esplanada dos Ministérios.

Da mesma forma, com relação à Anac, uma vez determinada a sua criação, tudo fiz para que ela fosse bem concebida e que pudesse, melhor do que o DAC, cuidar da nossa Aviação Civil.

Sobre o tema Embraer, não quis dizer que os seus controladores não sabem fazer avião. A idéia transmitida foi a de que eles não têm a mesma vocação e experiência dos que dirigem as empresas francesas e que poderia ocorrer uma crescente influência dos novos sócios na condução da Embraer.

Quanto à questão da minha opinião sobre Hitler, a entrevistadora insistiu muito nesse tema, que, de resto, nada tinha a ver com o propósito da entrevista. Através de uma nítida técnica de entrevista, não deixou que eu concluísse as frases e por isso as minhas palavras levaram a um entendimento tendencioso. Ao ser feita a prometida e não cumprida revisão, eu retiraria o tema do texto ou, no mínimo, o corrigiria no sentido de completar a minha opinião: Hitler foi um líder carismático que reergueu a Alemanha e, nesse sentido, teve seu valor. Mas conduzir seu país a uma guerra absurda e praticar o genocídio contra o povo judeu foram atitudes criminosas e imperdoáveis.

Além disso, jamais preguei a superioridade da raça alemã ou de qualquer outra. Tenho grandes amigos judeus que me conhecem e bem sabem disso. Em resumo: toda essa repercussão negativa da entrevista ocorreu por uma atitude desleal da revista, que descumpriu sua palavra ao não me apresentar o texto a tempo de revisá-lo.

Lamento o compreensível mal-estar público provocado pela entrevista e reafirmo minha indignação em relação à revista VEJA, que, possivelmente, por mesquinhas razões jornalísticas, tenha criado toda essa celeuma.

Com certeza, não haverá uma segunda vez.

Tenente-brigadeiro Walter Werner Bräuer
Brasília, DF

Resposta da Redação

A repórter Sandra Brasil leu para o brigadeiro Walter Bräuer, por telefone, a íntegra de sua entrevista às 17h30 da sexta-feira, dia 7. O brigadeiro não fez reparos ao que ouviu. Informada por Bräuer na noite de quarta-feira, dia 5, de que ele pretendia gravar o telefonema de leitura do texto, a repórter fez a mesma coisa na tarde do dia 7. Ao término da conversa, Bräuer disse: "Está razoável. O.k." Em nenhum momento o brigadeiro disse que o texto "não espelhava fielmente" o que quis transmitir nem pediu o adiamento da publicação. Ao contrário, quis confirmar se a entrevista seria publicada na edição daquele fim de semana. Alega que o texto lhe foi lido pela repórter "de maneira rápida e sem emoção". Atores interpretam. Jornalistas apenas lêem. O brigadeiro só enviou sua carta a VEJA na quarta-feira passada, dia 12, cinco dias depois de os primeiros exemplares da revista terem chegado às bancas com sua entrevista. Tudo leva a crer que Bräuer só tomou tal atitude devido à repercussão negativa de sua entrevista, também gravada. Minutos depois de ouvir a leitura do texto, Bräuer voltou a telefonar a VEJA. Não para falar de Hitler. O que ele queria saber era se ainda seria possível retirar uma comparação dos alemães com os portugueses. Nessa comparação, os portugueses eram apresentados de forma depreciativa em relação aos alemães. A repórter ficou de verificar. Bräuer foi informado, num telefonema posterior, de que não era possível. Ele não pediu à revista que acrescentasse uma só palavra a sua avaliação sobre Adolf Hitler. O brigadeiro Bräuer tem razão de ter-se arrependido do que disse. Não tem razão em culpar a revista por publicar aquilo que ele afirmou.

 


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