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Mais
uma lei
Desta vez querem tornar obrigatória a
exibição de programas regionais na TV
Na
semana passada, uma lei no domínio da cultura foi aprovada na Câmara
dos Deputados, em Brasília. De autoria da deputada carioca Jandira
Feghali (PC do B), ela obriga as emissoras de televisão a transmitir,
todas as semanas, várias horas de programação regional.
Emissoras que atendam a áreas geográficas com mais de 1,5
milhão de domicílios com televisor terão de cumprir
um mínimo de 22 horas semanais. Em regiões menores, esse
número será menor. Se a lei passar pelo Senado e pela sanção
presidencial, significa que a Bandeirantes ou a Record do Piauí
terão, necessariamente, de veicular produções feitas
no Piauí, e não apenas o material criado por suas matrizes
em São Paulo. Jandira Feghali justifica sua idéia recorrendo
ao velho e batido bordão de que a TV brasileira é "dominada
por valores culturais estrangeiros". Ela também afirma que a estrutura
das redes de televisão desestimula as produções locais
e prejudica os profissionais que vivem fora dos maiores centros.
Assim como não há nada de intrinsecamente ruim na programação
regional, também não há nela nada de intrinsecamente
bom. Só a mentalidade paternalista e folclorizante de certo tipo
de político (e intelectual) brasileiro justifica pensar o contrário.
O que já existe de regionalismo televisivo é prova disso.
O fato de serem produzidos em Fortaleza, por uma afiliada do SBT, e de
terem boa audiência não empresta qualidade aos programas
Barra Pesada, que apenas imita o estilo Ratinho de baixaria, e
Botando Boneco, que faz uma sátira política para
lá de esquálida. Obrigadas a preencher suas tantas horas
regulamentares, muitas emissoras acabarão recorrendo a truques.
"Vai chover programa feito com uma câmera e um entrevistador", diz
o diretor da Record Luciano Callegari. É o que se vê nas
emissoras comunitárias que, também por imposição
da legislação, fazem parte de todos os pacotes de TV por
assinatura. Teoricamente, elas seriam uma peça de resistência
à homogeneização cultural promovida pelos meios de
comunicação de massa. Na prática, são apenas
uma coisa estranha feita por gente esquisita. Uma programação
regional, imposta pela camisa-de-força da lei, tende a ser a mesma
coisa.
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