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Radical, mas seguro
Mergulho
em cavernas, considerado
de alto risco, ganha infra-estrutura
e atrai turistas

Rosana Zakabi
Luciano Candisani
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| Caverna
Lagoa Misteriosa, em Bonito: uma das três abertas para os mergulhadores
neste ano |

Veja também |
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O Brasil
é um lugar privilegiado para um tipo especial de mergulho
aquele feito em águas subterrâneas. São mais de 3.000
cavernas catalogadas, muitas delas com lagos e rios. O que atrapalhava
era a falta de infra-estrutura de apoio. Feito de modo selvagem, o mergulho
em cavernas é arriscado. Devido à pouca luminosidade em
alguns trechos, o mergulhador pode se perder e não encontrar a
saída. Essa situação está mudando. Neste ano,
o Ibama abriu aos mergulhadores três cavernas em Bonito, em Mato
Grosso do Sul. São a Gruta do Mimoso, a Abismo Anhumas e a Lagoa
Misteriosa, que estão entre as mais espetaculares do país.
Outras três devem ser liberadas em breve na mesma região.
Os cuidados com a segurança são severos. O turista é
obrigado a fazer um curso específico de mergulho em caverna, que
dura cerca de uma semana e custa 600 reais. Para se aventurar em certos
trechos, exige-se experiência com mergulho a céu aberto.
Ainda assim, só é permitido entrar na água em pequenos
grupos acompanhados de guias licenciados pelo Ibama.
Luciano Candisani
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| Abismo
Anhumas: para chegar à água é preciso descer um paredão de 72 metros
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O esforço
vale a pena. A Gruta do Mimoso fica a 35 quilômetros do centro de
Bonito e é uma das mais populares. O visitante consegue mergulhar
a uma profundidade de 18 metros e, lá no fundo, nadar entre formações
calcárias de 8 metros de altura. O único acesso para a Abismo
Anhumas, a 23 quilômetros de Bonito, é por meio do rappel
ou seja, é preciso descer paredões pendurado em uma
corda. A descida até a superfície do lago é de 72
metros. O acesso para a Lagoa Misteriosa é feito por uma escadaria
de 100 metros de altura. "O mergulho não é difícil,
mas requer autocontrole e tranqüilidade, principalmente porque há
alguns trechos sem luz", diz Alexandre Glauco Selhorst, engenheiro paranaense
que mergulhou em Bonito neste ano. As visitas às cavernas de Bonito
estiveram proibidas durante dois anos. "Além do problema da segurança
no mergulho, havia a questão das pichações, do lixo
e da depredação das formações rochosas", explica
Ricardo Marra, chefe do Centro Nacional de Estudo, Proteção
e Manejo de Cavernas do Ibama.
O mergulho
na Gruta da Pratinha, na Chapada Diamantina, não exige preparo
nem autorização prévia. Usam-se apenas snorkel, máscara,
colete salva-vidas e lanterna. Dos 3.000 visitantes
que a gruta recebe todo mês, 300 mergulham, entre eles crianças
e adolescentes. O mergulho custa 15 reais por pessoa e os equipamentos
podem ser alugados no próprio local. Em Minas Gerais, os mergulhos
acontecem na Represa de Furnas, na cidade de Passos, a cerca de 30 quilômetros
da barragem. Existem mais de dez cavernas submersas no local, a até
20 metros de profundidade. Na entrada de uma delas há um barco
naufragado. Os mergulhadores nadam dentro delas e podem ver tipos de peixes
que vivem nas grutas.
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