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Edição 1 782 - 18 de dezembro de 2002
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Para ser vista

Com a cintura das roupas cada
vez mais baixa, a calcinha não
cresce, mas aparece

Silvia Rogar

 
Fotos Pedro Rubens
Desenhos atrás, cetim na lateral e bordado com cristais: questão de atitude

Primeiro foi a cueca que se revelou na roupa dos rappers e skatistas. Depois, o sutiã fez sua aparição na composição das garotas modernas: uma alça contrastando com a regata, um pedacinho apontando no decote. Agora despontam as calcinhas, para acabar de vez com o conceito de moda íntima. Reveladas pela cintura cada vez mais baixa das calças e minissaias femininas, elas vira e mexe dão o ar da graça, seja de propósito – caso do fiozinho lateral sobre os quadris e das faixas elásticas com marca famosa –, seja sem querer, quando a dona do modelinho se abaixa para entrar no carro ou se senta em algum banquinho sem encosto. De tanto ver lingerie à mostra, os fabricantes resolveram se adaptar: estão fabricando calcinhas feitas exatamente para aparecer. Das maiores, tipo cueca, aos biquínis e tanguinhas com aplicações, neste verão proliferam os modelos de calcinhas feitas para ser vistas.

Fora do Brasil, as maiores propagadoras do estilo são as cantoras pop adolescentes, como Pink, Avril Lavigne e Britney Spears, que já apareceu com uma tanga estilo fio-dental tão ousada que gerou protesto entre as mamães americanas. No desfile da grife Valentino para o verão europeu de 2003, Gisele Bündchen surgiu na passarela com dois dedos de renda da calcinha à mostra. O estilista brasileiro Fause Haten, em parceria com a marca de lingerie Liz, assina e vende em suas lojas calcinhas pensadas para combinar com a inspiração skatista de sua última coleção. Sendo Fause amigo dos brilhos, uma delas (preço de tirar o fôlego: 743 reais) é toda bordada com canutilhos e cristais. "Achei que a aceitação ia ser mais difícil, mas até mulheres com mais de 40 anos aderiram. O importante é ter atitude", diz Fause, que também aprova os modelos de lateral fininha combinados com calça justa, desde que a mulher em questão naturalmente tenha barriga de tábua e quadris sob controle. A Triumph lançou no mês passado calcinhas em que o detalhe fica na parte de trás – uma tem desenho imitando tatuagem tribal, outra mostra um par de olhos piscantes. A Valisère oferece a calcinha de microfibra que imita o jeans, perfeita para as aparições mais discretas, e outras para quem prefere fazer a linha Britney Spears, com laterais de cetim e detalhes de tule. Às marinheiras de primeiro exibicionismo, Fause Haten dá a dica: "A calcinha precisa fazer parte da produção. Não pode parecer que está à mostra por acidente".

   
 
   
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