
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Entre
a gaiola e a extinção
A maior parte dos
casacos de pele
vem de animais criados em cativeiro
Fotos Reuters
 |
| A
modelo Cindy Crawford desfila com casaco de mink em Milão: sem medo
do ecoxiismo |
Com a aproximação do inverno, as lojas americanas e européias
enchem as vitrines e os olhos das mulheres com casacos e estolas de mink,
raposa e chinchila. Nesta época do ano, como bem sabe a modelo
Gisele Bündchen, também saem da toca os militantes da campanha
para exterminar o mercado de peles. Gisele, xingada por ativistas que
invadiram o desfile da Victoria's Secret no mês passado, não
foi a única vítima. Alguns dias depois, a Frente de Libertação
da Terra, um grupo ecoterrorista, ateou fogo a uma fazenda de criação
de minks nos Estados Unidos, mas não conseguiu soltar os bichinhos.
Na França, outra patrulha "libertou" 1.000 desses peludinhos. Ações
como essas fazem muito barulho, mas não têm o impacto intimidatório
do passado. No início dos anos 90, os protestos conseguiram jogar
o mercado de peles no fundo do poço. Nos últimos anos, o
ecoxiismo perdeu fôlego e já não consegue perturbar
significativamente a indústria de roupas com pele de animais, que
hoje movimenta 8 bilhões de dólares por ano.
As peles estão presentes com toda a força nas coleções
de outono-inverno nos Estados Unidos e na Europa. Pelo menos 300 estilistas
internacionais incluíram peles em suas criações.
Dolce & Gabbana, John Galliano e Jean-Paul Gaultier mostraram em coleções
recentes peças que usavam pele de zibelina, castor, coiote e espécies
silvestres de raposas. O que garante o crescimento do consumo é
a existência de uma bem assentada cadeia de produção:
85% de toda a produção de peles vem de animais criados em
cativeiro. As campanhas ambientalistas são, em boa parte, baseadas
em imagens do que ocorre com os outros 15%, os caçados na natureza.
Não há quem não sinta o coração apertado
com a imagem de um filhote de foca sendo morto a pauladas na cabeça
para evitar danos ao pêlo. Todos os anos, 275.000 animais são
mortos desse jeito no Canadá. Cada pele é vendida a 30 dólares.
Na verdade, focas e zibelinas siberianas (150.000 peles por ano) são
os únicos animais caçados em grande escala por sua pele.
As raposas-vermelhas não passam de algumas centenas.
 |
|
Carcaças
de foca no Canadá: animais mortos a pauladas para não
estragar a pele
|
As
quantidades mudam de grandeza quando se trata de animais criados em cativeiro.
Mais de 70% da produção anual de 26 milhões de peles
de mink vem de animais nascidos em gaiolas. Com essa montanha de couro
pode-se fabricar 450.000 casacos, ao preço médio de 40.000
reais cada um. As peles de raposas chegam a 4,5 milhões por ano,
ao preço de 70 dólares a unidade. Uma roupa vale 60.000
reais. Os defensores dos bichos têm uma causa sólida. Eles
reclamam que, diferentemente do que ocorre com animais como vacas, frangos
e porcos, que são sacrificados para alimentar pessoas, o mundo
da moda tira a vida dos mais peludinhos não para matar a fome,
mas apenas por vaidade. A argumentação é correta,
mas contém uma contradição: a existência de
uma razão econômica é o melhor modo de garantir a
preservação das espécies ameaçadas. Qual deve
ser a prioridade de quem se preocupa com os animais: a sobrevivência
ou o bem-estar da espécie?
AP
 |
|
Protesto
contra o uso de pele nos Estados Unidos: sem o poder do passado
|
Infelizmente, é difícil garantir a segurança de animais
silvestres cuja pele tem valor comercial. Uma agravante é que não
há controle do que se caça: pode-se matar uma fêmea
prenhe, filhotes muito novos ou até mesmo outros animais que passem
pelo caminho e que não têm utilidade para a indústria,
como cães e gatos. No caso de uma criação em cativeiro,
o abate leva em conta a necessidade da reprodução do plantel.
Um exemplo é a chinchila, pequeno roedor originário dos
Andes, extinto na natureza pela caça excessiva na década
de 20. Na época, um engenheiro americano apaixonou-se pelos bichinhos
e criou uma dúzia deles em cativeiro. Todas as 350.000 chinchilas
existentes em gaiolas são descendentes daquele grupo. Cada pele
do bichinho vale 35 dólares. Com 120 delas se faz um casaco vendido
por 240.000 reais. A gaiola salvou a espécie da extinção.
|
|
 |
|
 |

|
 |