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Edição 1 782 - 18 de dezembro de 2002
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Reforma no Air Force One

Avião que serve o presidente
americano vai ganhar novos
equipamentos. A atualização
tecnológica custará 200
milhões de reais

José Eduardo Barella

 
Fotos Boeing
O Air Force One, o avião mais seguro do mundo: imune a ataque nuclear e de mísseis

O Air Force One, o avião da Presidência dos Estados Unidos, é a aeronave mais bem equipada do mundo. Nos próximos meses, vai ficar ainda melhor. A equipe de segurança do presidente George W. Bush conseguiu aprovar uma verba de 200 milhões de reais para fazer uma atualização tecnológica no avião. Com a verba, equivalente ao valor de um Boeing, os especialistas em segurança do governo esperam evitar que se repitam os lamentáveis incidentes registrados na manhã de 11 de setembro de 2001, dia dos atentados às torres do World Trade Center e ao Pentágono. Enquanto os Estados Unidos estavam paralisados sob o impacto dos ataques em Nova York e Washington, Bush amargava um incômodo isolamento a 12 000 metros de altitude. Uma pane no sistema de comunicações do avião presidencial prejudicou a captação de sinais de TV por satélite e o acesso à internet, impedindo o presidente de realizar uma videoconferência com o vice-presidente, Dick Cheney, e até mesmo de assistir à CNN. As falhas não atingiram suas 85 linhas telefônicas nem chegaram a ameaçar a segurança do presidente, mas o atrapalharam num momento em que ele precisava agir rápido.

 
AP

Detalhe da suíte presidencial, situada na parte dianteira do avião: conforto e privacidade

Bush a bordo do Air Force One no dia 11 de setembro: sem CNN nem acesso à internet

São quatro os aviões que servem o presidente em seus deslocamentos. Há dois Boeing 747-200B e dois aviões menores, usados em viagens curtas. Eles recebem o nome-código de Air Force One quando estão transportando o presidente dos Estados Unidos. Vistos por fora, os aparelhos de fuselagem branca com detalhes em azul são como os outros de sua linha. A tecnologia embarcada, no entanto, é espetacular. Para começar, o aparelho pode ser reabastecido no ar. Tem, portanto, condições de permanecer indefinidamente em vôo. No caso de um hipotético ataque nuclear, por exemplo, seu sistema de defesa aciona um escudo eletrônico que protege o avião da emissão dos pulsos eletromagnéticos associados às explosões atômicas. O Air Force One também tem tecnologia para detectar um míssil inimigo a 100 quilômetros de distância. A ameaça é neutralizada por meio de ondas eletromagnéticas e sinais eletrônicos que confundem o sistema de navegação do míssil, que é guiado pelo calor emitido pelas turbinas do alvo. Com esse recurso, o míssil sai da rota e cai longe do objetivo. Além disso, toda vez que o avião presidencial levanta vôo é acompanhado a distância por uma escolta de caças F-15, que estão sempre prontos para protegê-lo de um ataque. "Jamais um presidente dos Estados Unidos passou por situação de risco de vida durante um vôo do Força Aérea Um", disse a VEJA Robert Dorr, autor do livro Air Force One, publicado recentemente, que conta a história do avião presidencial americano.

 
Fotos reprodução
O Boeing 314 Cliper, primeiro avião a transportar um presidente, Franklin Roosevelt

A transformação de cada um dos dois Boeing 747-200B numa filial da Casa Branca custou ao governo americano mais de 670 milhões de reais. O Air Force One tem condições de acomodar 70 pessoas, além dos 23 tripulantes – bem menos que os 450 passageiros de um avião comercial do mesmo porte. São apenas 372 metros quadrados de área útil, divididos entre os aposentos do presidente, sala de reuniões, centro de comunicações, seis banheiros e cabines para a tripulação, assessores, agentes do serviço secreto e convidados. O Air Force One conta ainda com ambulatório médico com capacidade de realizar cirurgias de emergência. A suíte presidencial, situada na parte dianteira do avião, é pequena, mas confortável.


Jimmy Carter relaxado, em 1978

A maioria dos presidentes americanos viveu bons momentos a bordo do avião presidencial. Em diversas ocasiões, Jimmy Carter aproveitou os vôos longos para dançar com a mulher, Rosalyn, ao som de Bob Dylan. Já Bill Clinton preferia invadir os outros compartimentos do avião durante a madrugada em busca de alguém acordado para conversar. Há, no entanto, um episódio em que o avião acabou sendo palco de um momento de tristeza para os americanos. Quando John Kennedy foi assassinado em Dallas, seu corpo foi transportado para Washington a bordo do Air Force One. E foi lá, no avião, que o vice, Lyndon Johnson, foi empossado no cargo. Antes da decolagem, ao prestar juramento em pleno avião presidencial, Johnson determinou que as cortinas do avião fossem baixadas. Como as janelas não eram blindadas, tinha medo de ser ele também alvo de disparos feitos de um ponto qualquer próximo à pista do aeroporto.

   
 
   
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