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Mistério e
diarréia
Ninguém
explica por que
um vírus anda estragando
os cruzeiros no Caribe
AP
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Passageiros
do Magic,
da Disney: sem
proteção
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Em janeiro,
começa o período de peixes gordos para a bilionária
indústria dos cruzeiros que partem da Flórida, nos Estados
Unidos, para alguns dias de sol, mar azul e piñas coladas no Caribe.
A temporada vai até abril, e neste início de 2003 as empresas
contavam se livrar, enfim, dos deletérios efeitos do 11 de setembro
sobre o turismo. A recuperação do setor ia bem até
um vírus chegar do nada e ameaçar a festa. Do fim de novembro
até agora, cerca de 1.000 passageiros
e tripulantes de quatro navios foram infectados pelo vírus de Norwalk,
invisível causador de dois ou três dias de vômitos,
diarréias e mal-estar generalizado. Ninguém sabe de onde
ele vem (nas cidades de origem dos turistas, não há notícia
de surtos), como evitar que se propague e, o mais misterioso de tudo,
por que anda atacando justamente navios de cruzeiro, e apenas eles. De
certo, apenas a resignada constatação de que não
há muito a ser feito para combatê-lo. "Sempre que se reúne
um grande número de pessoas em espaço restrito e acontece
uma infecção, ela se espalha. É um fato da vida",
diz a infectologista Megan Murray, que prestou consultoria na limpeza
do navio Amsterdam.
AFP
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Limpeza de corrimão
do Fascination,
da Carnival:
fácil contaminação
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Em quatro viagens seguidas o Amsterdam teve passageiros doentes
cerca de 450 no total. Foi o único submetido à medida
mais drástica: saída de circulação por dez
dias. Segundo os especialistas, essa é a única forma efetiva
de garantir um navio não contaminado, pelo menos até a próxima
partida. Os outros três o Fascination, da Carnival
Cruise, o Magic, da Disney, e o Oceana, de uma empresa inglesa
ficaram só na limpeza mais criteriosa que a habitual. O
vírus de Norwalk, isolado na cidade desse nome no Estado de Ohio,
bem como outros 23 subgrupos semelhantes, é comum e espalha-se
por proximidade com a pessoa infectada ou contato com objetos que tocou.
"Um detalhe interessante é que ele é típico dos países
desenvolvidos, talvez por ainda não ter sido devidamente identificado
nos mais pobres", diz o infectologista Luiz Jacintho da Silva, diretor
da Superintendência de Controle de Endemias da Secretaria da Saúde
do Estado de São Paulo. Para evitar contaminação,
as empresas vêm dedicando especial cuidado à limpeza de locais
como corrimão de escada, botão de elevador e aparelhos de
ginástica. Também recomendam a tripulantes e passageiros
que lavem as mãos com freqüência. Até agora,
dizem que nem o volume de reservas nem as passagens já compradas
foram afetados. Por via das dúvidas, alguns passageiros andam diversificando
a bagagem: além de shorts, maiôs e trajes para a indefectível
noite de gala, levam comida, água e travesseiro de casa. Ficam
prontos para driblar o vírus ou penar com ele naquelas cabines
apertadinhas.
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