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Edição 1 782 - 18 de dezembro de 2002
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Mistério e diarréia

Ninguém explica por que
um vírus anda estragando
os cruzeiros no Caribe

 
AP

Passageiros do Magic, da Disney: sem proteção

Em janeiro, começa o período de peixes gordos para a bilionária indústria dos cruzeiros que partem da Flórida, nos Estados Unidos, para alguns dias de sol, mar azul e piñas coladas no Caribe. A temporada vai até abril, e neste início de 2003 as empresas contavam se livrar, enfim, dos deletérios efeitos do 11 de setembro sobre o turismo. A recuperação do setor ia bem até um vírus chegar do nada e ameaçar a festa. Do fim de novembro até agora, cerca de 1.000 passageiros e tripulantes de quatro navios foram infectados pelo vírus de Norwalk, invisível causador de dois ou três dias de vômitos, diarréias e mal-estar generalizado. Ninguém sabe de onde ele vem (nas cidades de origem dos turistas, não há notícia de surtos), como evitar que se propague e, o mais misterioso de tudo, por que anda atacando justamente navios de cruzeiro, e apenas eles. De certo, apenas a resignada constatação de que não há muito a ser feito para combatê-lo. "Sempre que se reúne um grande número de pessoas em espaço restrito e acontece uma infecção, ela se espalha. É um fato da vida", diz a infectologista Megan Murray, que prestou consultoria na limpeza do navio Amsterdam.


AFP

Limpeza de corrimão do Fascination, da Carnival: fácil contaminação


Em quatro viagens seguidas o Amsterdam teve passageiros doentes – cerca de 450 no total. Foi o único submetido à medida mais drástica: saída de circulação por dez dias. Segundo os especialistas, essa é a única forma efetiva de garantir um navio não contaminado, pelo menos até a próxima partida. Os outros três – o Fascination, da Carnival Cruise, o Magic, da Disney, e o Oceana, de uma empresa inglesa – ficaram só na limpeza mais criteriosa que a habitual. O vírus de Norwalk, isolado na cidade desse nome no Estado de Ohio, bem como outros 23 subgrupos semelhantes, é comum e espalha-se por proximidade com a pessoa infectada ou contato com objetos que tocou. "Um detalhe interessante é que ele é típico dos países desenvolvidos, talvez por ainda não ter sido devidamente identificado nos mais pobres", diz o infectologista Luiz Jacintho da Silva, diretor da Superintendência de Controle de Endemias da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Para evitar contaminação, as empresas vêm dedicando especial cuidado à limpeza de locais como corrimão de escada, botão de elevador e aparelhos de ginástica. Também recomendam a tripulantes e passageiros que lavem as mãos com freqüência. Até agora, dizem que nem o volume de reservas nem as passagens já compradas foram afetados. Por via das dúvidas, alguns passageiros andam diversificando a bagagem: além de shorts, maiôs e trajes para a indefectível noite de gala, levam comida, água e travesseiro de casa. Ficam prontos para driblar o vírus – ou penar com ele naquelas cabines apertadinhas.


   
 
   
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