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Divulgação![]() DISCO Sarah Chang: técnica e dramaticidade na interpretação de obras essenciais do violino |
BRUCH: VIOLIN CONCERTO; BRAHMS: VIOLIN CONCERTO, Sarah Chang (EMI) |
JULIANA KEHL (Microservice)
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DISCO |
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O CD de estreia da cantora Juliana Kehl é um delicioso híbrido de MPB tradicional e pop. Seu uso da eletrônica não serve para maquiar a falta de talento com um glacê de modernidade: são detalhes que enriquecem as canções (como em A Música Mais Bonita, uma das melhores faixas). Quando opta por uma regravação, Juliana, que é afinada e tem boa dose de emoção na voz, não escolhe caminhos batidos. Canta Outras Mulheres, de Joyce e Paulo César Pinheiro, e Oiê, de Junio Barreto. Ela é, ainda, uma boa letrista, com temas que vão do folclore aos amores urbanos e, aqui, nada supera a radiofônica Rede de Varanda. Quanto à beleza, é a mesma da irmã mais velha, a psicanalista Maria Rita Kehl, eterna musa dos militantes de esquerda interessados no materialismo não histórico.
LIVROS
SEIS SUSPEITOS, de Vikas Swarup (tradução de Alexandre Barbosa de Souza; Companhia das Letras; 552 páginas; 54 reais)
Sofie Bassoul/Corbis/Latinstock![]() |
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LIVRO |
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Vicky Ray, produtor de filmes de Bollywood e playboy,
é assassinado em uma festa. Seis pessoas tinham motivos, e também
os meios, para fazê-lo: uma atriz, um ladrão, um burocrata, um
político, um americano e um homem das castas mais baixas da Índia.
Até esse ponto, o do enredo puro e simples, este romance policial do
diplomata indiano Vikas Swarup é uma homenagem àqueles mistérios
claustrofóbicos que fizeram a fama de Agatha Christie. Mas, como em seu
livro anterior Sua Resposta Vale Um Bilhão, que deu origem
ao filme Quem Quer Ser um Milionário? , o autor demonstra
ser um original: em prosa leve e segura, e com uma vivacidade que indica seu
prazer na escrita, Swarup usa esse formato restrito para ao mesmo tempo brincar
e acusar, alfinetando desde a obsessão do público com os reality
shows até o preconceito de classe institucionalizado em seu país.
Mas nunca deixa pesar a mão: seu negócio, no qual ele é,
aliás, muito competente, é a diversão. Trecho do livro.
VOZES DA RUA, de philip k. Dick (tradução de Ryta
Vinagre; Rocco; 432 páginas; 58,50 reais)
Inédito por mais de meio século, este livro
traz uma faceta pouco conhecida do escritor ame-ricano Philip K. Dick (1928-1982).
Ele se distancia do feudo da ficção científica, no qual
produziu enredos que renderiam filmes como Blade Runner e Minority
Report, e cria uma história angustiante, que mistura drama familiar
e religião. O personagem-chave de Vozes da Rua é Stuart
Hadley, gerente de uma loja de aparelhos eletrônicos, que está
prestes a se tornar pai. A felicidade é apenas aparente Hadley
odeia seu emprego e também não morre de amores pela mulher. Durante
uma crise existencial, ele encontra refúgio numa seita religiosa. A escolha,
claro, vai terminar em tragédia. Mas essa previsibilidade é mais
do que compensada pela narrativa envolvente, que descreve com pinceladas certeiras
cada etapa da decadência física e moral do protagonista. Trecho do livro.
DVDs
GIMME SHELTER (Estados Unidos, 1970. Warner
Em 6 de dezembro de 1969, os Rolling Stones encerraram
sua turnê americana com um show gratuito no Autódromo de Altamont,
na Califórnia, que incluiria apresentações de Santana,
Crosby Stills & Nash e Jef-ferson Airplane. O evento, porém, ficou
conhecido como uma das maiores tragédias da história do showbiz:
Mick Jagger e sua banda contrataram como seguranças a gangue de motoqueiros
Hells Angels, conhecida pela truculência, e atrasaram a entrada
no palco por horas. Quando finalmente iniciaram o show, a plateia e os leões
de chácara já estavam em pé de guerra, numa violência
que culminou na morte do jovem Meredith Hunter, com cinco facadas. O episódio
ganhou um retrato fiel nas mãos dos cineastas David e Albert Mayles e
Charlotte Zwerin. O trio registra imagens raras, como a expressão de
pavor de Jagger e Keith Richards diante da tragédia inevitável.
DECÁLOGO (Dekalog, Polônia, 1988. Versátil)
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DVD |
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Um dos maiores cineastas europeus da segunda metade do
século XX, o polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996) ficou célebre por sua interpretação
íntima e dolorosa do lema da Revolução Francesa liberdade, igualdade e fraternidade na chamada Trilogia das Cores, lançada entre 1993 e 1994. No fim dos anos 80, contudo, Kieslowski já
realizara um trabalho de inspiração semelhante, e peso talvez
até maior. Composto de dez filmes de uma hora de duração
cada um, Decálogo se inspira nos dilemas éticos e morais
suscitados pelos Dez Mandamentos, ilustrando-os por meio dos diferentes personagens
que moram em um conjunto habitacional de Varsóvia, em uma Polônia ainda em pleno trauma do regime comunista. Numa das histórias, uma mulher deve decidir se faz
ou não um aborto em face da doença terminal do marido; em outra, um adolescente se apaixona por uma mulher promíscua que ele
espia com seu binóculo.O diretor parte do abstrato para chegar ao profundamente dramático, em
um conjunto de filmes tão belo quanto devastador.
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