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• Maílson da NóbregaLivrosUma ciência ocultaComo Dan Brown, em O Símbolo Perdido, mistura de novo os ingredientes sociedades secretas, códigos enigmáticos, os subterrâneos de monumentos famosos e alguma elucubração filosófica que o tornaram o maior best-seller da ficção adulta
As estantes envidraçadas no último andar da biblioteca da Academia Phillips Exeter exibem obras escritas por ex-alunos dessa tradicional instituição de ensino médio americana, fundada no século XVIII. É uma coleção heterogênea, com livros de história e de culinária, guias para criação dos filhos e biografias de personagens como o general Ulysses S. Grant. Escritores como Gore Vidal e John Irving destacam-se nas prateleiras. E também está lá um thriller com cores meios esotéricas que vendeu mais de 1 milhão de cópias nas suas primeiras 24 horas no mercado americano, em setembro e que nesta semana chega às livrarias brasileiras. O Símbolo Perdido (tradução de Fernanda Abreu; Sextante; 496 páginas; 39,90 reais) é o quinto romance de Dan Brown, 45 anos, autor de um dos maiores fenômenos editoriais do século O Código Da Vinci, que vendeu 80 milhões de exemplares no mundo todo (1,6 milhão só no Brasil). Muito interessante, de fato: nos dois livros e filmes anteriores, Langdon interpretado no cinema por Tom Hanks sobreviveu à explosão de uma cápsula de antimatéria (nem pergunte o que é isso) e desvendou o mistério da descendência de Jesus Cristo. Em O Símbolo Perdido, ele se envolve em uma espécie de caça ao tesouro metafísica: tem de desvendar códigos e símbolos projetados pela maçonaria, para chegar ao esconderijo que abriga os Antigos Mistérios a sabedoria ancestral que promete dar poderes sobre-humanos a seu detentor. Langdon e sua co-heroína, Katherine uma pesquisadora da chamada "ciência noética", que pretende estudar os efeitos da mente sobre o mundo físico , são acossados pelo vilão mais tenebroso já concebido por Brown: Malakh, um satanista alucinado cujo corpo musculoso é completamente tatuado com símbolos místicos. Toda a história se passa em Washington, mas essa não é a capital americana que costuma aparecer no noticiário. "Não há política no livro. Mostrei a cidade que ninguém vê, repleta de mistérios, segredos e locais estranhos", diz o escritor. O Capitólio, sede do Congresso americano, transfigura-se em templo dos Antigos Mistérios. Uma mão amputada, com um anel maçônico e símbolos esotéricos tatuados na ponta dos dedos, é encontrada em um de seus salões. E, nos porões do Congresso, esconde-se uma pirâmide maçônica cujas inscrições crípticas são o centro da narrativa. Essa é a fórmula que Brown experimentou em Anjos e Demônios e calibrou em O Código Da Vinci: uma história de mistério envolvendo uma sociedade secreta, códigos e enigmas, ação acelerada e o lado "oculto" de monumentos públicos famosos. Além de alguma especulação filosófico-religiosa. "Anjos e Demônios é sobre o embate entre ciência e religião. O Código Da Vinci apresenta uma perspectiva alternativa sobre a vida de Jesus e o Santo Graal. Já O Símbolo Perdido é sobre o poder da mente humana. É o mais filosófico dos meus livros", diz o autor. E há quem ache que os romances só pretendem distrair o leitor em suas horas de espera no aeroporto... A ordem secreta de O Símbolo Perdido é a maçonaria. Muitos fundadores da nação americana como George Washington, seu primeiro presidente eram maçons, e os símbolos esotéricos da irmandade até hoje estão presentes na vida do país (o exemplo mais proeminente é a pirâmide com olho na nota de 1 dólar). Brown é bom em coletar miudezas históricas que se relacionam com seu tema central. O Símbolo Perdido faz referência, por exemplo, a uma das representações mais estranhas que já se fizeram de Washington: uma estátua de mármore esculpida por Horatio Greenough no século XIX representava o presidente como o deus grego Zeus, de toga, espada em uma das mãos, peito desnudo e com os músculos salientes de um lutador de vale-tudo. A estátua esteve alguns anos no Congresso, mas acabou retirada de lá, segundo Brown (ou Langdon) porque seu ostensivo paganismo ofendia os congressistas cristãos. Um afresco do Capitólio, A Apoteose de Washington, também representa o primeiro presidente como uma espécie de Deus, alçando-se aos círculos celestes mais elevados. E está dado o mote para Brown desenvolver um dos temas mais caros ao novo livro: a divindade intrínseca de todo ser humano.
No geral, não é preciso comprar as teses esotéricas de Brown para divertir-se com O Símbolo Perdido. É um bom thriller, com algumas das melhores cenas de ação já escritas pelo autor, como o eletrizante jogo de gato e rato entre o bandido Malakh e Katherine dentro de um galpão fechado, sem nenhuma fonte de luz. "É uma cena curta, mas levei uma semana para escrevê-la. No final, estava com dores na mandíbula percebi que estava apertando os dentes, por causa da tensão", diz Brown. Robert Langdon, herói de ação e professor da inexistente disciplina da simbologia em Harvard, é um grande achado. O próprio Brown não se deu conta imediatamente do potencial do personagem: depois de apresentá-lo em Anjos e Demônios, abandonou-o no livro seguinte, Ponto de Impacto. Mas teve a sorte de ter mudado de agente na mesma época. "Li umas vinte páginas de Anjos e Demônios e disse para Brown: Você tem de escrever mais livros com Langdon. Ele é seu grande personagem", conta Heide Lange, o atual agente do escritor. Depois de O Código Da Vinci, outros tentaram a mesma fórmula do "thriller acadêmico", sem tanto sucesso. Brown parece de fato conhecer alguma ciência oculta. |
A Nova Era de Dan BrownAs opiniões do autor de O Símbolo Perdido sobre Deus, o futuro da humanidade UMA MUDANÇA IMINENTE CIÊNCIA E RELIGIÃO OS PERIGOS DA RELIGIÃO POLÍTICA, NÃO UMA IDEIA LINDA O DEUS AMERICANO SUCESSO E RIQUEZA
"Meu símbolo preferido"Em O Símbolo Perdido, o circumponto tem papel fundamental.
Segundo o livro, |