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ultrapassar os EUA como o maior
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Imaginechina![]() |
| SONHO DE CONSUMO O F3, da Build Your Dreams (BYD): sedã inspirado no Corolla é o líder de vendas na China |
No fim da década de 70,
uma comitiva do alto escalão do Partido Comunista Chinês fez uma
visita inesperada à sede da Volkswagen na Alemanha. A intenção
era discutir uma possível parceria com a montadora europeia. Em meio
às conversas, os chineses encantaram-se com um projeto em especial. Era
o Santana, que se tornou o carro oficial do PCC. Três décadas depois,
o automóvel, que deixou de ser fabricado no Brasil, ainda está
entre os mais vendidos na China, mas passou a dividir espaço com uma
centena de outros modelos que vêm impulsionando a retomada mundial do
setor após a maior crise financeira desde a Grande Depressão.
De janeiro até outubro, foram comercializados 8,2 milhões de automóveis
na China, um aumento de 45% em relação ao mesmo período
do ano passado. Caso esse ritmo seja mantido pelos próximos dois meses,
o país superará os Estados Unidos, até agora o maior mercado
do globo, pela primeira vez na história. Também há sinais
de recuperação no Ocidente. Depois de uma grande reestruturação,
que incluiu fechamento de fábricas e demissões em massa, as principais
empresas americanas do setor estão conseguindo reerguer-se.
"Com o retorno do crédito e do poder de compra com o fim da crise, a tendência é que a venda de veículos volte a crescer", afirmou Paulo Cardamone, vice-presidente da consultoria CSM para a América do Sul. A China é o atual eldorado do setor. Na última década, a venda anual de carros aumentou vinte vezes. Neste ano, 12 milhões de unidades deverão ser compradas pelos chineses.
Punit Paranjpe/Reuters![]() |
| VAI PEGAR? O compacto retrô Fiat 500, que será vendido nos Estados Unidos |
Nos Estados Unidos, onde as vendas
já acumulam queda de 25% neste ano, as principais fabricantes de veículos
começaram, pouco a pouco, a colher resultados animadores. Após
a ajuda governamental, a Chrysler e a General Motors conseguiram emergir reestruturadas
do processo de concordata. Na GM, a reviravolta significou o fechamento de fábricas
e a venda de marcas, como a Hummer. Mas ela não precisou se desfazer
da Opel, sua unidade europeia. No início do mês, foi a vez de a
Ford, a única fabricante americana que não recebeu empréstimos
emergenciais, exibir números positivos. A empresa contrariou as expectativas
e anunciou lucro de 1 bilhão de dólares no terceiro trimestre.
"Entramos em uma trajetória de crescimento duradouro a partir de
agora", disse o presidente da companhia, Alan Mulally. "Prevejo resultados
sólidos a partir de 2011."
Rebecca Cook/Reuters![]() |
| NO AZUL Alan Mulally, presidente da Ford: a única grande americana que não recorreu à ajuda do governo |
No Brasil, o comércio
de carros também reagiu. Assim como na Alemanha e em outros países,
contribuíram para isso programas de estímulo realizados pelos
governos - no caso nacional, a redução do imposto sobre produtos
industrializados (IPI). Os efeitos foram positivos. Segundo estimativas da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas
de veículos devem bater recorde histórico neste ano ao superar
3 milhões de unidades. Mas ainda há um longo caminho a percorrer,
conforme afirmou a VEJA Jackson Schneider, presidente da entidade: "O governo
criou condições para que o mercado reagisse. Entretanto, temos
ainda uma estrutura tributária muito complexa, o que impede maiores ganhos".
Com o fim dos incentivos governamentais, todo o mercado de carros deverá ser reconfigurado. Diversas fabricantes de veículos já demonstraram interesse em produzir automóveis pequenos e híbridos. Ao assumir a combalida Chrysler, a italiana Fiat anunciou que venderá modelos compactos como o Fiat 500 nos Estados Unidos. Mas não se sabe ao certo se a moda vai pegar. Disse a VEJA o diretor da consultoria IHS Global Insight John Wolkonowicz: "A realidade americana é muito diferente da que se tem na Europa, onde existe um transporte público eficiente, as distâncias entre as cidades são menores e o combustível é mais caro. Além disso, a cultura é menos individualista". Sem dúvida, fazer os americanos trocar suas vans e picapes por veículos do tamanho de um Fusca seria uma revolução similar à feita pelos chineses nas três últimas décadas.
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