Conversa com Luiza Erundina
"Não posso dizer: eu pago"
A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) foi condenada a ressarcir
a prefeitura de São Paulo em 350 000 reais. Em 1989, durante sua gestão
no município, ela usou recursos oficiais para publicar um anúncio
no qual afirmava que não havia colaborado com uma greve geral

Gabriele Jimenez
Carlos Moura/CB Brasil
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Erundina: "Só fico constrangida de onerar
quem crê na minha justeza" |
Como a senhora está fazendo para pagar a dívida?
Meus advogados fizeram um acordo com a prefeitura. Repasso a ela 10% dos meus honorários de deputada.
É o suficiente?
Não. Por isso, precisei dar em garantia meus dois carros e meu apartamento de 80 metros quadrados. Ele fica em São Paulo e vale 180 000 reais.
A senhora tem outra fonte de renda?
Uma aposentadoria de assistente social, que não dá para me manter. O pior é que já tenho
74 anos e não posso dizer: "Até o fim da vida, eu pago à prefeitura".
A dívida afetou seu padrão de vida?
Ele já
era modestíssimo. Eu não viajo nas férias, ajudo minha
família, que é paupérrima, e cuido de um sobrinho que tem
síndrome de Down.
Tem recebido alguma ajuda?
Dos companheiros e companheiras. Na
semana passada, eles fizeram um jantar para levantar dinheiro.
Foi a primeira vez?
Não. Em 2008, bloquearam minha conta, com meu salário, minha poupançazinha e a verba indenizatória da Câmara. Meus amigos me emprestaram dinheiro para passar o mês. Só fico constrangida de onerar quem crê na minha justeza.
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