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Edição 1978 . 18 de outubro de 2006

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Roberto Pompeu de Toledo
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CINEMA

Deu a Louca na Chapeuzinho (Hoodwinked!, Estados Unidos, 2005. Desde quinta-feira em cartaz no país) – O título e a quantidade de cópias dubladas com que o desenho dos irmãos Cory e Todd Edwards está sendo lançado sugerem que esse é um filme para crianças. Engano. Quando Chapeuzinho, sua avó, o lobo mau e um lenhador ensandecido são presos numa cabana na floresta, uma investigação policial revela surpresas que vão dar todo um novo sentido ao enredo da fábula. Espécie de cruzamento de Law & Order com Rashomon – o clássico de Akira Kurosawa em que cada personagem dava sua própria versão a uma mesma história –, essa nova Chapeuzinho é espirituosa e tem um faro pop infalível, que faz com que seus 81 minutos pareçam ainda mais curtos. Veja cenas.

 

DVD

Invasion – A Série Completa (Estados Unidos, 2005. Warner) – Enquanto um furacão se abate sobre a Flórida, luzes misteriosas descem do céu sobre a água. Pessoas dadas como mortas por afogamento ressurgem horas depois, sem um arranhão – mas parecem sutilmente diferentes, o que pode ou não ser conseqüência do trauma que atravessaram. E um xerife linha-dura (William Fichtner, a grande atração da série) preside a todos esses acontecimentos como se soubesse de algo que os outros não sabem. Invasion demora um pouco a engrenar e o restante do elenco não está à altura de Fichtner, razões que talvez expliquem o fato de ter durado apenas uma temporada. Mas, para quem se arrisca, é o tipo de programa que logo vira vício.

 

LIVROS

Macho Não Ganha Flor, de Dalton Trevisan (Record; 128 páginas; 24,90 reais) – Dalton Trevisan diz que o conto deve ser "pequeno e preciso como uma picada de agulha". É uma boa definição para a literatura do escritor curitibano, sempre enxuta e visceral. Os 22 contos dessa nova coletânea seguem a sua receita de sempre, sem perder a contundência: temas violentos, diálogos ágeis e um erotismo que não faz concessões à correção política. Muitos dos personagens do livro são marginais – traficantes, criminosos, ladrões e vagabundos, retratados sem um pingo de sentimentalismo. O conto que dá título ao livro, por exemplo, narra uma tentativa de estupro, que só não se consuma porque o criminoso sofre de impotência. Leia trecho.

 
Louis Lanzano/AP
Cynthia Ozick: poucas e boas palavras  

O Xale, de Cynthia Ozick (tradução de Sonia Moreira; Companhia das Letras; 88 páginas; 27,50 reais) – Aprisionada em um campo de concentração durante a II Guerra, Rosa conseguiu esconder sua filha Magda, apenas um bebê, dos carrascos nazistas. A menina vai sobrevivendo precariamente, coberta pelo velho xale da mãe, até que a tragédia inevitável acontece. Com uma economia verbal que torna a história ainda mais pungente, O Xale, da crítica e escritora Cynthia Ozick, consagrou-se como um dos contos mais memoráveis da literatura americana recente. O presente volume traz ainda o conto Rosa, que dá continuação à história anterior, seguindo a patética vida da personagem-título, sobrevivente do holocausto, na Flórida dos anos 70. Leia trecho.

 

DISCOS

 
Tim Mosenfelder/Getty Images
The Killers: um casamento feliz de U2, Duran Duran e Springsteen  

Sam's Town, The Killers (Universal) – O quarteto surgiu em Las Vegas, mas bem que poderia ter começado na Inglaterra ou na Irlanda dos anos 80. Seu som combina o fervor do U2 aos teclados saltitantes do Duran Duran – o que não é demérito. O grupo tem senso de humor, sabe criar boas melodias e se destaca da legião de astros tristonhos do pop atual. Esse seu segundo disco turbina a receita anglófila com influências do roqueiro americano Bruce Springsteen, incluindo o uso de saxofone em diversas faixas. Graças à mistura, Sam's Town (o nome homenageia um cassino de segunda linha de Las Vegas) conta com vários hits certeiros, como When You Were Young, em que os teclados new wave garantem a animação na pista, e Bling (Confession of a King).

 

Getty Images
Os Beach Boys: de ingênuos a revolucionários  

Pet Sounds: 40th Anniversary Edition, The Beach Boys (EMI) – Lançado em 1966, esse álbum do quinteto americano é ainda hoje um marco da música pop. O grupo deixou de lado as canções sobre surfe e namoricos e passou a falar de problemas de gente grande. E, mais importante, avançou de forma inesperada na criação musical. As harmonias vocais foram reforçadas por uma trupe de músicos de estúdio e naipes de cordas comandados por Brian Wilson, principal compositor do grupo e mentor do projeto. Pet Sounds influenciaria obras-primas como Revolver, dos Beatles. Essa edição comemorativa traz o disco nas versões mono e estéreo, além de um documentário em DVD com depoimentos de Wilson sobre os bastidores da gravação.

Noel pela Primeira Vez, Noel Rosa (Caravelas) – No início da década passada, o pesquisador paulistano Omar Jubran se dedicou à tarefa hercúlea de catalogar e compilar todas as canções escritas pelo compositor Noel Rosa (1910-1937). O resultado está nessa caixa de sete CDs duplos, com 229 canções. O repertório vai das conhecidas Feitiço da Vila e Conversa de Botequim a descobertas, como Não Há Castigo, que era dada como perdida. Com sua habilidade rara em combinar melodias simples a letras inteligentes, Noel faz por merecer tanta dedicação. Nesses CDs, as canções são interpretadas pelo próprio autor e por grandes nomes da MPB da época, como Mario Reis e Aracy de Almeida.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Fnac; Campinas: Fnac. Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Fnac, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura, Fnac; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba, Fnac; Londrina: Livrarias Porto; Campo Grande: Leitura; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Fnac, Submarino.

 

 
 
 
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