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Radar
Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)
• TCU A farra da burocracia A
ineficiência e a má gestão da burocracia pública brasileira
não têm limites. Na semana passada, o Tribunal de Contas da União
(TCU) julgou um caso exemplar e quase inacreditável. Ei-lo: a Receita
Federal concedeu, a título de ajuda de custo, 8.500 reais ao servidor Edson
Pedrosa, transferido de Brasília para o Rio de Janeiro. O dinheiro serviria
para sua mudança, da mulher e dos filhos. Como surgiu a suspeita de que
a família do funcionário já morava no Rio, foi instalada
uma comissão para investigar o fato. Bem, para uma verificação
mais do que simples, a tal comissão demorou dois anos para concluir os
trabalhos. E consumiu 350.000 reais. Ou seja, 41 vezes mais do que o gasto irregular
inicial.
O inferno astral do senador José
Patricio/AE
 | | Mercadante:
o primeiro alvo da oposição, se Lula ganhar |
Além
de precisar prestar depoimento à Polícia Federal para esclarecer
seu envolvimento no escândalo do dossiê, Aloizio Mercadante terá
problemas no Senado após as eleições. A oposição
já se articula para abrir um processo contra ele no Conselho de Ética,
a fim de apurar sua ação na compra do dossiê e de investigar
se Hamilton Lacerda, coordenador de sua campanha e homem da mala do escândalo,
era funcionário-fantasma de seu gabinete. Lacerda era contratado por Mercadante
como assessor, mas trabalhava em seu comitê de campanha, não no Senado.
Só foi exonerado depois da crise. Caso Lula seja reeleito, PSDB e PFL querem
utilizar o processo contra Mercadante como a primeira cartada para infernizar
o governo. Se o vencedor for Geraldo Alckmin, a ação pode não
sair do papel, pois tucanos e pefelistas procurarão iniciar o mandato sem
grandes turbulências no Congresso. Ironia do destino: o melhor para a sobrevivência
política de Mercadante é a derrota de Lula... |
| • ELEIÇÃO
2006 A "inteligência petista"
ataca O PT botou sua turma da pesada para investigar Edmilson Bruno,
o delegado da Polícia Federal que divulgou as fotos da dinheirama suja
do dossiê para a imprensa.
Dirceu e Lula José Dirceu continua em
assembléia permanente com Lula. Ou seja, eles têm se falado muito
nesta campanha. Mas sem holofotes. Dirceu sabe que a exposição desse
relacionamento atrapalharia a campanha pela reeleição.
Saiam da frente E foi também nos bastidores
que José Dirceu atuou na eleição do dia 1º. No Rio de
Janeiro, por exemplo, ele botou a máquina petista (que não é
grande no estado, mas existe) para ajudar, veja só, a eleição
de Francisco Dornelles, do PP, ao Senado. Por quê? Sobretudo porque não
queria que Jandira Feghali, do PCdoB, vencesse a disputa. Para Dirceu, se Jandira
tivesse êxito se transformaria na principal figura da esquerda no Rio de
Janeiro o que atrapalharia o PT. Estratégia
de debate Os golpes em Lula durante o debate da Bandeirantes foram
ensaiados por Geraldo Alckmin para ser usados no debate da Rede Globo, no primeiro
turno. Luiz Gonzales, o marqueteiro do tucano, mudou a estratégia na última
hora, quando foi avisado pela Globo que Lula cancelara sua participação.
Alckmin foi até gentil com a cadeira vazia de Lula.
O preferido do mercado Para o mercado financeiro,
o debate da Bandeirantes foi vencido por Geraldo Alckmin, de modo inconteste.
De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Arko Advice nos dois dias
que se seguiram ao debate, 89% dos ouvidos disseram que Alckmin se saiu melhor.
A pesquisa foi feita com 167 executivos do mercado financeiro.
Está parado De um assessor do presidente
Lula, na quarta-feira passada: "Está tudo parado, ninguém trabalha,
nada acontece neste Palácio. Só se pensa em eleição".
• ECONOMIA
Papai Noel magro Com base nas encomendas já
feitas pelo comércio, os fabricantes de eletroeletrônicos calculam
que este Natal será no máximo como o do ano passado, que não
foi grande coisa. Bradesco
na frente A Bradesco Seguros continua a abrir distância da SulAmérica
no ranking nacional do setor. De acordo com um levantamento do Sindicato dos Corretores
de Seguros de São Paulo, de janeiro a agosto a Bradesco Seguros atingiu
uma participação de mercado de 13,96%. A SulAmérica alcançou
9,33%, e a Unibanco AIG ficou nos calcanhares da vice-líder, com 9,08%.
• JUDICIÁRIO
O golpe da caneta A American Airlines quer
abrir a caixa-preta de uma decisão que lhe subtraiu 22 milhões de
reais de uma hora para outra. Na causa, movida por duas antigas representantes
comerciais da Bahia, a empresa foi condenada a pagar 4 milhões de reais
e recorreu. Tudo caminhava normalmente até que, no ano passado, na véspera
do recesso do Judiciário, o juiz Ary Nonato de Pinho, que era o plantonista
no tribunal naquele dia, decidiu sobre o processo de mais de 1 000 páginas
com uma canetada. Logo depois, outro juiz, Claudio Oliveira, autorizou o saque
das contas da empresa antes mesmo de esgotado o prazo de recurso. O ocorrido virou
queixa da American no Conselho Nacional de Justiça. É daqueles casos
em que a decisão judicial merece investigação minuciosa,
igual à que se faz em acidentes aéreos.
Gosto de sangue na boca Fabio
Motta/AE
 | | Roseana:
problemas no PFL e no Maranhão |
Vai
esquentar a briga entre Roseana Sarney e a cúpula do PFL, que pretende
expulsá-la do partido por causa de seu apoio a Lula. Jorge Bornhausen quer
que a reunião do partido que discutirá a exclusão da senadora
tenha gosto de sangue. Será um evento político para "ajudar a derrotá-la"
na eleição para governador do Maranhão, segundo um dos integrantes
da cúpula pefelista. Neste momento, tudo de que Roseana não precisa
é confusão: tem uma eleição dificílima pela
frente. A propósito, ela contratou o advogado Antônio Carlos de Almeida
Castro, o Kakay, para defendê-la neste caso. | |
Colaboraram Daniela
Pinheiro, Otávio Cabral e Ronaldo França |