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Edição 1978 . 18 de outubro de 2006

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Roberto Pompeu de Toledo
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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• TCU

A farra da burocracia
A ineficiência e a má gestão da burocracia pública brasileira não têm limites. Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) julgou um caso exemplar – e quase inacreditável. Ei-lo: a Receita Federal concedeu, a título de ajuda de custo, 8.500 reais ao servidor Edson Pedrosa, transferido de Brasília para o Rio de Janeiro. O dinheiro serviria para sua mudança, da mulher e dos filhos. Como surgiu a suspeita de que a família do funcionário já morava no Rio, foi instalada uma comissão para investigar o fato. Bem, para uma verificação mais do que simples, a tal comissão demorou dois anos para concluir os trabalhos. E consumiu 350.000 reais. Ou seja, 41 vezes mais do que o gasto irregular inicial.

 

O inferno astral do senador

José Patricio/AE
Mercadante: o primeiro alvo da oposição, se Lula ganhar

Além de precisar prestar depoimento à Polícia Federal para esclarecer seu envolvimento no escândalo do dossiê, Aloizio Mercadante terá problemas no Senado após as eleições. A oposição já se articula para abrir um processo contra ele no Conselho de Ética, a fim de apurar sua ação na compra do dossiê e de investigar se Hamilton Lacerda, coordenador de sua campanha e homem da mala do escândalo, era funcionário-fantasma de seu gabinete. Lacerda era contratado por Mercadante como assessor, mas trabalhava em seu comitê de campanha, não no Senado. Só foi exonerado depois da crise. Caso Lula seja reeleito, PSDB e PFL querem utilizar o processo contra Mercadante como a primeira cartada para infernizar o governo. Se o vencedor for Geraldo Alckmin, a ação pode não sair do papel, pois tucanos e pefelistas procurarão iniciar o mandato sem grandes turbulências no Congresso. Ironia do destino: o melhor para a sobrevivência política de Mercadante é a derrota de Lula...

 

• ELEIÇÃO 2006

A "inteligência petista" ataca
O PT botou sua turma da pesada para investigar Edmilson Bruno, o delegado da Polícia Federal que divulgou as fotos da dinheirama suja do dossiê para a imprensa.  

Dirceu e Lula
José Dirceu continua em assembléia permanente com Lula. Ou seja, eles têm se falado muito nesta campanha. Mas sem holofotes. Dirceu sabe que a exposição desse relacionamento atrapalharia a campanha pela reeleição.  

Saiam da frente
E foi também nos bastidores que José Dirceu atuou na eleição do dia 1º. No Rio de Janeiro, por exemplo, ele botou a máquina petista (que não é grande no estado, mas existe) para ajudar, veja só, a eleição de Francisco Dornelles, do PP, ao Senado. Por quê? Sobretudo porque não queria que Jandira Feghali, do PCdoB, vencesse a disputa. Para Dirceu, se Jandira tivesse êxito se transformaria na principal figura da esquerda no Rio de Janeiro – o que atrapalharia o PT.

Estratégia de debate
Os golpes em Lula durante o debate da Bandeirantes foram ensaiados por Geraldo Alckmin para ser usados no debate da Rede Globo, no primeiro turno. Luiz Gonzales, o marqueteiro do tucano, mudou a estratégia na última hora, quando foi avisado pela Globo que Lula cancelara sua participação. Alckmin foi até gentil com a cadeira vazia de Lula.  

O preferido do mercado
Para o mercado financeiro, o debate da Bandeirantes foi vencido por Geraldo Alckmin, de modo inconteste. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Arko Advice nos dois dias que se seguiram ao debate, 89% dos ouvidos disseram que Alckmin se saiu melhor. A pesquisa foi feita com 167 executivos do mercado financeiro.  

Está parado
De um assessor do presidente Lula, na quarta-feira passada: "Está tudo parado, ninguém trabalha, nada acontece neste Palácio. Só se pensa em eleição".  

 

• ECONOMIA

Papai Noel magro
Com base nas encomendas já feitas pelo comércio, os fabricantes de eletroeletrônicos calculam que este Natal será no máximo como o do ano passado, que não foi grande coisa.  

Bradesco na frente
A Bradesco Seguros continua a abrir distância da SulAmérica no ranking nacional do setor. De acordo com um levantamento do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo, de janeiro a agosto a Bradesco Seguros atingiu uma participação de mercado de 13,96%. A SulAmérica alcançou 9,33%, e a Unibanco AIG ficou nos calcanhares da vice-líder, com 9,08%.

 

• JUDICIÁRIO

O golpe da caneta
A American Airlines quer abrir a caixa-preta de uma decisão que lhe subtraiu 22 milhões de reais de uma hora para outra. Na causa, movida por duas antigas representantes comerciais da Bahia, a empresa foi condenada a pagar 4 milhões de reais e recorreu. Tudo caminhava normalmente até que, no ano passado, na véspera do recesso do Judiciário, o juiz Ary Nonato de Pinho, que era o plantonista no tribunal naquele dia, decidiu sobre o processo de mais de 1 000 páginas com uma canetada. Logo depois, outro juiz, Claudio Oliveira, autorizou o saque das contas da empresa antes mesmo de esgotado o prazo de recurso. O ocorrido virou queixa da American no Conselho Nacional de Justiça. É daqueles casos em que a decisão judicial merece investigação minuciosa, igual à que se faz em acidentes aéreos.

 

Gosto de sangue na boca

Fabio Motta/AE
Roseana: problemas no PFL e no Maranhão

Vai esquentar a briga entre Roseana Sarney e a cúpula do PFL, que pretende expulsá-la do partido por causa de seu apoio a Lula. Jorge Bornhausen quer que a reunião do partido que discutirá a exclusão da senadora tenha gosto de sangue. Será um evento político para "ajudar a derrotá-la" na eleição para governador do Maranhão, segundo um dos integrantes da cúpula pefelista. Neste momento, tudo de que Roseana não precisa é confusão: tem uma eleição dificílima pela frente. A propósito, ela contratou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para defendê-la neste caso.

 

Colaboraram Daniela Pinheiro, Otávio Cabral e Ronaldo França

 

 

Foto: Thony Belizaire/AFP

 

 
 
 
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