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Ponto
de vista: Lya Luft
Está em nossas mãos
"Mais do que carisma, quero preparo,
compostura, equilíbrio e classe que não
relaciono a bens materiais,
mas à elite dos
honrados e dos capazes. Uma elite que nada
tem a ver com nome, dinheiro ou cargo, que
superou o retrógrado conceito de que é
culpada pelas desgraças da humanidade"
O destino prega muitas peças,
ata e desata nós, abre e fecha caminhos, inventa encruzilhadas
loucas e finais surpreendentes: a gente vai aos trancos e barrancos
quase todo o tempo. A maior armadilha que ele, destino ou azar,
nos prepara é exigir, aqui e ali, que a gente decida. Analisar
e optar é tormento da maioria. Muito mais fácil que
escolham pela gente, nós assobiando, olhando disfarçadamente
os dados sendo lançados, para depois brindar ou lamentar:
ah, o destino!
Dentro de alguns dias teremos
de escolher aquele que governará nosso país. O que
vai nos apoiar e orientar, o que terá autoridade e força
para nos defender, o que será exemplo para nossos filhos,
estímulo dos empreendedores, esperança dos doentes,
alento dos velhos. Aquele que administrará com firmeza nosso
maior bem concreto, o Brasil, e fará render em nosso favor
o supremo investimento moral que fazemos: a confiança. Por
essa escolha somos responsáveis. Temos essa extraordinária
importância para o Brasil. Responsabilidade incomoda, opção
pode ser um brete ou um mato sem cachorro, mas há que ser
guerreiro para consertar com algo melhor do que com band-aid a honra
machucada e as certezas abaladas.
Ilustração Atômica
Studio
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O povo os pobres, os miseráveis, os remediados e também
os que têm razoável conta bancária vive
sob um dilúvio de desinformações ou informações
distorcidas, sob o massacre de quase cotidianos escândalos
e desculpas desastradas. Mesmo assim... tem de escolher. Enfrentamentos
mostram perfis diversos, da calma firmeza ao disparatado deboche,
da determinação às mais pueris desculpas. Mas
teremos, inevitavelmente, de decidir, e não é em questão
menor: trata-se do líder deste país. Fala-se muito
em carisma: a palavra, além de vaga, foi esvaziada pelo seu
uso excessivo e confuso. Pode ser uma aura de força e sabedoria,
justiça e retidão, até fraqueza ou alguma loucura
humana, que as temos às pencas, expostas em público.
Buscar criaturas carismáticas
é um perigo: alguns dos assim chamados na história
do mundo não foram lúcidos nem honrados; alguns esconderam
sob aparência e pretextos sua falta de coragem. Muitos provocaram
caos e sofrimento. Eu, mais do que carisma, quero preparo, compostura,
autoridade equilibrada e... classe outra palavra que anda
rara e rala. Não a relaciono com bens materiais, mas com
a elite dos honrados e dos capazes. Gosto de pensar que existe uma
elite que nada tem a ver com nome, dinheiro ou cargo, mas que superou
o retrógrado conceito de que "as elites" são culpadas
pelas desgraças da humanidade.
A idéia de que só
pobres e explorados são boa gente é de chorar de tão
tola. É perigosa, é manipuladora. Gera ódios,
provoca injustiças, rasga abismos. É uma desgraça
a mais a nos rondar nesta fase de desgraceira e enganação.
Precisamos escolher, e pior: decidir amparados em coisas além
de partido e ideologia, embora eles devam contar. Quase todos se
fundiram e nos confundiram, descaracterizaram-se e nos largaram
à beira do caminho, mãos abanando aflitas. Precisamos,
então, escolher da maneira mais autônoma, mais pessoal:
são poucas as luzes que nos iluminam, a política substituída
por jogos de interesse, em trilhas de fuga e ocultação.
Estamos sozinhos, estamos nus, precisados de recorrer ao nosso bom
senso, nossa capacidade de olhar, observar, procurar saber e....
ainda uma vez, escolher.
Temos toda a possibilidade de
fazer uma boa seleção: neste nosso mundo moderno,
dados negativos explodem com malcheirosa lama na televisão
mais moderna da mais sofisticada mansão e no mais humilde
radinho de pilha da mais simples cabana. Eu não sabia, não
fui informado, vai ser uma desastrada desculpa para falhar em tão
séria opção, caso ela não seja firme
e inteligente.
A importância do que vamos
fazer é de assustar, mas, se não formos pusilânimes
ou manipulados, teremos a consciência tranqüila, e o
país encaminhado para mais independência, dignidade
e crescimento real. Está em nossas mãos o futuro.
Cada um de nós, no pequeno recinto da urna eletrônica,
vai exercer o seu poder como um rei, determinando o seu destino.
É uma dura carga, mas pode ser extraordinariamente estimulante,
animadora, salvadora. Temos vez, e voz: que seja a nossa vez.
Lya Luft é escritora
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