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Carta ao leitor
Sem medo de cortar
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Leão da Receita: imposto não é riqueza |
Tem
faltado ao debate eleitoral na reta final da campanha a noção básica
de que, se podem imprimir moeda e recolher impostos, os governos não produzem
riqueza. Cada centavo que os governantes ganham o direito de gastar quando se
elegem é produzido pelos brasileiros que suam a camisa no trabalho. Infelizmente
os dois candidatos à Presidência da República demonstram,
cada um a sua maneira, uma miopia grave a esse respeito. Lula encara o governo
como o administrador de uma caixa-forte permanentemente abarrotada e acredita
que ele será tanto mais bem julgado pela história quanto mais eqüitativamente
distribuir o dinheiro existente. O tucano Geraldo Alckmin passa a impressão
de que basta gerenciar bem cada um dos ministérios para que o país
deslize suavemente rumo a um futuro melhor. O dinheiro para isso não vai
faltar.
Por minimizarem a questão basal
de que a riqueza de um país é produzida pela iniciativa privada,
pelas empresas, por seus funcionários, administradores, clientes e fornecedores,
os dois candidatos erram em seus diagnósticos e soluções
para o Brasil. Como para ambos o dinheiro no caixa do governo parece ser um fato
da vida tão garantido quanto o nascer e o pôr-do-sol, eles não
querem nem ouvir falar em como tirar do caminho o maior entrave ao progresso e
ao bem-estar da maioria dos brasileiros, a gastança pública. Em
entrevistas durante a semana, Lula disse com todas as letras que não vai
cortar gastos. Alckmin desautorizou o guru econômico de sua campanha quando
ele afirmou que um eventual governo tucano em Brasília cortaria 60 bilhões
de reais dos gastos em quatro anos. Uma reportagem
desta edição de VEJA mostra que aos candidatos não falta
apenas a noção de urgência quanto a essa questão. Falta
a ambos também a convicção, plenamente assentada nas análises
dos melhores economistas, de que os gastos governamentais fora de controle estão
na origem de todos os males da economia brasileira. Eles são a causa da
tributação paralisante e da ineficiência, da ilegalidade
também chamada de informalidade e da baixa produtividade, da incapacidade
de competir globalmente, dos baixos salários e da dificuldade de inovar
e empreender. É hora de cortar gastos e anunciar isso com orgulho. |