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DVD

Coleção Clint Eastwood (Warner) – E pensar que ninguém dava nada por aquele caubói do velho seriado de televisão Rawhide que, nos anos 60, foi tentar a sorte nos faroestes-espaguete de Sergio Leone. Com quatro décadas de uma sólida carreira como ator e diretor, Clint Eastwood é, hoje, o grande ícone vivo do cinema americano. Um panorama curioso de sua evolução pode ser encontrado nesta coleção de cinco filmes. Já que o astro passou à história primeiramente na pele de um tipo durão e de poucas palavras, faz sentido assistir aos títulos na ordem cronológica e observar como ele foi sutilmente demolindo esse personagem ao longo dos anos. O primeiro filme, Perseguidor Implacável, de 1971, é o único do pacote dirigido por Don Siegel, e não pelo próprio Eastwood. No papel do irascível detetive Harry Callahan, "O Sujo", o ator promove uma caça aos malfeitores de San Francisco munido de um olhar gélido e de uma Magnum 44. Já na fita mais recente, As Pontes de Madison, de 1995, Eastwood é um fotógrafo que rodou o mundo, mas não consegue pensar em emoção mais forte do que estar nos braços de Meryl Streep (aliás, na melhor atuação de sua carreira). As outras etapas dessa transformação estão mapeadas em Josey Wales – O Fora-da-Lei, Bronco Billy e Os Imperdoáveis, o faroeste amargo que é a obra maior de Eastwood.

 

DISCO

Voodoo, D'Angelo (EMI Music) – O cantor americano D'Angelo é um talento incomum na música negra atual. Num cenário repleto de rappers desbocados, ele se diferencia graças à voz doce e aveludada, derramada ao pé do ouvido. Atração do Free Jazz – que tem lugar nesta semana no Rio e em São Paulo –, o artista tem sólida formação musical. Aos 3 anos, já freqüentava aulas de canto e piano. Sua adolescência foi embalada por discos de Marvin Gaye e Stevie Wonder, entre outros ícones da soul music. Essas influências são nítidas em Voodoo, seu segundo álbum. D'Angelo reuniu sua banda e sugeriu que os músicos improvisassem alguns temas. O CD se compõe dos melhores trechos surgidos daí – aos quais ele adicionou vocais que oscilam do rhythm & blues ao rap suave. Há bons momentos para dançar e outros, melhores ainda, para namorar.

 

LIVRO

O Divisor de Nuvens, de Russell Banks (tradução de Celina Cavalcante Falk; Record; 628 páginas; 60 reais) – O capitão John Brown é uma das figuras mais debatidas e enigmáticas da história dos Estados Unidos. À frente de uma milícia, ele saqueou, em 1859, um arsenal federal. Pretendia usar as armas roubadas para patrocinar um levante de escravos, mas foi preso e enforcado. Abolicionistas viram nele um mártir. Outros, somente um louco. Todos concordam que ele foi um catalisador da guerra civil americana, que eclodiria logo depois. Russell Banks é um escritor de talento. Conduz esta ficção histórica sobre Brown com mão segura. Traz à vida personagens do passado e alterna belas descrições da natureza com passagens eletrizantes. Mais ainda. Ao eleger um dos filhos do capitão como narrador, aborda um tema atemporal: o que significa viver sob o jugo de um homem severo e moralmente obcecado.

 

VÍDEO

Happy, Texas (Estados Unidos, 1999. Paris) – O "peixe fora d'água" é um tema batido, mas poucas vezes foi tratado com tanta graça como nesta comédia. Harry e Wayne são dois presidiários foragidos que roubam um trailer e vão parar na sonolenta cidadezinha de Happy, ou "Feliz". Lá, descobrem que o trailer pertencia a um casal gay cuja especialidade é preparar meninas para aqueles horrendos concursos mirins de beleza. A dupla tem de se entender com mulheres carentes, um xerife apaixonado e, claro, os ensaios para a festa da Miss Suquinho de Laranja. Os produtores acertaram no tom, que nada tem de vulgar, e na escolha do elenco, todo ele ótimo.

 

TELEVISÃO

Blue Note: uma História do Jazz Moderno (segunda e terça, às 20h30, no GNT) – É impossível falar em jazz sem esbarrar no nome Blue Note. Surgida em Nova York no final dos anos 30, a gravadora logo virou sinônimo de qualidade – tudo ali era bem-cuidado, dos detalhes de estúdio às capas dos discos. Como oferecia, além disso, ampla liberdade para os artistas, a Blue Note não demorou a atrair os maiorais do gênero. Sob tais condições, feras como Herbie Hancock, Miles Davis e Thelonious Monk realizaram alguns de seus melhores álbuns. De lá para cá, a gravadora passou por altos e baixos, mas continua sendo uma referência. Neste especial, sua história – que se confunde com a do jazz – é revista em depoimentos, cenas de época e, sobretudo, música de primeira.

 

Os mais vendidos – Crítica

Não é só pelo caráter simplório e por não exigir nada do leitor – limitações comuns nos romances de entretenimento – que O Céu Está Caindo (tradução de Alda Porto; Record; 347 páginas; 28 reais) é ruim. O problema com o livro mais recente de Sidney Sheldon, que ocupa o primeiro lugar na lista de mais vendidos de VEJA, é que ele não consegue satisfazer nem as expectativas dos fãs de carteirinha do autor. Muitos torceram o nariz. "Parece que ele usou o recurso recortar/colar do computador para montar os diálogos", brada um leitor do Estado americano do Tennessee, no site Amazon.com. "Não acredito que Sheldon tenha escrito isso. É uma decepção total!", protesta outro, de Iowa. E não custa nada lembrar: quem diz isso é gente que tem Sheldon em altíssima conta.

Enio Berwanger
Sidney Sheldon: reclamações dos fãs


A trama de O Céu Está Caindo é típica do autor: intrigada com as mortes repentinas numa família rica de Washington, uma bela repórter de TV corre atrás de pistas pelo mundo, derrota uma gangue de insidiosos assassinos e se sai bem no final. Para rechear esse enredo, Sheldon usou da sutileza de um zagueiro de futebol de várzea. Criou trechos que só atrapalham o andamento da história. Sendo mais direto: pura encheção de lingüiça. Isso sem falar nas frases elaboradíssimas, como "Olhando o boletim, Dana pensava: ai, meu Deus, que vou fazer?" Ou, ainda: "Oh, não! Ele era tão maravilhoso!" Assim fica ainda mais difícil entender a vendagem de 275 milhões de livros que Sheldon já alcançou. Se o caso é ler best-seller de ficção, não hesite: escolha o segundo da lista.

Flávio Moura

 

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