Lauro
Jardim
FUTEBOL
Na marca do pênalti
Já dá para montar um ranking em cima das investigações
que o BC vem fazendo sobre a venda de jogadores de futebol para
o exterior. Depois de analisadas 150 transações,
no valor de 42 milhões de dólares, o Vasco é,
de longe, o mais encrencado, seguido de perto pelo Atlético
Paranaense. Na lista da bandalheira entram até timecos
como o carioca Campo Grande. Dos grandes clubes, apenas o Cruzeiro
e o Fluminense estão limpos.
GENTE
A
volta, aos poucos
Eduardo Jorge está saindo da toca. Em menos de uma semana,
compareceu a dois casamentos um deles da filha do ministro
Francisco Dornelles. Não é só: já
faz planos de retornar ao trabalho em alguns meses.
GOVERNO
Ainda
falta voto
José Sarney até gostaria de ser o próximo
presidente do Congresso, mas as contas, por enquanto, não
fecham para ele.
Amigo americano
O secretário de Defesa dos EUA, William Cohen, desembarca
em Manaus no fim do mês para participar de uma reunião
de ministros da Defesa do continente. Até aí, nada
de mais. Só que ele resolveu dar uma passadinha também
em Brasília para uma conversa com FHC. Vai insistir na
prioridade americana de combate ao tráfico de drogas e
aos guerrilheiros colombianos. E vai ouvir de FHC que o Brasil
não se envolverá diretamente naquele barril de pólvora.
Questão de estilo
A avaliação de assessores diretos de FHC é
que, definitivamente, o boné da Polícia Federal
não se ajustou direito na cabeça do ministro da
Justiça, José Gregori.
Um é bom, dois é
demais
Ferve nos bastidores da Câmara dos Deputados a pressão
dos empreiteiros para que não saia o desmembramento da
futura Agência Nacional de Transportes (uma para cuidar
do setor rodoviário e outra para o aquaviário).
Preferem uma agência a duas por um motivo prosaico: é
mais prático fazer lobby num órgão só.
Raciocínio fisiológico
Tem gente no PFL inquieta com o volume de recursos que o Ministério
da Saúde terá à disposição
para a área de saneamento. O ministro José Serra
já joga 300 milhões por ano ali (quando ele assumiu
essa verba era quase inexistente) e deve receber mais 1 bilhão
de reais para isso, vindo do Fundo de Pobreza.
SOCIEDADE
Opção
pela diversidade
A Ford brasileira está fazendo um programa de contratação
de trainees politicamente correto. Vai preencher metade das vagas
com mulheres e pelo menos 20% dos escolhidos serão negros.
Homens e mulheres de ascendência asiática também
terão seu quinhão. É a repetição
do que já acontece na matriz da Ford. E a morte anunciada
da hegemonia do homem branco.
CULTURA
Interesse
federal
O discreto Marco Maciel entrou na briga para levar para o Recife
a filial brasileira do Museu Guggenheim que até agora
tem o Rio de Janeiro como destino mais certo.
ECONOMIA
Negócio
suado
Pode ser batido o martelo da venda da Kaiser para a Heineken,
numa reunião decisiva na quarta-feira. É uma das
últimas tentativas de acordo. A cervejaria brasileira já
decidiu que, se o negócio não sair até a
primeira semana de novembro, ela parte para outra. Se fechar,
deve ser por um valor entre 600 e 700 milhões de dólares,
bem abaixo do 1 bilhão de dólares inicialmente pretendido
pelos donos da Kaiser.
Menos
mau
É
ainda uma vitória tímida contra a bandidagem, mas
merece ser registrada. Nos últimos três meses, graças
a um aperto da Agência Nacional do Petróleo na legislação,
caiu de 72% para 53% o total de combustível retirado da
refinaria de Paulínia a maior do país pelas
distribuidoras sonegadoras.
Setor cobiçado
Duas gigantes americanas do setor de seguros podem desembarcar
no Brasil em breve. A Mass Mutual e a Lincoln estão de
olho grande sobre o naco de 33% que a Caixa Econômica Federal
vai vender de sua seguradora. Já andaram conversando com
o Goldman Sachs, banco contratado pela CEF para tratar do negócio.
INTERNET
À
moda antiga
Muita água ainda vai rolar debaixo da ponte antes que o
brasileiro caia na festa do comércio eletrônico.
Numa pesquisa recém-concluída, o Ibope constatou
que apenas 16% dos internautas brasileiros fizeram alguma compra
pela internet nos últimos seis meses. O gosto de examinar
os produtos antes de comprá-los e a falta de confiança
nos métodos de pagamento foram os motivos mais citados
para tanta distância do e-commerce.
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O
beicinho do governador
O humor de Itamar Franco é como um trem desgovernado.
Nunca se sabe onde vai parar, mas se tem certeza de que
fará vítimas. Desta vez, a birra é
com o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro,
seu amigo e aliado. Tudo porque Castro andou dizendo que
temia que no segundo turno a cidade se transformasse num
campo de combate entre Itamar e FHC. Foi o que bastou. O
governador, amuado, mandou avisar que está fora da
campanha e não há santo que o faça
mudar de idéia. Nem a possibilidade de ver um tucano
na prefeitura da capital mineira. João Leite, colega
de partido do arquiinimigo FHC, está subindo nas
pesquisas e ameaça ganhar a corrida pela prefeitura.
Como dizia Tancredo Neves, Itamar guarda seu rancor na geladeira.
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Valorização
a jato
Reprodução/Ag. Estado
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| Espantalho:
o melhor veio depois |
Ao ser arrematado por 900.000
reais no último leilão da Bolsa de Artes do
Rio de Janeiro, o óleo Espantalho, de Cândido
Portinari, virou notícia. Afinal, era um valor recorde
para um quadro de uma fase considerada menor do pintor.
Mas a negociação mais interessante aconteceria
poucos dias depois da noite do leilão. O comprador
do Espantalho recebeu, surpreso, a oferta de um banqueiro
paulista da nova geração: 1 milhão
de reais pelo quadro. Negócio oferecido, negócio
fechado. Isso sim é valorização recorde.
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