Tudo
tem jeito
E não é que Michael Douglas pode
ser um ator razoável?
Isabela
Boscov
Paramount Pictures
 |
| Douglas:
agora sob boa direção |
Um bom diretor é entre outras coisas aquele
que sabe tirar bom proveito das limitações de seus
atores. Em Garotos Incríveis (Wonder Boys,
Estados Unidos, 2000), que estréia nesta sexta-feira no país,
Curtis Hanson realiza esse feito com intérpretes tão
diversos como o histriônico Robert Downey Jr. e Tobey Maguire,
aquele rapaz com olhar de badejo de Regras da Vida. O caso
mais notável, contudo, é o de Michael Douglas. Seu
habitual ar de angústia cai como uma luva no professor de
literatura Grady Tripp, cuja vida anda uma bagunça. A mulher
o abandonou, a amante está grávida, um aluno problemático
não larga do seu pé. Tripp sofre ainda de um "bloqueio
de autor" peculiar: escreve páginas a fio, mas sem o menor
critério. Hanson, de certa forma, também era assim.
Passou anos dirigindo coisas imemoráveis, como Rio Selvagem,
até que resolveu assumir os riscos de sua ambição.
Fez Los Angeles Cidade Proibida e não tem do
que se arrepender. Por isso, "torce" para que seu protagonista tome
uma decisão corajosa. Garotos Incríveis está
longe de ser um filme perfeito, mas tem essa virtude rara
a de acreditar que a vida tem jeito.
|