A
esquisita que veio do frio
Uma trilha sonora que tem a marca da
cantora islandesa Björk
Sérgio
Martins
Divulgação
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| A
mudança de visual é constante: ela tanto pode aparecer com uma
simples tatuagem viking como vestida de gueixa pós-pós-moderna |
O sucesso da cantora islandesa Björk sempre ficou restrito
ao público alternativo. Parecida com o Pikachu aquele
bicho engraçadinho do desenho Pokémon ,
ela foi eleita musa dos modernos por causa de suas experiências
com a música eletrônica. Mas Björk agora está
chamando a atenção de platéias mais diversificadas,
graças à atuação no filme Dancer
in the Dark, a mais recente produção do cineasta
dinamarquês Lars von Trier. Pela sua interpretação
de Selma, uma imigrante checa que vive nos Estados Unidos de meados
do século XX, a cantora recebeu em maio o prêmio de
melhor atriz no Festival de Cannes. Os críticos
são unânimes em apontar o desempenho de Björk
como o ponto alto do filme. A trilha sonora já está
à disposição nas principais lojas brasileiras.
Que ninguém se engane. As canções de SelmaSongs
obedecem ao estilo esquisitão de Björk: são
uma mistura de ruídos eletrônicos e ritmos inspirados
nos musicais dos anos 50. Mas é uma extravagância que
dá certo.
Assim como sua música, a personalidade de Björk não
é das mais ortodoxas. Ela costuma reservar apenas uma hora
de seu tempo para a imprensa dos países que visita, e ai
daquele que desrespeitar suas ordens. Há quatro anos, ela
socou um jornalista de Bangcoc com a fúria de um Mike Tyson.
A ranhetice desaparece quando a moça cai na boêmia.
Durante uma turnê pelo Brasil, ela se perdeu em Santa Teresa,
bairro ripongo do Rio de Janeiro. Terminou a noite bêbada
e cantando Travessia, de Milton Nascimento (ninguém
é perfeito), com um grupo de artistas do bairro. Björk
justifica esse comportamento como herança de seu país
natal. "Nós, islandeses, somos um povo esquisito. Ao mesmo
tempo em que temos computadores, nos recusamos a tirar uma pedra
da estrada para não machucar os gnomos que moram debaixo
dela."
Björk também teve sérios atritos no decorrer
das filmagens de Dancer in the Dark. Ela rasgou e comeu o
próprio vestido durante uma discussão com Lars von
Trier. Deve ter sido um petisco difícil de digerir. Se existe
um ponto em que Björk se supera é o figurino. Na noite
da premiação em Cannes, ela surgiu ao lado da elegantérrima
Catherine Deneuve trajando uma espécie de balão cor-de-rosa,
com sapatos azuis. Apesar do novo público que o sucesso no
cinema lhe trouxe, Björk jura que nunca mais vai atuar. "Gostaria
de me interessar mais por cinema, mas seria como convencer um muçulmano
a apoiar o catolicismo", justifica. "Meu negócio é
música."
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