Só faltava
essa
A
Igreja Universal vê o diabo em desenhos
animados
mas não nos da Record, é claro
Marcelo
Camacho
Especialista
em criar polêmicas, a Igreja Universal do Reino de Deus acaba
de voltar sua artilharia para os desenhos animados, especialmente
aqueles produzidos pelos estúdios Disney. Na última
edição de seu jornal semanal, o Folha Universal,
que é distribuído gratuitamente nos templos, foi publicada
uma reportagem que analisa a "influência maligna" dos desenhos
sobre as crianças. Baseado num site evangélico da
internet, o artigo enumera produções que trariam "mensagens
satânicas disfarçadas de algo bom". É enorme
o festival de asneiras escritas em mau português. Para a igreja
do bispo Edir Macedo, o significado da palavra Pocahontas é
"espírito invocado do abismo". A Universal acha suspeito
que o gato da personagem Cinderela tenha o nome de Lúcifer.
Demonstra ignorância ao falar do filme Hércules,
pois confunde Hades, um personagem da mitologia grega, com o diabo
da religião cristã. Nem O Rei Leão e
Mogli, o Menino Lobo escapam. Seria "coisa do capeta" a frase
da serpente Casca, que olha Mogli nos olhos e diz que o levará
para o abismo. Embora a Disney seja a principal atingida, outros
desenhos também entraram na mira como a popular sie
Caverna do Dragão.
Abril Vídeo
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Abril Vídeo
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| Mogli:
nem o menino-lobo escapou do bispo |
Rei
Leão: pregação furada contra o filme |
No
curso de seus ataques, a igreja de Edir Macedo deixa entrever motivos
que não são religiosos. É curioso notar, por
exemplo, que desenhos violentos e cheios de monstrengos, como Pokémon,
não são citados pela Folha Universal. Uma
olhada na grade de programação das redes de TV é
esclarecedora. No Brasil, os direitos de transmissão dos
desenhos da Disney pertencem ao SBT. Caverna do Dragão
é exibido pela Globo no programa Xuxa Park. Enquanto
isso, Pokémon é um dos carros-chefes da programação
infantil da Record, que é de propriedade da Igreja Universal.
De segunda a sexta, as três emissoras disputam ponto a ponto
a audiência das manhãs. A Globo não se abala
com os ataques. "Temos por princípio rejeitar qualquer forma
de censura, incluindo as de origem pretensamente religiosa", diz
Luís Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.
O SBT e a Disney conhecida mundialmente por promover valores,
como o da família decidiram não se manifestar.
Demonstrações
de intolerância religiosa contra programas infantis não
são nenhuma novidade. Nos Estados Unidos, é um fato
relativamente comum. No ano passado, o reverendo Jerry Falwell,
um conhecido pregador televisivo, resolveu implicar com a série
Teletubbies, já exibida no Brasil. Investiu contra
o personagem Tinky Winky, que, segundo ele, fazia apologia do homossexualismo.
Isso porque Winky, apesar de ser menino, carrega uma bolsinha. Os
grupos gays não se fizeram de rogados: adotaram o personagem
como símbolo de sua luta contra o preconceito.
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