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Madames, cheguei

O americano Tom Ford apresenta sua
primeira
coleção na francesíssima
Yves Saint Laurent


Stevens William
Saint Laurent e Ford: pega entre o sublime e o comercial


Foi como se Madonna, a mãe de tudo o que é moderno, resolvesse meter o bedelho no secular protocolo do Palácio de Buckingham. Na sexta-feira passada, no Museu Rodin, em Paris, Tom Ford, o americano que nos últimos anos assinou quase tudo o que há de fashion e estiloso na moda, exibiu sua primeira coleção para a grife Yves Saint Laurent, uma das mais tradicionais e cultuadas marcas da moda francesa. No desfile mais aguardado da semana da moda primavera-verão parisiense, Ford pôs na passarela uma coleção deliberadamente contida: roupas com sensualidade, como ele gosta, misturadas com a elegância atemporal que é marca registrada da YSL. Teve tailleur de couro, vestidinhos cobertos de plumas, um top irreverente com umbigo e bico dos seios esculpidos e até a reinvenção, com um ombro só, do saint-laurentíssimo smoking feminino. Tudo em preto e branco, para ressaltar as formas e reverenciar o mestre colocado para escanteio.

Ford, texano de 39 anos, já provou que não brinca em serviço. Junto com o empresário Domenico De Sole, tirou a italiana Gucci do fundo do buraco e a transformou em uma das marcas mais badaladas do planeta, grande a ponto de, no ano passado, engolir a própria Yves Saint Laurent (só na linha prêt-à-porter; a alta-costura continua a cargo do doente, temperamental e sublime Yves, que há muito tempo só tem o nome, mas não o controle da marca). Considerado muito comercial pelos puristas, Ford chega com a tarefa de dar um choque de capitalismo na veneranda YSL. Há planos de abrir nada menos que sessenta novas lojas. Duro vai ser fazer com que os dois estilistas reconstruam a relação. Ford cobre de elogios seu genial antecessor, mas Saint Laurent acusa-o de, horror dos horrores, ter criticado o corte de seus famosos blazers. Vingativo, Saint Laurent chamou a velha amiga e ex-modelo Loulou de la Falaise e com ela montou uma butique simplesinha – blusas, malhas, lenços – a poucos passos da recém-reformada butique YSL de Paris. "Foi por maldade mesmo. É a pulga nas costas do elefante. Por que não? Fica mais divertido", provocou Loulou. C'est la guerre.

 
Fotos Reuters/Jean Christophe Kahn
an Christophe Kahn
Christophe Kahn
O smoking revisitado, tailleur de couro e top modernoso: mistura leve no desfile mais esperado

 

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