Meia-volta
Recall
do Corsa envolve 1
milhão
de consumidores
Ricardo Rollo
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Adriana Zehbrauskas
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| O
Corsa e o reforço da presilha do cinto: o maior recall
já feito no Brasil |
A
General Motors inicia nesta semana o maior recall já feito
por uma fábrica de automóveis no país. Cerca
de 1 milhão de modelos da linha Corsa Hatch, Sedan,
Pick-up e Wagon fabricados entre 1994 e 1999 terão
de voltar às concessionárias. O recall atinge também
cerca de 4.000 importados do modelo Tigra.
As empresas autorizadas instalarão um reforço na peça
que prende os cintos de segurança dos bancos dianteiros,
perto da alavanca do freio de mão. O conserto é simples,
gratuito e feito em menos de meia hora, mas é fundamental
para a segurança de quem viaja nos bancos da frente desses
carros. A GM do Brasil descobriu que o uso constante do cinto pode
gerar fadiga na peça que o prende à carroceria. Com
o sistema desgastado, um impacto mais forte poderia soltar a fixação
do cinto e comprometer sua eficiência.
O
tempo que a peça leva para se desgastar a esse ponto depende
do uso que cada proprietário faz do carro. Automóveis
usados em terrenos irregulares apresentam o problema mais rapidamente
que os utilizados apenas em boas estradas, por exemplo. Nos veículos
equipados com bancos de altura regulável, a modificação
só será necessária no cinto do assento dianteiro
direito, do passageiro. Há pequena diferença entre
as modificações que serão feitas em modelos
fabricados até 1995 e nos que foram produzidos depois.
A
fábrica emitiu uma nota oficial na semana passada marcando
para esta segunda-feira a divulgação de detalhes sobre
o atendimento dos proprietários de Corsa na rede de concessionárias.
A previsão é de que o serviço comece a ser
feito já na quarta-feira. A GM deve esclarecer, então,
como foi constatado o problema e desde quando ela prepara o recall.
De acordo com alguns revendedores, a linha 2000 do Corsa já
saiu de fábrica com outro sistema de fixação
do cinto de segurança. O Código de Defesa do Consumidor
determina a comunicação a autoridades e consumidores
de defeitos que coloquem em risco a segurança dos usuários
tão logo o problema seja detectado.
Nos
últimos dezoito meses, as fábricas de carro brasileiras
anunciaram quinze recalls. Como não há nada que indique
que as montadoras brasileiras estejam piorando seus controles de
qualidade pelo contrário, estão cada vez mais
modernas , esse é um sinal de amadurecimento do setor
automobilístico. Há alguns anos, era muito raro que
uma montadora admitisse publicamente defeitos em massa em seus produtos.
A própria GM fez circular entre seus concessionários,
em 1991, um comunicado informando sobre a necessidade de corrigir
os sistemas de travamento dos cintos de segurança de veículos
das linhas Kadett, Monza, Opala e Chevette. Não houve recall,
mas quem se queixasse do defeito a uma empresa autorizada era atendido
sem cobrança pelo conserto.
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