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O fim da suspeita

Estudos científicos demonstram que o
Viagra não é responsável
pela morte
de pacientes cardíacos

 
Alvaro Leme

Na alcova: o que mata os cardiopatas é o entusiasmo exagerado na hora H

Pouco depois de o Viagra chegar às farmácias, em 1998, espalhou-se a notícia de que o medicamento poderia levar o usuário a ter uma parada cardíaca, caso ele apresentasse um histórico de problemas no coração. Essa conclusão foi tirada após a morte, nos Estados Unidos, de seis cardiopatas que haviam aderido à pílula azul contra a impotência. Passados dois anos do lançamento do remédio, estudos científicos mostram que o Viagra, por si só, não causa nem agrava problemas cardíacos. Na verdade, o perigo reside no esforço físico exagerado durante uma relação. Vale lembrar que a maioria dos usuários do medicamento quase não tinha vida sexual até que começasse a tomá-lo. A partir do primeiro comprimido, porém, tudo virou uma festa, de acordo com os relatos dos neo-atletas da cama. E aí não há coração debilitado que resista.

Das pesquisas que absolvem o Viagra, a mais recente é da Universidade de Southampton, na Inglaterra, realizada com 5 391 pacientes de 18 a 89 anos, com diferentes quadros clínicos. Divulgada na semana passada, ela aponta que o índice de paradas cardíacas entre homens que utilizam ou não o remédio é o mesmo. Apesar de ter sido patrocinada pelo laboratório Pfizer, fabricante do medicamento, a pesquisa pode ser considerada independente. A legislação da Grã-Bretanha exige a realização de estudos de acompanhamento de novas drogas após seu lançamento comercial. O fabricante é obrigado a financiar o trabalho, mas é um comitê do governo responsável pela fiscalização de medicamentos que escolhe a instituição para realizá-lo. Em junho deste ano, outra pesquisa, publicada na revista científica americana The New England Journal of Medicine, não detectou efeitos adversos em pacientes com problemas cardíacos que utilizam o Viagra. O remédio, alertam os especialistas, só não deve ser tomado por quem se trata com vasodilatadores à base de nitratos. A associação pode ser fatal. Como o Viagra também é um vasodilatador (aliás, foi concebido originalmente contra distúrbios cardiovasculares), a combinação provoca um alargamento extremo das artérias, o que diminui drasticamente a pressão sanguínea. A hipotensão pode levar a um infarto. Embora as pesquisas atestem a relativa segurança do Viagra e o Ministério da Saúde tenha liberado a sua venda sem receita, ele não pode ser consumido de maneira indiscriminada. O paciente deve fazer uma avaliação física antes de recorrer ao remédio e, ponto importante, não descuidar do monitoramento médico.

Dentro e fora da alcova, o Viagra é um sucesso nos 100 países em que é comercializado. No primeiro semestre deste ano, ele rendeu 632 milhões de dólares ao seu fabricante. Até o final de 2000, essa cifra deverá superar 1 bilhão. O Brasil ocupa o quinto lugar entre os maiores consumidores, atrás dos Estados Unidos, Japão, Alemanha e Inglaterra. Mas o reinado absoluto da pílula azul está ameaçado. Uma série de concorrentes deve chegar ao mercado até o início de 2002. Um dos mais fortes é o Vardenafil, da Bayer, cujos testes já estão no final. O Cialis, da Lilly, está previsto para chegar às farmácias no ano que vem. Além desses, o Uprima, da Abbott, já foi aprovado por uma comissão de cientistas e aguarda liberação do FDA, a agência do governo americano que controla alimentos e medicamentos.

 

 

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