Boi de plumas
Já
há 500 fazendeiros criando avestruz no país
Neide
Oliveira
Nélio Rodrigues
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| Ave
em ponto de abate: 110 quilos |
O avestruz está em alta. A Fazenda Chalé da Serra,
no município de Simão Dias, interior de Sergipe, sempre
teve como carro-chefe a criação de gado. Mas, nos
últimos cinco anos, bois e vacas começaram a dividir
espaço com exóticos exemplares de um novo investimento:
a estrutiocultura (é assim que se chama a criação
de avestruzes). Já são 800 animais, cujo preço
varia de 1.500 reais, o filhote, a 8.000
reais, o adulto dezesseis vezes mais que o preço de
uma vaca. Na chiquérrima loja Daslu, em São Paulo,
é possível encontrar sapatos, jaquetas e acessórios
feitos de couro de avestruz, das grifes Gucci, Prada e Armani, a
preços que podem chegar a 1.500
dólares por um par de sapatos. Em Alphaville, o reduto de
classe média alta localizado a 20 quilômetros da capital
paulista, o restaurante Azure Bar serve o prato avestruz à
moda, por 30 reais. E o Brasil, graças às fantasias
de Carnaval, é o maior importador de plumas de avestruz do
mundo.
Se
tudo correr como planejam os 500 criadores que hoje engordam 25
000 avestruzes espalhados por fazendas em todo o país, em
breve os itens derivados da ave serão bem mais acessíveis.
Compridos e desengonçados, os animais são um negócio
de altíssimo rendimento. Uma fêmea começa a
produzir aos 3 anos, e é tratada apenas com capim e ração
à base de soja e milho. Até vinte avestruzes podem
ser criados no espaço de 1 hectare, área ocupada por
um único boi na pecuária extensiva. Além disso,
cada fêmea gera em média quinze filhotes por ano, número
idêntico ao de toda a vida produtiva de uma vaca e
o período de fertilidade de um avestruz é superior
a trinta anos. Nascido de um ovo que pesa aproximadamente 1,5 quilo,
o avestruz atinge o peso de abate, em torno de 110 quilos, no prazo
de doze meses. "Achamos um negócio muito mais rentável
do que a criação de gado", celebra Ariovaldo de Carvalho,
o diretor comercial da Chalé da Serra, que hoje dirige 90%
de seus novos investimentos para a ampliação do plantel.
Fotos Marcelo Guarnieri/Claudio Pinheiro/Rogério
Montenegro
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| Ovo
de avestruz comparado ao de galinha e ao de codorna: dinheiro
na mesma proporção |
Por enquanto, os animais nascidos aqui têm sido usados para
aumentar o rebanho. Quando a marca de 120.000
cabeças for atingida dentro de cinco anos ,
começará a produção em larga escala
de carne e derivados. Os cortes de avestruz ainda são importados
e encontrados em poucos açougues, a 90 reais o quilo. A carne
é vermelha e tem sabor parecido com o da bovina, mas carrega
menos gordura e mais Ômega 3, um ácido graxo que contribui
para controlar o colesterol. "É a carne do futuro", entusiasma-se
o chef de cozinha Aldemir Rodrigues, autor do livro Avestruz
Gourmet, que será lançado no final deste ano.
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