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O agente da gordura

Ganha força a hipótese de que uma das
causas da obesidade pode ser um vírus

Cristina Poles

Atenção, gordinhos. Uma nova teoria científica defende que não são os genes, as barras de chocolate e a vida sedentária os únicos culpados pelo aumento de peso. Um vírus batizado de Ad-36 vem sendo apontado por pesquisadores nos Estados Unidos como uma das causas da obesidade. Há doze anos, quando o cientista indiano Nikhil Dhurandhar, da Wayne State University, em Detroit, começou a analisar o vírus, essa hipótese parecia uma enorme bobagem. Ela voltou a habitar o terreno do possível com a descoberta de que doenças antes atribuídas exclusivamente a disfunções metabólicas, como gastrite e úlcera, podem ser detonadas por agentes patogênicos.

Financiado pelo Instituto Nacional de Saúde, ligado ao governo dos Estados Unidos, e em companhia do médico Richard Atkinson, presidente da Associação Americana de Obesidade, Dhurandhar realizou dois estudos importantes. No primeiro, ele recolheu amostras de sangue de 313 obesos e de 92 pessoas sem problemas com a balança. Um de cada três indivíduos que estavam acima do peso apresentava anticorpos para o Ad-36 (o vírus ainda não foi isolado em seres humanos). Entre os magros, apenas um em cada 23 pacientes tinha esses mesmos anticorpos. No segundo estudo, conduzido com noventa pares de gêmeos idênticos, ele constatou que aqueles com resultado positivo para o anticorpo do Ad-36 tinham mais propensão a engordar. Para explicar por que os infectados tendem a acumular mais gordura, há duas teorias. A mais forte é de que o vírus estimula a produção de células adiposas no organismo (veja quadro abaixo). A outra é de que ele provocaria uma inflamação no hipotálamo, região do cérebro que controla a fome e a sensação de saciedade. Isso estimularia a pessoa a comer mais. O próximo passo da investigação a respeito do vírus da obesidade será um estudo abrangendo 8.000 pares de gêmeos idênticos. Se a tese do cientista indiano se confirmar, será aberta uma nova frente para o tratamento da obesidade, com o desenvolvimento de uma vacina e de medicamentos antivirais. Até que isso ocorra, no entanto, é melhor não deixar de lado as malditas saladinhas.

 

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