Buraco, não,
buracão
Mas
a falha na camada de ozônio
tende a diminuir nos próximos anos
Régis Filho
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| Punta
Arenas: população confinada por causa da radiação
solar |
O buraco
de ozônio que periodicamente aparece sobre a Antártica
está maior do que nunca. Tem 28,5 milhões de quilômetros
quadrados, mais de três vezes o tamanho do território
brasileiro. O alarme soou entre os ambientalistas, mas há
uma boa notícia: dificilmente o fenômeno crescerá
nos próximos anos. Isso porque diminuiu bastante o uso doméstico
e industrial do CFC, um gás que contém cloro, substância
responsável pela destruição do ozônio.
Como o CFC demora pelo menos dez anos para atingir a estratosfera,
o buraco atual ainda é resultado da enorme utdil;ão
que dele se fazia no final da década de 80. A principal conseqüência
do rombo na camada de ozônio que recobre a Terra é
o aumento geral da incidência dos raios solares ultravioleta,
contra os quais ela serve de escudo. Com isso, as pessoas ficam
mais sujeitas a desenvolver câncer de pele e catarata.
O
buraco deste ano transformou mais uma vez em pesadelo a vida dos
120.000 habitantes de Punta Arenas, no
sul do Chile. Depois que os cientistas constataram que a cidade
está sob um dos vértices da falha, eles foram alertados
a não sair de casa quando o sol estiver a pino. Além
disso, sempre que possível, devem usar mangas compridas,
óculos escuros e chapéu. Para se ter uma idéia
de como a radiação anda intensa por lá, os
especialistas afirmam que bastam sete minutos de exposição
à luz solar, sem nenhuma proteção, para que
a pessoa sofra queimaduras. A ocorrência da falha sobre a
Antártica deve-se a uma conjugação de fatores
que potencializam o efeito do CFC nessa região (veja quadro).
A espessura normal do ozônio na atmosfera é de 350
unidades Dobson, medida utilizada para avaliá-la. Pois bem,
essa quantidade baixa para 110 unidades onde o buraco se forma.
Desde
a metade da década de 80, época em que o fenômeno
foi detectado, ele vinha aumentando a uma razão de 10% a
20% ao ano. Sua medida inicial era de cerca de 8 milhões
de quilômetros quadrados. Depois que a maioria dos países
industrializados eliminou o CFC de suas geladeiras, aparelhos de
ar condicionado e das indústrias de plástico e de
tintas, substituindo-o pelo HCFC, a camada de ozônio em todo
o planeta não tem sido tão agredida. A previsão
é de que o buraco se estabilize no tamanho atual e comece
a diminuir dentro de dez anos, no máximo. Os mais otimistas
falam em cinco anos. No entanto, a recuperação da
espessura da camada total de ozônio depende da invenção
de um novo produto que possa substituir o HCFC. Apesar de menos
nocivo que o CFC, ele ainda contém o cloro destruidor. As
pesquisas feitas até agora não encontraram um similar
inofensivo viável do ponto de vista comercial.
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