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Edição 1 769 - 18 de setembro de 2002
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]


RECEITA FEDERAL

Congresso na malha fina
Nos últimos tempos, dezenas de parlamentares mudaram seu domicílio fiscal para Brasília. Até aí, beleza. Só que, no processo de transferência, o Leão abriu os olhos, afiou as garras e levou trinta deles para a malha fina. Tem gente de todos os partidos. Da extrema esquerda à extrema direita.

 

Um campeão de votos?
O nome dele é Enéas!

Ricardo Stuckert
Enéas: o preferido do eleitor paulista


Acredite: se as eleições fossem hoje, o deputado federal mais votado de São Paulo seria o histriônico Enéas, segundo pesquisa do Ibope na semana passada. Ele está disparado na frente de nomes de prestígio infinitamente maior, como José Dirceu e Delfim Netto. Ainda faltam três semanas para o eleitor paulista teclar seu voto na urna, mas o barbudo Enéas pode ser uma espécie de Cacareco versão 2002. Para quem não se lembra, o rinoceronte Cacareco foi consagrado nas eleições para vereador em São Paulo em 1958: mesmo não sendo candidato – é claro – obteve 100 000 votos.

 

ELEIÇÕES

Ele tem a força
É tal o grau de autonomia de Nizan Guanaes na produção dos programas de José Serra que nem o candidato – um conhecido centralizador – sabe o roteiro de cada edição. Dia desses, vendo o programa com assessores, Serra acompanhou sua apresentação com enorme interesse, deixando claro que não tinha o menor conhecimento do que viria a seguir.

Não é para já
A investigação das supostas falcatruas na privatização do sistema Telebrás em 1998 – que tem como figura central o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio – não será concluída antes das eleições. A delegada da Polícia Federal que cuida do assunto pediu à Justiça mais trinta dias para botar um ponto final no processo.

Tema de segunda classe
É muito estranha esta campanha. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta. Tem também a maior floresta. Como se não bastasse, a Rio+10 acabou de acontecer na África do Sul. Mesmo com tudo isso, nenhum dos candidatos a presidente gasta seu precioso tempo discutindo o meio ambiente.

Um carinho na caserna
Não foi à toa que, entre outros afagos, José Serra andou anunciando que se esforçaria para aumentar a produção de equipamentos militares, caso eleito. Dias antes, Serra recebera um recado dos militares de alta patente: seu discurso não estava agradando nem um pouquinho aos quartéis.

Ciro e SS
Ciro Gomes teve um encontro a portas fechadas com Silvio Santos na segunda-feira passada, na sede do SBT. Não se sabe o que foi conversado, mas seja lá o que tenha sido foi rápido. Durou só uns vinte minutos.

Arruda, a volta
Depois de ter sido obrigado a renunciar no ano passado, o ex-senador José Roberto Arruda corre o risco de virar o deputado mais votado do país, proporcionalmente. Segundo uma pesquisa do Ibope, Arruda deverá ser o deputado federal mais votado de Brasília em outubro.

 

ECONOMIA

Fugindo dos juros altos
Nada menos que 45% dos carros zero quilômetro foram vendidos à vista no mês passado. É uma marca absolutamente atípica, que surpreendeu o mercado automobilístico. Para se ter uma idéia do que isso representa: em 2001, a média mensal foi de 24%.

Bye, bye, Brasil?
O banco italiano BNL está querendo sair do Brasil. Com toda a discrição possível, anda sondando um comprador no mercado.

Otimistas e...
Os analistas de mercado, quem diria, estão otimistas – e têm coração. A constatação está numa pesquisa realizada no início do mês pelo Bradesco com 2.000 analistas de investimentos do país inteiro. Quase metade (48%) acredita que o dólar estará entre 2,70 e 2,99 reais em dezembro. Isso demonstra otimismo.

...de bom coração
O insuspeitado bom coração dos insensíveis analistas está na resposta à pergunta: "Qual deveria ser o principal foco do próximo governo?". Política social foi o que cravaram 39% dos entrevistados, mais que o dobro alcançado pela opção política industrial.

Só no ano que vem
Benjamin Steinbruch deve botar as barbas de molho. Vai ficar para o primeiro trimestre de 2003 a decisão sobre o negócio entre a anglo-holandesa Corus e a CSN – e não para o fim deste ano, como se imaginava. Antes disso, o BNDES não dirá se aprova o negócio como lhe foi apresentado. Atenção, não é apenas uma questão de alguns meses a mais: será um assunto para o novo presidente. E aí está a chave da questão.

Em pé de guerra
Estão, novamente, bastante tensas as relações entre as administradoras de cartões de crédito e o varejo – mais especificamente supermercados e postos de gasolina. No centro do ringue, um aumento das taxas cobradas pelas empresas de cartão.

 

Na corda bamba

Andre Nazareth/Strana
Schymura: ele fica na Anatel?


A discussão sobre uma eventual substituição do presidente da Anatel, Luiz Guilherme Schymura, é assunto debatido a sério na Presidência da República. Na semana passada, por muito pouco ele não foi ejetado do posto em que bate ponto há apenas quatro meses. Ganhou uma sobrevida, mas sua situação permanece frágil. O desconforto do Planalto pode ser resumido assim: Schymura trouxe uma equipe de assessores para a Anatel e pouco despacha com os conselheiros da agência, que está andando a passo de cágado. Ou muda ou cai.

 

DROGAS

A Bralômbia
Nos anos 70, Edmar Bacha criou a Belíndia, o Brasil que era parte Bélgica e parte Índia. Espera-se que a cocaína, a impunidade e os Fernandinhos Beira-Mar da vida não transformem o país numa Bralômbia – misto de Brasil e Colômbia.

Bola cheia
Está quase fechado o contrato do amistoso que a seleção pentacampeã disputará em novembro, provavelmente contra a Coréia. Será um novo recorde. O valor que a CBF está negociando gira em torno de 1 milhão de dólares, o dobro do do último amistoso.

 

GENTE

O show não pode parar 1
Eduardo Suplicy deve estar querendo roubar a cena do filho, Supla. Na sexta-feira passada, arrancou muitos aplausos em Genebra, na Organização Internacional do Trabalho, ao cantar no meio de sua conferência sobre renda mínima uma música de Patativa do Assaré e outra dos Racionais MCs, devidamente vertidas para o inglês.

O show não pode parar 2
Supla pai encerrou a palestra com sua já clássica interpretação de Blowin' in the Wind, de Bob Dylan – a mesma que entoou há duas semanas na tribuna do Senado.

 
 


Foto Giselle Rocha

   
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