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Edição 1 769 - 18 de setembro de 2002
Economia e Negócios Executivos

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O divórcio muito
caro de Jack Welch

A separação do megaexecutivo da
General Electric revela seu milionário
acordo de aposentadoria e irrita os
acionistas da empresa


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Dos arquivos de VEJA
Reportagem de 12/9/2001: as memórias do executivo do século

O megaexecutivo Jack Welch, 66 anos, comandou a gigante General Electric por duas décadas sem que detalhes de sua vida particular fossem esmiuçados em público. Agora que Welch anunciou seu divórcio de Jane, uma advogada dezessete anos mais nova com quem se casou em 1989, seu fabuloso estilo de vida está sendo descrito todos os dias pela imprensa. De namoro entabulado com Suzy Wetlaufer, 42 anos, editora da Harvard Business Review, Welch chegou a imaginar que podia conduzir a separação de maneira discreta. "É um assunto pessoal que diz respeito a nós dois e eu espero que respeitem nossa privacidade", disse. A separação levantou uma poeira que, certamente, está fazendo arder os olhos não só dos invejosos de plantão, mas também dos acionistas da GE, que nunca souberam das mordomias de Jack.

O acordo pré-nupcial de Jack e Jane continha uma cláusula rara: prazo certo para caducar. Depois de determinado número de anos, não revelado pelas partes, ele perdeu o valor. Essa cláusula deu a Jane o direito a pleitear a metade do que Jack possui, uma fortuna estimada em 1 bilhão de dólares. Como não é possível apurar seus ganhos e patrimônio sem remexer em seu contrato de aposentadoria com a GE, o processo de separação acabou por revelar o generosíssimo pacote firmado entre executivo e empresa. Os acionistas souberam em detalhes quanto custa o luxo e a ostentação que dão colorido e leveza à vida do ex-executivo.

O apartamento de 15 milhões de dólares em Manhattan, celulares, televisão por satélite, computadores e serviço de segurança de seis casas do casal continuam sendo bancados pela GE. Até o papel higiênico consumido em suas casas é pago pelos acionistas. Tudo isso em adição a um pacote convencional de aposentadoria, uma generosa opção de compra de ações da empresa e salário adicional de 86.000 dólares por uma consultoria que lhe exige apenas cinco dias de trabalho por ano. Entre outras mordomias, Welch garantiu que a GE lhe fornecesse ingressos para todos os jogos de basquete de seu time preferido, sempre nas primeiras filas, uso de jatinho executivo e campos de golfe à disposição. Preocupados com a repercussão do caso, Welch e a direção da empresa se apressaram em justificar que o contrato de aposentadoria do executivo era público desde 1996. Uma justa remuneração para que o grande Welch conduzisse com tranqüilidade sua substituição no comando da empresa. Realmente, o contrato era público, mas seus detalhes não haviam saído nas primeiras páginas dos tablóides americanos.


AP
Suzy (foto), Jack e Jane Welch: divórcio sai da privacidade e ganha as páginas dos tablóides


Welch está longe de ser o aposentado mais bem pago da história. Na própria GE, Katie Couric, apresentadora do programa Today, da NBC, de propriedade da empresa, botou no bolso do pijama um acordo de aposentadoria de 13 milhões de dólares ao ano. Louis Gerstner, da IBM, que deixou o comando da empresa em março último, levou para casa um salário anual de 2 milhões de dólares, além de acesso a carro, avião, apartamento, segurança e reembolso de despesas com clubes e lazer. Geoffrey Bible, da Philip Morris, terá para o resto da vida, pagos pelos cofres da empresa, um escritório com serviços de secretária, carro, seguro de casa, acesso às instalações e recursos da empresa, incluindo avião, e outros confortos na base de 100.000 dólares ao ano.

O pacote que Welch provavelmente terá de dividir com a ex-mulher e que no ano passado lhe rendeu 16,2 milhões de dólares deixou de ser uma questão particular dele com a GE. No momento de dificuldade por que passam muitas empresas americanas e em que os investidores contabilizam os prejuízos que tiveram com a queda no preço das ações na bolsa de valores, o caso Welch está mexendo com a opinião pública, que já anda desconfiada demais depois da temporada de fraudes iniciada pelo escândalo da Enron em dezembro passado. Nada, porém, que vá amargar por muito tempo a merecida e dourada aposentadoria de Jack Welch.

 

APOSENTADORIAS DOURADAS

Os acordos de aposentadoria firmados pelas grandes corporações americanas com seus principais executivos incluem a opção de compra de ações, salários milionários, seguros residenciais e até despesas com flores, comida, fax, telefone, lazer e segurança. Jack Welch recebeu benefícios simbólicos que o dinheiro às vezes não pode comprar, mas o prestígio da empresa, sim.

 
AP
Uso de campos de golfe exclusivos em todo o país até o fim da vida ao custo de 300 dólares por jogo
AP/Mark Lennhan
AP
Ingressos na primeira fila para shows e eventos esportivos, como os disputadíssimos jogos
de basquete de seu time preferido na NBA
Transporte em jato executivo para ele e a família

 

 
 
   
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