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Edição 1 769 - 18 de setembro de 2002
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A fonte minguou

Estudo do FMI mostra que o
financiamento para os países
emergentes recuou 25% e
deve cair mais

 
Reuters
Fraga: viagem por países ricos garantiu a volta de algumas linhas de crédito para o Brasil


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O cenário externo realmente mudou para pior. O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou na quinta-feira passada um estudo mostrando que o fluxo de dólares para os países emergentes encolheu 25% entre 2000 e 2001. A estimativa para o fim do ano é de um recuo adicional de 15%. Entram nessa conta todos os investimentos financeiros globais, entre eles as tão sonhadas linhas de crédito para financiamentos bancários, cuja retração vem impedindo que a cotação do dólar caia no Brasil. O estudo do FMI mediu também o volume de empréstimos e aplicações em bolsas de valores feitas em mercados de países emergentes por investidores das nações ricas. A retração atingiu até mesmo o investimento direto, aquele destinado a comprar, montar e ampliar fábricas nos países em desenvolvimento. No ano passado, o movimento de fusões e aquisições transnacionais no mundo, que responde por mais de 80% do investimento direto global, caiu quase 50% em relação ao ano anterior. Recuou de 1,1 trilhão de dólares em 2000 para 594 bilhões em 2001. Neste ano, pelo que se viu até o fim do primeiro semestre, o total dos investimentos diretos nos países emergentes deve ficar em torno de 470 bilhões de dólares, uma queda de 20%.

"O investimento financeiro global está cada vez mais seletivo. A aversão ao risco ganhou dimensão extraordinária", diz Antônio Corrêa de Lacerda, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet). Desta vez, a retração de investimentos atingiu igualmente os países ricos. Apesar de a taxa de juros dos Estados Unidos estar no patamar historicamente baixo de 1,75% ao ano, no mundo real as empresas americanas estão pagando taxas de risco altíssimas por seus empréstimos. Mesmo as jóias da coroa do capitalismo americano, as empresas classificadas como AAA ("triple A", no jargão financeiro), não estão encontrando as mesmas facilidades de financiamento de dois anos atrás. As triple A são companhias de excelente índice de capitalização, bom fluxo de caixa e ilibada história de crédito, como a seguradora AIG e a gigante General Electric. "Quando a confiança for restaurada, certamente os benefícios virão primeiro para aquelas empresas e só depois chegarão às companhias dos países emergentes", diz Octavio de Barros, economista-chefe do banco BBV.

Se não escapou do refluxo global dos investimentos, o Brasil também não foi o país que mais sofreu com seus efeitos. Em 2000, o Brasil recebeu aporte de 33,5 bilhões de dólares em investimento direto. No ano passado, o volume caiu para 22,5 bilhões de dólares e neste ano deve ficar entre 16 bilhões e 17 bilhões de dólares. Quando a situação se normalizar, dizem os analistas, países como o Brasil são destinação natural dos recursos excedentes nos mercados financeiros do capitalismo central. "Tudo indica que o Brasil continuará sendo nos próximos dez anos um importador de capitais", diz Barros. A questão é em que volume esses recursos virão. Na semana passada, Armínio Fraga, presidente do Banco Central, encontrou-se com banqueiros alemães, suíços e holandeses e ouviu deles que as linhas de crédito para o Brasil estão sendo restabelecidas. Alguns deles prometeram até mesmo ampliá-las. É uma boa notícia, mas ela só terá efeito positivo mesmo quando empurrar para baixo a cotação do dólar, que na sexta-feira passada fechou pela quinta semana consecutiva acima dos 3 reais.

 



 
 
   
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