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A fonte minguou
Estudo
do FMI mostra que o
financiamento para os países
emergentes recuou 25% e
deve cair mais
Reuters
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| Fraga:
viagem por países ricos garantiu a volta de algumas linhas de crédito
para o Brasil |

Veja também |
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O cenário
externo realmente mudou para pior. O Fundo Monetário Internacional
(FMI) divulgou na quinta-feira passada um estudo mostrando que o fluxo
de dólares para os países emergentes encolheu 25% entre
2000 e 2001. A estimativa para o fim do ano é de um recuo adicional
de 15%. Entram nessa conta todos os investimentos financeiros globais,
entre eles as tão sonhadas linhas de crédito para financiamentos
bancários, cuja retração vem impedindo que a cotação
do dólar caia no Brasil. O estudo do FMI mediu também o
volume de empréstimos e aplicações em bolsas de valores
feitas em mercados de países emergentes por investidores das nações
ricas. A retração atingiu até mesmo o investimento
direto, aquele destinado a comprar, montar e ampliar fábricas nos
países em desenvolvimento. No ano passado, o movimento de fusões
e aquisições transnacionais no mundo, que responde por mais
de 80% do investimento direto global, caiu quase 50% em relação
ao ano anterior. Recuou de 1,1 trilhão de dólares em 2000
para 594 bilhões em 2001. Neste ano, pelo que se viu até
o fim do primeiro semestre, o total dos investimentos diretos nos países
emergentes deve ficar em torno de 470 bilhões de dólares,
uma queda de 20%.
"O investimento
financeiro global está cada vez mais seletivo. A aversão
ao risco ganhou dimensão extraordinária", diz Antônio
Corrêa de Lacerda, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos
de Empresas Transnacionais (Sobeet). Desta vez, a retração
de investimentos atingiu igualmente os países ricos. Apesar de
a taxa de juros dos Estados Unidos estar no patamar historicamente baixo
de 1,75% ao ano, no mundo real as empresas americanas estão pagando
taxas de risco altíssimas por seus empréstimos. Mesmo as
jóias da coroa do capitalismo americano, as empresas classificadas
como AAA ("triple A", no jargão financeiro), não estão
encontrando as mesmas facilidades de financiamento de dois anos atrás.
As triple A são companhias de excelente índice de capitalização,
bom fluxo de caixa e ilibada história de crédito, como a
seguradora AIG e a gigante General Electric. "Quando a confiança
for restaurada, certamente os benefícios virão primeiro
para aquelas empresas e só depois chegarão às companhias
dos países emergentes", diz Octavio de Barros, economista-chefe
do banco BBV.
Se não
escapou do refluxo global dos investimentos, o Brasil também não
foi o país que mais sofreu com seus efeitos. Em 2000, o Brasil
recebeu aporte de 33,5 bilhões de dólares em investimento
direto. No ano passado, o volume caiu para 22,5 bilhões de dólares
e neste ano deve ficar entre 16 bilhões e 17 bilhões de
dólares. Quando a situação se normalizar, dizem os
analistas, países como o Brasil são destinação
natural dos recursos excedentes nos mercados financeiros do capitalismo
central. "Tudo indica que o Brasil continuará sendo nos próximos
dez anos um importador de capitais", diz Barros. A questão é
em que volume esses recursos virão. Na semana passada, Armínio
Fraga, presidente do Banco Central, encontrou-se com banqueiros alemães,
suíços e holandeses e ouviu deles que as linhas de crédito
para o Brasil estão sendo restabelecidas. Alguns deles prometeram
até mesmo ampliá-las. É uma boa notícia, mas
ela só terá efeito positivo mesmo quando empurrar para baixo
a cotação do dólar, que na sexta-feira passada fechou
pela quinta semana consecutiva acima dos 3 reais.
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