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Só para pouquíssimas
Creme
de luxo de verdade
não tem stand em loja de
departamentos e custa muito,
muuiito caro
| AP |
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| Sharon
Stone, de 44 anos: a sereia que se trata com algas |
Você acha que conhece tudo sobre cremes e loções de
beleza, só porque costuma vasculhar de alto a baixo a Bloomingdale's,
em Nova York, ou a Printemps, em Paris? Bem, querida, realmente você
sabe tudinho mas apenas do mundo reservado às mortais remediadas.
Existe um universo paralelo ao qual pouquíssimas felizardas têm
acesso: o dos cosméticos de luxo. Nele, não há stand
em loja de departamentos nem cartaz em duty-free de aeroporto. A propaganda
desses produtos é, em geral, feita com relativa discrição
por mulheres bonitas, famosas e lógico muito ricas.
Como as atrizes Sharon Stone e Jennifer Lopez. Presenteadas pelos fabricantes,
elas soltam numa conversa aqui e numa entrevista ali que usam tal creme
ou tal loção. É o que basta para açular as
dondocas dos quatro cantos do mundo. Outro chamariz nesse universo é
o preço. Quanto mais caro, mais cobiçado será o produto.
"No mercado do luxo, o que todo mundo tem ninguém quer. Todo mundo
quer o que ninguém tem", resume Marcos Rothenberg, presidente da
Associação dos Importadores de Perfumes, Cosméticos
e Similares.
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Nome:
Crème
de La Mer, da americana La Mer
Do
que é feito:
da
fermentação de uma alga marinha, abundante na costa
da Califórnia, nos Estados Unidos, e que só pode ser
colhida duas vezes ao ano
O
que promete:
o
rejuvenescimento do rosto em sete dias
Preço:
1
000 dólares o pote de 460 gramas
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Um pote de
um creme desses pode sair por até 1.000
dólares. É preciso reconhecer, no entanto, que eles não
custam caro à toa. Suas fórmulas são fruto de um
investimento enorme de tempo e dinheiro. Dentro do pote do La Crème,
da marca Clé de Peau, pertencente à empresa japonesa Shiseido,
está condensada uma pesquisa de oito anos sobre nove enzimas que
combatem o envelhecimento da pele. O Crème de La Mer, da marca
americana La Mer, demorou trinta anos para chegar às penteadeiras.
Desenvolvido por um cientista da Nasa, o produto é feito a partir
de uma alga que prolifera na costa da Califórnia e só pode
ser colhida duas vezes ao ano. Da colheita ao produto final, levam-se
quatro meses de um trabalho quase artesanal. O fabricante garante que
os primeiros sinais de rejuvenescimento do rosto podem ser notados em
uma semana. Para efeito de comparação, os resultados dos
cremes feitos com a substância DMAE, aquela do "efeito Cinderela"
e que é a grande novidade da cosmética de massa, só
aparecem depois de dois meses.
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Nome:
Skin Caviar Luxe Cream, da suíça La Prairie
Do que é feito: do extrato de
caviar do esturjão beluga, originário do Mar Cáspio
O que promete: firmar e revitalizar
a pele imediatamente. Seu efeito dura 8 horas
Preço: 400 dólares o pote de
160 gramas
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Um dos objetos
de desejo das ricaças é o Sisleÿa Global Anti-Age,
um creme para o rosto do laboratório francês Sisley. Sua
fórmula tem cinqüenta componentes botânicos. A chave
do sucesso está num ingrediente exclusivo: o ácido ursólico.
Não, não tem nada a ver com urso. Ele é extraído
da semente da maçã. A versão para o contorno dos
olhos leva ainda Padina pavonica, uma alga marinha encontrada no
Mar Mediterrâneo. O tratamento com os dois custa 1.300
reais. A francesa Darphin foi mais longe e mandou seus pesquisadores às
profundezas do Oceano Pacífico. Lá prolifera o deepsane,
um microrganismo que habita as regiões próximas a vulcões
submersos e é capaz de sobreviver a temperaturas de 400 graus Celsius.
A mistura desse bicho com extratos de papaia, ananás, ginseng e
maracujá originou o Stimulskin Plus Complex. O preço: 1.000
reais o pote. E quem disse que caviar é só para comer? As
mais informadas sabem que ele serve também para a pele. A suíça
La Prairie criou uma linha à base do caviar beluga, o mais caro
que existe.
João Santos

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| Vera
Fischer, de 50 anos: no restrito grupo das brasileiras que usam caviar
contra as rugas |
Como não poderia deixar de ser, tem sempre um chato que gosta de
acabar com a festa. No caso, uma chata. A americana Paula Begoun foi pesquisadora
da indústria de cosméticos por vinte anos e hoje é
uma inimiga declarada do oba-oba feito em torno das marcas luxuosas. Autora
do livro Don't Go to the Cosmetics Counter Without Me (Não
Vá à Seção de Cosméticos sem Mim),
ela vive realizando pesquisas sobre a relação custo-benefício
dos cremes e loções. Num desses levantamentos, Paula comparou
um produto da L'Oréal e outro da Lancôme. Descobriu que os
dois eram virtualmente idênticos, exceto pelo preço: quase
50 dólares de diferença. A autora também dispara
contra o carésimo Crème de La Mer, usando argumentos da
psicologia social. Mas psicologia social, todo mundo sabe, é coisa
de pobre.
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