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Edição 1 769 - 18 de setembro de 2002
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Plástica light

Técnica da videoendoscopia
é usada para remover rugas
e esticar o rosto envelhecido

Silvia Rogar


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Quando a pele do rosto murcha além da capacidade restauradora do mais poderoso dos cremes, as opções, ambas dolorosas, são conformar-se ou entrar na faca. A boa notícia é que a faca pode ser quase invisível. Ao longo dos últimos três anos, um número crescente de cirurgiões plásticos tem incluído no arsenal anti-rugas a operação por videoendoscopia. Essa técnica cirúrgica se caracteriza por incisões mínimas e ajuda de microcâmera. Mais conhecida nas intervenções ginecológicas e gástricas, agora está rejuvenescendo rostos. É muito mais simples que um lifting convencional, cujo corte acompanha toda a curva do couro cabeludo e exige em média cinqüenta pontos. Infelizmente, é limitada: só funciona em peles ainda não muito flácidas. "É uma cirurgia menos agressiva e com pós-operatório, em geral, 40% mais rápido. Hoje, só recorro ao método tradicional em casos específicos", diz o médico carioca Tomaz Nassif, que empregou a técnica em mais de 100 pacientes desde 1999.

Pelo método tradicional, a cirurgia para "esticar" a face requer um corte no couro cabeludo de orelha a orelha. Através dele, a pele é descolada, puxada e cortada e a musculatura, reposicionada (veja quadro). É uma cirurgia extensa, que deixa o rosto visivelmente mais liso – às vezes, até demais. Resultados indesejados: a cicatriz enorme aparece com o cabelo molhado; a região perde a sensibilidade e coça; e a área da testa aumenta. Já a técnica da videoendoscopia consiste em usar um aparelho ótico de cerca de 3 milímetros acoplado a uma microcâmera, pela qual as imagens internas são transmitidas a um monitor. A câmera é introduzida por uma incisão de 1,5 centímetro, igualmente no couro cabeludo. Outros dois ou três pequenos cortes acomodam os instrumentos cirúrgicos miniaturizados, manipulados pelo médico conforme as imagens transmitidas no monitor.

A videoendoscopia não atua no rosto todo, só na região que vai da testa às maçãs do rosto. Encerrado o trabalho de esticar pele e músculos, o médico fixa o rearranjo com pontos internos, cola de fibrina (produzida com substâncias tiradas do sangue humano) ou microparafusos de titânio, que têm de ser removidos mais tarde. Toda a fixação se baseia na membrana óssea, que, mesmo deslocada durante o processo, volta naturalmente a aderir ao osso. Também funciona para esticar a pele flácida no pescoço, através de incisões feitas embaixo do queixo. A cirurgia dura uma hora e meia e, como é menos agressiva, produz menos hematomas. "Por enquanto, o uso é basicamente na face, mas futuramente a técnica poderá ser usada para tornar outras cirurgias menos invasivas", prevê a cirurgiã Cristina Pires Camargo, de São Paulo. Nos Estados Unidos, já se introduzem próteses de mama vazias por videoendoscopia, através de incisões no umbigo; uma vez instaladas, são preenchidas com soro fisiológico, o substituto do silicone, que lá é proibido. O método também vale para esticar a musculatura abdominal que a gravidez tornou flácida, em mulheres que não estejam acima do peso, com pequenos cortes no umbigo e na região pubiana.

A quantidade de pele e músculos sem viço é o ponto de decisão entre uma videoendoscopia e um lifting, já que no preço eles empatam (entre 6 000 e 10 000 reais qualquer um dos dois). "A videoendoscopia é uma excelente promessa, mas não dá para ser usada em pacientes com muita flacidez ou excesso de pele", diz o cirurgião Volney Pitombo, do Rio de Janeiro. Quem se encaixa na receita, porém, em geral vê vantagens. A corretora de imóveis Rosane Reuter de Oliveira, 42 anos, não pensava em mexer no rosto tão cedo, mas foi se consultar para uma lipoaspiração, conheceu a videoendoscopia e decidiu remover rugas profundas na testa. "Não tenho cicatriz e meu rosto deu uma levantada geral. Fiquei satisfeitíssima", diz.

 

 

   
 
   
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