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Plástica light
Técnica
da videoendoscopia
é usada para remover rugas
e esticar o rosto envelhecido
Silvia Rogar

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Quando a
pele do rosto murcha além da capacidade restauradora do mais poderoso
dos cremes, as opções, ambas dolorosas, são conformar-se
ou entrar na faca. A boa notícia é que a faca pode ser quase
invisível. Ao longo dos últimos três anos, um número
crescente de cirurgiões plásticos tem incluído no
arsenal anti-rugas a operação por videoendoscopia. Essa
técnica cirúrgica se caracteriza por incisões mínimas
e ajuda de microcâmera. Mais conhecida nas intervenções
ginecológicas e gástricas, agora está rejuvenescendo
rostos. É muito mais simples que um lifting convencional, cujo
corte acompanha toda a curva do couro cabeludo e exige em média
cinqüenta pontos. Infelizmente, é limitada: só funciona
em peles ainda não muito flácidas. "É uma cirurgia
menos agressiva e com pós-operatório, em geral, 40% mais
rápido. Hoje, só recorro ao método tradicional em
casos específicos", diz o médico carioca Tomaz Nassif, que
empregou a técnica em mais de 100 pacientes desde 1999.
Pelo método
tradicional, a cirurgia para "esticar" a face requer um corte no couro
cabeludo de orelha a orelha. Através dele, a pele é descolada,
puxada e cortada e a musculatura, reposicionada (veja
quadro). É uma cirurgia extensa, que deixa o rosto
visivelmente mais liso às vezes, até demais. Resultados
indesejados: a cicatriz enorme aparece com o cabelo molhado; a região
perde a sensibilidade e coça; e a área da testa aumenta.
Já a técnica da videoendoscopia consiste em usar um aparelho
ótico de cerca de 3 milímetros acoplado a uma microcâmera,
pela qual as imagens internas são transmitidas a um monitor. A
câmera é introduzida por uma incisão de 1,5 centímetro,
igualmente no couro cabeludo. Outros dois ou três pequenos cortes
acomodam os instrumentos cirúrgicos miniaturizados, manipulados
pelo médico conforme as imagens transmitidas no monitor.
A videoendoscopia
não atua no rosto todo, só na região que vai da testa
às maçãs do rosto. Encerrado o trabalho de esticar
pele e músculos, o médico fixa o rearranjo com pontos internos,
cola de fibrina (produzida com substâncias tiradas do sangue humano)
ou microparafusos de titânio, que têm de ser removidos mais
tarde. Toda a fixação se baseia na membrana óssea,
que, mesmo deslocada durante o processo, volta naturalmente a aderir ao
osso. Também funciona para esticar a pele flácida no pescoço,
através de incisões feitas embaixo do queixo. A cirurgia
dura uma hora e meia e, como é menos agressiva, produz menos hematomas.
"Por enquanto, o uso é basicamente na face, mas futuramente a técnica
poderá ser usada para tornar outras cirurgias menos invasivas",
prevê a cirurgiã Cristina Pires Camargo, de São Paulo.
Nos Estados Unidos, já se introduzem próteses de mama vazias
por videoendoscopia, através de incisões no umbigo; uma
vez instaladas, são preenchidas com soro fisiológico, o
substituto do silicone, que lá é proibido. O método
também vale para esticar a musculatura abdominal que a gravidez
tornou flácida, em mulheres que não estejam acima do peso,
com pequenos cortes no umbigo e na região pubiana.
A quantidade
de pele e músculos sem viço é o ponto de decisão
entre uma videoendoscopia e um lifting, já que no preço
eles empatam (entre 6 000 e 10 000 reais qualquer um dos dois). "A videoendoscopia
é uma excelente promessa, mas não dá para ser usada
em pacientes com muita flacidez ou excesso de pele", diz o cirurgião
Volney Pitombo, do Rio de Janeiro. Quem se encaixa na receita, porém,
em geral vê vantagens. A corretora de imóveis Rosane Reuter
de Oliveira, 42 anos, não pensava em mexer no rosto tão
cedo, mas foi se consultar para uma lipoaspiração, conheceu
a videoendoscopia e decidiu remover rugas profundas na testa. "Não
tenho cicatriz e meu rosto deu uma levantada geral. Fiquei satisfeitíssima",
diz.
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