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A
garimpagem no
cemitério nazista
Saquear
tumbas em busca de medalhas
tornou-se um bom negócio na Rússia
A moda no verão russo de 2002 tem sido o garimpo. Não se
trata de localizar ouro ou diamantes, mas de encontrar, com a ajuda de
detectores de metal, pás e picaretas, relíquias da II Guerra,
que podem ser vendidas a colecionadores de todo o mundo. Há compradores
interessados em quase tudo o que se encontra nos antigos campos de batalha,
de pedaços de aviões a capacetes e fardas militares. Os
objetos mais valorizados são de longe as condecorações
nazistas, só localizadas em cemitérios e valas comuns onde
foram sepultados os mortos alemães na invasão da União
Soviética. Os nazistas perderam 2,2 milhões de soldados,
derrota que acabou definindo a guerra na Europa a favor dos aliados. Os
garimpeiros de fim de semana abrem as covas atrás de botas, restos
de uniformes e, sobretudo, da Cruz de Ferro, a mais alta condecoração
nazista. Cada exemplar vale 50 dólares no mercado internacional.
É um dinheirão no interior da Rússia, onde o salário
médio é de apenas 130 dólares.
Um levantamento feito pela União dos Registros de Túmulos
de Guerra organização que mapeia e monitora os cemitérios
estrangeiros em que estão enterrados soldados alemães
concluiu que 70% dos túmulos na região do Cáucaso
já foram pilhados. Nessa área ao sul da Rússia, onde
ocorreram algumas das batalhas mais sangrentas, existem 137 sepulcros
em que se estima haver 150.000 corpos. Com cuidados próprios de
uma expedição arqueológica, os saqueadores de túmulos
separam ossos e esqueletos dos objetos que de fato interessam. Esse tipo
de coleta é totalmente ilegal, pois acordos firmados entre a Rússia
e a Alemanha garantem a preservação dos cemitérios
militares.
A caça ao tesouro nos túmulos nazistas é a versão
mais recente de uma atividade tradicional na Rússia. Os campos
de batalha já eram vasculhados nos tempos do governo comunista,
mas só se procuravam destroços de aeronaves, tanques e canhões
deixados pelo inimigo. Considerado patrimônio nacional, o material
soviético não pode ser comercializado. O negócio
é lucrativo tanto para quem vende as peças como para quem
as compra. A asa de um avião militar alemão pode custar
10.000 dólares. Uma carcaça completa dos caças mais
famosos, como o Focke-Wulf e o Messerschmidt 109, ultrapassa os 100.000
dólares. "Restaurada e capaz de voar, uma aeronave dessas vale
1 milhão de dólares", disse a VEJA o americano Gerald Yagen,
restaurador de aviões históricos. Nos últimos três
anos, Yagen importou os restos de cinco modelos Messerschmidt 109 encontrados
nos arredores de São Petersburgo. Seu objetivo é usar a
sucata de vários aparelhos para reconstruir um único avião.
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