Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 769 - 18 de setembro de 2002
Brasil Eleições

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
)
Índice
Seções
Brasil
 

Serra está perto do segundo turno
Collor e a baixaria em Alagoas

Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

O tucano de asa nova

Com a "ajuda" das declarações de Ciro,
Serra está com um pé no segundo turno

Felipe Patury

 
Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
José Serra: desafio que só Reagan e George Bush conseguiram concretizar


Veja também
Nesta edição
O valle tudo das Alagoas
Na internet
Notícias diárias sobre eleições

500.000, 500.000, 500.000... No último mês, todos os dias, sem descanso aos sábados, domingos e feriados, o candidato da Frente Trabalhista perdeu 500.000 votos. Em meados de agosto, Ciro aparecia na pesquisa do Ibope com 27% das intenções de voto. Se a eleição fosse realizada naquele momento, Ciro poderia contar com uma montanha de votos, 31 milhões deles, e a certeza de disputar o segundo turno com Lula. Na semana passada, quando saiu a última rodada do Ibope, Ciro havia murchado para 15% dos votos. Reuniria 17 milhões de eleitores, e considerava a possibilidade de ser ultrapassado por Garotinho nas próximas semanas. Nesse mesmo período, Serra fez o caminho contrário. Numa rampa ascendente modesta, mas consistente, o candidato do governo subiu de 12% das intenções para 19%, ainda de acordo com os dados do Ibope. Outros dois institutos mediram o movimento. Os dados são um pouco diferentes, mas confirmam as curvas de Ciro e Serra apresentadas na ilustração. Segundo o Vox Populi, a distância entre ambos é de 2 pontos porcentuais. Pelo Datafolha, é de 6.

O humor no comitê tucano era tão bom na semana passada que já havia gente sugerindo a José Serra que oferecesse um ministério a Ciro Gomes. Afinal, se o candidato da Frente Trabalhista não o ajudasse, Serra dificilmente poderia estar festejando. Num espaço relativamente curto de tempo, Ciro trabalhou intensamente: chamou um eleitor de "burro", falou mal dos "barões" do empresariado paulista, questionou a isenção da Justiça Eleitoral, afirmou que as pesquisas de opinião têm baixíssima credibilidade, disse estar "se lixando" para o mercado, pediu aos eleitores que não acreditassem nos jornais e se desentendeu com um estudante negro em Brasília, para citar apenas as intervenções estabanadas mais recentes. Duas semanas atrás, produziu uma peça inacreditável, ao ser perguntado sobre a importância de sua mulher, a atriz Patrícia Pillar, na campanha: "A minha companheira tem um papel fundamental, ela dorme comigo". O resultado dessa sucessão de desastres, devidamente explorada no horário eleitoral gratuito, funcionou como um soco no queixo do candidato da Frente Trabalhista.

 
Dida Sampaio/AE
Lula (com Aécio Neves): há alguma chance de vitória no primeiro turno

Na semana passada, a equipe de Serra mandou tirar do site da campanha e dos programas eleitorais qualquer referência a Ciro Gomes. "Para nós, Ciro é passado. Agora é Lula", diz o publicitário Nelson Biondi, um dos responsáveis pela campanha tucana. Ao contrário do que aconteceu com Ciro, Lula não deve ser atacado com dureza nos programas do tucano. A intenção é marcar diferenças programáticas entre os dois possíveis governos. "No Ciro, a gente bate. Com o Lula, é debate", resume o deputado federal Geddel Vieira Lima, um dos aliados da campanha. Ser o candidato do governo depois de dois mandatos é o grande desafio de Serra. Os exemplos de sucesso em casos semelhantes são raríssimos na história recente. Na Argentina, Eduardo Duhalde, candidato peronista, perdeu a sucessão de Carlos Menem, do mesmo partido, para Fernando de la Rúa. No Chile, a coligação governista do presidente Ricardo Lagos só venceu a eleição porque optou por um candidato de partido diferente do antecessor. Nos últimos cinqüenta anos, três candidatos a presidente dos Estados Unidos que enfrentaram condições parecidas fracassaram. Apenas George Bush, pai do atual presidente, conseguiu ganhar uma eleição em situação semelhante.

Depois de quase um mês em queda, o alto comando da campanha de Ciro Gomes se reuniu na semana passada para discutir estratégias para contornar a crise. O grupo listou catorze falhas que deveriam ser corrigidas. Detalhe: ninguém teve a ousadia de listar as declarações de Ciro entre as razões do desastre. A principal proposta tirada ali foi uma mudança no programa de TV, dirigido pelo marqueteiro Einhart Jacome da Paz. Nos tempos em que a candidatura estava embalada, os políticos que apoiavam Ciro bajulavam Einhart, dizendo que Nizan Guanaes, marqueteiro de Serra, talvez tivesse perdido o toque de Midas. Na semana passada, com a mudança de cenário, a cúpula passou a perguntar se Einhart estava no cargo por seu talento ou por ser casado com Lia, a irmã do candidato. Na terça-feira, o comando apresentou a Ciro o nome de Chico Santa Rita para substituí-lo. Ele foi o responsável pelo programa bombástico que contribuiu para a eleição de Fernando Collor, em que Mirian Cordeiro, a ex-namorada de Lula e mãe da única filha do petista, Lurian, disse que Lula não aprovou sua gravidez. Para desencanto entre os líderes da campanha, a discussão acabou em um impasse familiar. Einhart disse que faria o que Ciro mandasse. Ciro Gomes disse que caberia a Einhart tomar a decisão. Resultado: tudo ficou como estava. Outra decisão tomada na semana passada foi partir para o ataque cerrado contra Serra. "Vamos para o tudo ou nada", afirma um integrante do alto comando cirista.

Edson Silva/Folha Imagem
Anthony Garotinho: promessa de salário mínimo mais alto ajudou nas pesquisas


Matematicamente, é possível que Ciro recupere o segundo lugar, mas as condições políticas são cada vez mais adversas. Todas as pesquisas, sejam as de Serra, sejam as de Lula, sejam as de Ciro, apontam para dois cenários. Um, mais improvável, considera a vitória de Lula já no primeiro turno. Outro, mais esperado, trata de um segundo turno entre Serra e Lula. Conversando com um amigo, o ex-governador Tasso Jereissati, aliado de Ciro Gomes, desabafava sobre a situação, usando para isso uma comparação futebolística: "Estávamos ganhando a partida por 3 a 0 e faltavam quinze minutos para acabar o jogo", disse. "Aí, o outro time foi lá e conseguiu quatro gols." Mais uma vez, Tasso mostrou lealdade a Ciro. Na verdade, o time adversário não fez tantos gols assim. Ciro é que marcou contra.

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS