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O
tucano de asa nova
Com a "ajuda"
das declarações de Ciro,
Serra está com um pé no segundo turno
Felipe
Patury
Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
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| José
Serra: desafio que só Reagan e George Bush conseguiram concretizar
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Veja também |
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500.000,
500.000, 500.000... No último mês, todos os dias, sem descanso
aos sábados, domingos e feriados, o candidato da Frente Trabalhista
perdeu 500.000 votos. Em meados de agosto, Ciro aparecia na pesquisa do
Ibope com 27% das intenções de voto. Se a eleição
fosse realizada naquele momento, Ciro poderia contar com uma montanha
de votos, 31 milhões deles, e a certeza de disputar o segundo turno
com Lula. Na semana passada, quando saiu a última rodada do Ibope,
Ciro havia murchado para 15% dos votos. Reuniria 17 milhões de
eleitores, e considerava a possibilidade de ser ultrapassado por Garotinho
nas próximas semanas. Nesse mesmo período, Serra fez o caminho
contrário. Numa rampa ascendente modesta, mas consistente, o candidato
do governo subiu de 12% das intenções para 19%, ainda de
acordo com os dados do Ibope. Outros dois institutos mediram o movimento.
Os dados são um pouco diferentes, mas confirmam as curvas de Ciro
e Serra apresentadas na ilustração.
Segundo o Vox Populi, a distância entre ambos é de 2 pontos
porcentuais. Pelo Datafolha, é de 6.
O
humor no comitê tucano era tão bom na semana passada que
já havia gente sugerindo a José Serra que oferecesse um
ministério a Ciro Gomes. Afinal, se o candidato da Frente Trabalhista
não o ajudasse, Serra dificilmente poderia estar festejando. Num
espaço relativamente curto de tempo, Ciro trabalhou intensamente:
chamou um eleitor de "burro", falou mal dos "barões" do empresariado
paulista, questionou a isenção da Justiça Eleitoral,
afirmou que as pesquisas de opinião têm baixíssima
credibilidade,
disse estar "se lixando" para o mercado, pediu aos eleitores que não
acreditassem nos jornais e se desentendeu com um estudante negro em Brasília,
para citar apenas as intervenções estabanadas mais recentes.
Duas semanas atrás, produziu uma peça inacreditável,
ao ser perguntado sobre a importância de sua mulher, a atriz Patrícia
Pillar, na campanha: "A minha companheira tem um papel fundamental, ela
dorme comigo". O resultado dessa sucessão de desastres, devidamente
explorada no horário eleitoral gratuito, funcionou como um soco
no queixo do candidato da Frente Trabalhista.
Dida Sampaio/AE
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| Lula
(com Aécio Neves): há alguma chance de vitória
no primeiro turno
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Na
semana passada, a equipe de Serra mandou tirar do site da campanha e dos
programas eleitorais qualquer referência a Ciro Gomes. "Para nós,
Ciro é passado. Agora é Lula", diz o publicitário
Nelson Biondi, um dos responsáveis pela campanha tucana. Ao contrário
do que aconteceu com Ciro, Lula não deve ser atacado com dureza
nos programas do tucano. A intenção é marcar diferenças
programáticas entre os dois possíveis governos. "No Ciro,
a gente bate. Com o Lula, é debate", resume o deputado federal
Geddel Vieira Lima, um dos aliados da campanha. Ser o candidato do governo
depois de dois mandatos é o grande desafio de Serra. Os exemplos
de sucesso em casos semelhantes são raríssimos na história
recente. Na Argentina, Eduardo Duhalde, candidato peronista, perdeu a
sucessão de Carlos Menem, do mesmo partido, para Fernando de la
Rúa. No Chile, a coligação governista do presidente
Ricardo Lagos só venceu a eleição porque optou por
um candidato de partido diferente do antecessor. Nos últimos cinqüenta
anos, três candidatos a presidente dos Estados Unidos que enfrentaram
condições parecidas fracassaram. Apenas George Bush, pai
do atual presidente, conseguiu ganhar uma eleição em situação
semelhante.
Depois de quase um mês em queda, o alto comando da campanha de Ciro
Gomes se reuniu na semana passada para discutir estratégias para
contornar a crise. O grupo listou catorze falhas que deveriam ser corrigidas.
Detalhe: ninguém teve a ousadia de listar as declarações
de Ciro entre as razões do desastre. A principal proposta tirada
ali foi uma mudança no programa de TV, dirigido pelo marqueteiro
Einhart Jacome da Paz. Nos tempos em que a candidatura estava embalada,
os políticos que apoiavam Ciro bajulavam Einhart, dizendo que Nizan
Guanaes, marqueteiro de Serra, talvez tivesse perdido o toque de Midas.
Na semana passada, com a mudança de cenário, a cúpula
passou a perguntar se Einhart estava no cargo por seu talento ou por ser
casado com Lia, a irmã do candidato. Na terça-feira, o comando
apresentou a Ciro o nome de Chico Santa Rita para substituí-lo.
Ele foi o responsável pelo programa bombástico que contribuiu
para a eleição de Fernando Collor, em que Mirian Cordeiro,
a ex-namorada de Lula e mãe da única filha do petista, Lurian,
disse que Lula não aprovou sua gravidez. Para desencanto entre
os líderes da campanha, a discussão acabou em um impasse
familiar. Einhart disse que faria o que Ciro mandasse. Ciro Gomes disse
que caberia a Einhart tomar a decisão. Resultado: tudo ficou como
estava. Outra decisão tomada na semana passada foi partir para
o ataque cerrado contra Serra. "Vamos para o tudo ou nada", afirma um
integrante do alto comando cirista.
Edson Silva/Folha Imagem
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| Anthony
Garotinho: promessa de salário mínimo mais alto ajudou
nas pesquisas |
Matematicamente, é possível que Ciro recupere o segundo
lugar, mas as condições políticas são cada
vez mais adversas. Todas as pesquisas, sejam as de Serra, sejam as de
Lula, sejam as de Ciro, apontam para dois cenários. Um, mais improvável,
considera a vitória de Lula já no primeiro turno. Outro,
mais esperado, trata de um segundo turno entre Serra e Lula. Conversando
com um amigo, o ex-governador Tasso Jereissati, aliado de Ciro Gomes,
desabafava sobre a situação, usando para isso uma comparação
futebolística: "Estávamos ganhando a partida por 3 a 0 e
faltavam quinze minutos para acabar o jogo", disse. "Aí, o outro
time foi lá e conseguiu quatro gols." Mais uma vez, Tasso mostrou
lealdade a Ciro. Na verdade, o time adversário não fez tantos
gols assim. Ciro é que marcou contra.
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