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Edição 1 769 - 18 de setembro de 2002
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A agricultura segura o Brasil

 
Claudio Rossi
Produtividade recorde no campo: colaboração entre o capital e o laboratório

A grande história de sucesso do Brasil na década que passou está sendo contada no campo. Com números. Embora tenha sido mantida quase inalterada a área plantada de 1990 até hoje, a produtividade da atividade rural brasileira dobrou. Em alguns casos, como o da soja e do algodão, deu saltos de qualidade sem igual em todo o mundo. Na semana passada, com a divulgação dos resultados da mais recente aferição do PIB, fica claro que mais uma vez a agricultura é o que está escorando nossa economia. No campo, o Brasil cresce, gera emprego e ajuda o país a exportar mais e a manter a saúde de suas finanças. Enquanto a indústria amargou uma retração de 1,78% no primeiro semestre deste ano, a atividade agrária cresceu 8%. Pela primeira vez em meio século, o número de trabalhadores com carteira assinada nas fazendas superou o de empregados da construção civil. Quando se somar tudo o que o campo brasileiro exportará até o fim do ano e daí subtrair tudo aquilo que se gastará com importações no setor agrícola, incluindo sementes e máquinas, o resultado estimado é de 21 bilhões de dólares a favor do Brasil.

O excelente desempenho da agricultura embute uma lição para os candidatos a presidente. Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra que a razão do sucesso agropecuário brasileiro e do aumento da produtividade e do emprego no campo se deve ao uso intensivo de capital associado à produção de inovações tecnológicas – especialmente as que brotaram nas fazendas com a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). As pequenas propriedades rurais tocadas com práticas rudimentares, romanticamente celebradas por alguns candidatos, têm enorme utilidade para garantir a subsistência de muitos brasileiros. Outra coisa é imaginar que a agricultura miúda ao redor da tapera é um modelo que deva ser incentivado como solução para o desafio agrícola nacional. Sem a associação do capital com o laboratório, o Brasil não teria conseguido aumentar a competitividade no campo. Fez isso em boa parte graças ao conhecimento produzido internamente no país. Os avanços tecnológicos de ponta no negócio agrário, na maior parte dos casos, ou não estão à venda no mercado externo ou não são aplicáveis fora do ambiente em que foram produzidos.

 
 
   
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