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A
agricultura segura o Brasil
Claudio Rossi
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| Produtividade
recorde no campo: colaboração entre o capital e o laboratório |
A
grande história de sucesso do Brasil na década que passou
está sendo contada no campo. Com números. Embora tenha sido
mantida quase inalterada a área plantada de 1990 até hoje,
a produtividade da atividade rural brasileira dobrou. Em alguns casos,
como o da soja e do algodão, deu saltos de qualidade sem igual
em todo o mundo. Na semana passada, com a divulgação dos
resultados da mais recente aferição do PIB, fica claro que
mais uma vez a agricultura é o que está escorando nossa
economia. No campo, o Brasil cresce, gera emprego e ajuda o país
a exportar mais e a manter a saúde de suas finanças. Enquanto
a indústria amargou uma retração de 1,78% no primeiro
semestre deste ano, a atividade agrária cresceu 8%. Pela primeira
vez em meio século, o número de trabalhadores com carteira
assinada nas fazendas superou o de empregados da construção
civil. Quando se somar tudo o que o campo brasileiro exportará
até o fim do ano e daí subtrair tudo aquilo que se gastará
com importações no setor agrícola, incluindo sementes
e máquinas, o resultado estimado é de 21 bilhões
de dólares a favor do Brasil.
O excelente desempenho da agricultura embute uma lição para
os candidatos a presidente. Uma reportagem
da presente edição de VEJA mostra que a razão do
sucesso agropecuário brasileiro e do aumento da produtividade e
do emprego no campo se deve ao uso intensivo de capital associado à
produção de inovações tecnológicas
especialmente as que brotaram nas fazendas com a participação
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). As pequenas
propriedades rurais tocadas com práticas rudimentares, romanticamente
celebradas por alguns candidatos, têm enorme utilidade para garantir
a subsistência de muitos brasileiros. Outra coisa é imaginar
que a agricultura miúda ao redor da tapera é um modelo que
deva ser incentivado como solução para o desafio agrícola
nacional. Sem a associação do capital com o laboratório,
o Brasil não teria conseguido aumentar a competitividade no campo.
Fez isso em boa parte graças ao conhecimento produzido internamente
no país. Os avanços tecnológicos de ponta no negócio
agrário, na maior parte dos casos, ou não estão à
venda no mercado externo ou não são aplicáveis fora
do ambiente em que foram produzidos.
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