Edição 1867 . 18 de agosto de 2004

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CINEMA

De Repente 30 (13 Going On 30, Estados Unidos, 2004. Em cartaz a partir de sexta-feira) – Jennifer Garner, a protagonista do seriado Alias e também a Elektra de O Demolidor, é uma das mais adoráveis e competentes estrelas americanas da nova geração. Aqui, ela se sai muito bem como Jenna, uma menina que passa, num piscar de olhos, dos 13 para os 30 anos. Não bastasse esse choque, mais está por vir – Jenna, que era inteligente, simpática e educada na pré-adolescência, descobre que foi capaz de preservar apenas a primeira dessas qualidades na vida adulta. Não há como negar que o filme é bobinho (o que às vezes é por si só uma virtude). Mas é também divertido e bem-humorado, no que conta com o charme – e o guarda-roupa de babar – de Jennifer. Veja cenas.

 

DISCO

Final Straw, Snow Patrol (Universal) – O quinteto escocês tem uma trajetória curiosa. Ele se chamava Polar Bears, mas foi obrigado a mudar de nome porque uma banda americana teve a mesmíssima idéia – e a registrou primeiro. Rebatizado de Snow Patrol, o grupo lançou dois CDs elogiados pela crítica, mas ignorados pelo público. Sua sorte só mudou no início deste ano, com o lançamento de Final Straw, que o pôs no mesmo patamar de sucesso que o Radiohead e Coldplay, queridinhos de outras temporadas. O disco tem boas guitarras e letras inspiradas, com aquele toque de melancolia em que os ingleses são especialistas. Ouça o disco.

 

LIVROS

Monica Zarattini/AE
/AE
Agualusa: ficção africana em língua portuguesa  

O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa (Gryphus; 200 páginas; 32 reais) – Autor do aclamado O Ano em que Zumbi Tomou o Rio, o angolano Agualusa é hoje um nome importante da ficção mundial em língua portuguesa. O Vendedor de Passados, seu quinto livro lançado no Brasil, conta a história de Félix Ventura, um albino que vive de criar genealogias para os mais prósperos cidadãos de Luanda. Empresários, políticos, generais – todos pagam por uma distinta (mas falsa) história familiar. O negócio de Félix prospera, até o dia em que um misterioso estrangeiro pede que ele lhe invente um passado angolano. Sátira aguda da sociedade daquele país e seus arrivistas, o romance é narrado por um personagem muito peculiar: uma lagartixa que vive na casa de Félix.

Hitchcock: entrevistas essenciais  

Hitchcock/Truffaut (tradução de Rosa Freire d'Aguiar; Companhia das Letras; 278 páginas; 65 reais) – Nessa compilação de horas de entrevistas, o cineasta e crítico François Truffaut ora provoca o mestre do suspense, ora sorve o que ele tem a dizer. Alfred Hitchcock, por sua vez, manipula seu entrevistador, provoca-o de volta ou ainda se abre com franqueza inesperada. Um clássico entre os clássicos, o livro originalmente publicado em 1967 (e revisto em 1983, após a morte de Alfred Hitchcock) volta a ser lançado no Brasil com nova tradução e projeto gráfico. É um prazer de ler e um item indispensável para quem tem um mínimo de interesse por cinema.

Cidade Pequena, de Lawrence Block (tradução de Anna Vianna; Companhia das Letras; 576 páginas; 52 reais) – A "cidade pequena" referida no título é nada menos do que Nova York. Não é a única ousadia desse thriller policial com doses de erotismo: a história tem como pano de fundo os atentados de 11 de setembro de 2001. Depois dos ataques terroristas, a cidade é abalada por uma série de assassinatos que envolvem uma curiosa galeria de personagens: o faxineiro gay, a marchande sadomasoquista, o escritor esquecido que passa a ser disputado pelas editoras quando se torna o principal suspeito dos crimes. Rematado artífice das tramas policiais, Block consegue cruzar a trajetória de todos esses personagens na sua cidade pequena. Leia trechos.

 

TELEVISÃO


Divulgação
Trump: exuberante em O Aprendiz


O Aprendiz
(quartas-feiras, às 21h, no People+Arts) – O reality show O Aprendiz foi a maior surpresa da televisão americana nos últimos tempos. A razão do sucesso está em seu âncora: o bilionário Donald Trump, figura polêmica que foi um ícone do capitalismo americano nos anos 80. Com seu estilo exuberante e seu penteado impagável, o empresário comanda uma gincana que satiriza a luta para ser bem-sucedido no mundo das corporações. Os dezesseis participantes disputam um emprego numa de suas empresas, com salário anual de 250.000 dólares. A cada episódio, Trump elimina um deles com a frase que virou bordão nos Estados Unidos: "Você está demitido!". O único senão é que a exibição nacional será dublada – um verdadeiro atentado às tiradas de Trump.

 

DVDs

Charada (Charade, Estados Unidos, 1963. New Line) – Audrey Hepburn quer se divorciar, mas não terá esse trabalho: ao voltar para seu apartamento parisiense descobre que ele está vazio, e seu marido, morto. Mais precisamente, assassinado. Entram em cena um oficial da embaixada americana (Walter Matthau) e um sujeito misterioso (Cary Grant) que vira a cabeça de Audrey – porque é terrivelmente sedutor e também por causa da mania de revelar uma nova e "verdadeira" identidade a cada reviravolta. Parece um filme de Alfred Hitchcock, exceto por ser um pouco menos perverso do que o habitual na obra do inglês. Quem dirige, na verdade, é o Stanley Donen de Cantando na Chuva, que compensa sua falta de maldade com a elegância a toda prova.

Teatro da Morte (Theatre of Blood, Inglaterra, 1973. Dark Side) – O americano Vincent Prince (1911-1993) celebrizou-se por casar horror e humor em suas atuações. Nessa obra-prima do trash – aquele tipo de produto cultural que, de tão ruim, acaba se tornando bom – ele interpreta Edward Lionheart, um ator shakespeariano que se inspira nas cenas de morte das peças do bardo inglês para vingar-se dos críticos que teimam em duvidar de seu talento. Enquanto comete atrocidades, o enlouquecido Lionheart recita versos de Shakespeare – uma tortura a mais para suas pobres vítimas. Não é preciso dizer que as elaboradas vendetas tramadas pelo vilão causam mais riso que susto.

 




Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Livraria Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Livraria Leitura.
 
 
 
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