Edição 1867 . 18 de agosto de 2004

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

PT

Chá de sumiço 1
Lula deu uma ordem expressa a José Genoíno, presidente do PT: quer que Delúbio Soares, tesoureiro do partido, tome um chá-de-sumiço até o final do processo eleitoral. Para Lula, quanto menos Delúbio aparecer, melhor para o governo e para o PT.

Chá de sumiço 2
Aliás, a vida útil de Delúbio Soares na tesouraria do PT tem os dias contados. Após a eleição, ele trocará de posto na máquina petista, ocupando cargo de menor destaque.

 

GOVERNO

Tempo bom
José Dirceu e Aldo Rebelo não viraram amigos (nem há chance de isso vir a acontecer), mas é patente que se desanuviou o clima pesado entre eles.

O Brasil grande de Lula
O governo prepara uma supercomemoração de 7 de Setembro. A idéia (já ensaiada no ano passado) é desmilitarizar a data. Quem está no comando da operação é o ministro Luiz Gushiken, que na última quarta-feira reuniu um grupo para discutir o assunto. Vai ter de tudo – até um carro de Fórmula 1 de Ayrton Senna está sendo providenciado para participar de um desfile em Brasília. Estatais (Banco do Brasil, CEF e Petrobras à frente) e algumas empresas privadas já foram acionadas para colaborar.

BC? Tô fora
O Banco Central ouviu oito "não" de executivos do mercado financeiro convidados por ele para substituir Luiz Candiota na diretoria de Política Monetária do BC. A turma do mercado está morta de medo de ir para o governo por causa de possíveis devassas em seu sigilo fiscal.

Patente ideológica
Num decreto recém-publicado, o governo decidiu que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) vai aprovar os pedidos de patentes e contratos de tecnologia "de modo alinhado às diretrizes de política industrial e tecnológica aprovada pelo governo federal". Nem no Estado Novo ou na ditadura militar isso aconteceu. A questão técnica passa, assim, a ter um crivo político: o pedido de registro pode estar absolutamente correto, mas o burocrata de plantão pode cismar de analisá-lo sob o ponto de vista político.

 

O amigão de Gushiken

Givaldo Barbosa/Ag. O Globo
Palocci: mensagem na TV para tirar seu candidato do atoleiro

Antonio Palocci vive o paradoxo de ser o artífice da festejada recuperação da economia e ver seu substituto na prefeitura de Ribeirão Preto, Gilberto Maggioni, amargar o quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro. Por ele, Palocci, que não queria se meter nas eleições, abriu uma exceção: gravou na semana passada três declarações de apoio que serão incluídas no horário eleitoral de TV. A primeira delas vai ao ar já na terça-feira.

SEGURANÇA

O placar dos seqüestros
Há seis pessoas em cativeiro hoje na Grande São Paulo – duas delas crianças.

 

JUDICIÁRIO

É processo demais

Um estudo do Ministério da Justiça, que será divulgado na segunda-feira, estabeleceu um ranking de produtividade entre os juízes brasileiros. Na média, cada um julgou 1.104 processos em 2003 – ou 4,6 por dia útil. Os ministros do STF foram os mais produtivos: em média, foram 9.896 processos julgados por cada ministro em 2003. O que equivale à enormidade de 41 a cada dia útil.

 

MARANHÃO

Tentativa de trégua
Está em curso uma tentativa de trégua na brigalhada maranhense. Emissários do cacique José Sarney já conversaram com o governador José Reinaldo para que se fume o cachimbo da paz entre as partes. Quem ainda emperra a reaproximação é Roseana Sarney.

 

REFORMA AGRÁRIA

A solução de Trevisan
Luiz Dulci reúne-se nos próximos dias com Antoninho Trevisan para discutir o projeto de reforma agrária preparado pela empresa do consultor e auditor. Trevisan propõe criar um fundo que emita certificados de entrega de produtos no mercado de futuros. O dinheiro seria usado para financiar associações de assentados que teriam de pagar pela terra para ter direito à propriedade. Lula já leu o projeto e gostou.

 

ECONOMIA

Mercadante e os bancos
O senador Aloizio Mercadante apresentará nos próximos dias um projeto de lei destinado a provocar polêmica junto aos bancos. Pelo projeto, os empregados passam a escolher o banco em que seu salário será depositado pelas empresas, acabando assim, segundo o senador, com a "reserva de mercado" dos bancos. Seu objetivo é acirrar a concorrência bancária e forçar a diminuição dos spreads.

Reviravolta no Cade
Os humores mudaram e hoje o mais provável é que a fusão entre a Nestlé e a Garoto não seja mais aprovada pelo Cade.

 

PF

Sai de baixo
Vem aí, nos próximos dias, uma nova megaoperação da Polícia Federal destinada a causar muito barulho.

 

O Garoto Bombril sai do ar depois de 26 anos


W/Brasil
Moreno: em seu lugar, representantes das minorias

O personagem mais longevo e mais bem-sucedido da história da propaganda brasileira vai morrer nos próximos dias. Na quinta-feira vai ao ar o comercial de despedida do Garoto Bombril, imortalizado pelo ator Carlos Moreno. À sua maneira tímida e desajeitada, ele tranqüilizará as donas-de-casa: "Não se preocupem, fiz um bom pé-de-meia". A decisão de "matá-lo" é de Washington Olivetto, que o criou (junto com Francesc Petit), em 1978. Olivetto sempre sonhou que o adeus fosse dado com sua criatura no auge. E avaliou que o momento é este. Dois exemplos: a Bombril tem 87% do mercado, apesar de toda a crise por que passa a empresa. E o Garoto Bombril, mesmo há dezoito meses fora do ar, foi considerado um dos cinco comerciais mais lembrados, numa pesquisa feita em julho. Com a responsabilidade de substituí-lo, virá uma bem-humorada série de seis comerciais com representantes de minorias.

 

Colaboraram Eduardo Salgado e Otavio Cabral

 





Foto: Ana Araujo
 
 
 
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