Edição 1867 . 18 de agosto de 2004

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Cartas

 

"O PT, outrora guardião de todas as virtudes, tenta salvar o cargo do explicador-mor da República petista."
Luiz Thadeu Nunes e Silva
São Luís, MA


Henrique Meirelles

Tenho visto de tudo neste país. Mas o que eu nunca vi foi um executivo brasileiro chegar a presidente de um dos maiores bancos do mundo. Alguém renunciar ao mandato de deputado federal, para o qual se gasta uma pequena fortuna, logo após ser eleito. Nunca vi alguém assumir um cargo no governo tão complexo, para ganhar uma pequena cifra do que ganhava anteriormente. Nunca vi alguém ser denunciado por transações financeiras em que se sabe de fonte fidedigna que a origem do dinheiro é o trabalho remunerado e não o Estado. A rigor, nunca vi um presidente do Banco Central mais bem-intencionado e competente, e talvez esse seja seu maior e verdadeiro crime ("Muito além da crise", 11 de agosto).
Telmo Cerzósimo
Balneário Camboriú, SC

Essa matéria de capa foi motivo de tantas discussões nestes últimos dias que até confunde. Mas ficou claro para todos sua postura de soberbia, a ponto de em suas entrevistas passar a impressão de que está fazendo um favor ao país ocupando o cargo de presidente do Banco Central. Acredita que sendo uma pessoa vitoriosa na vida privada é desnecessário explicar-se sobre "mixarias" da ordem de 32 000 reais ou 50 000 em dólares para quem é possuidor de uma fortuna calculada em milhões de dólares. Errado, pois quem faz "rolos" em tostões também pode fazê-los em milhões, por isso mesmo é sua obrigação explicar-se até exaurir toda e qualquer dúvida. Ele, como qualquer servidor pago pelo contribuinte, está obrigado a prestar contas quando solicitado. Desde o simples gari de prefeitura ao presidente da República.
Laércio Zanini
Garça, SP

A explicação do senhor Meirelles sobre a conta bancária no Goldman Sachs, aberta e fechada em 2002, é totalmente questionável. Conforme o Manual de Preenchimento do Imposto de Renda – Pessoa Física 2003, às páginas 39/40, referente ao ano-base 2002, hoje denominado ano-calendário, o contribuinte estava obrigado a declarar os bens e direitos (no país ou no exterior) adquiridos e alienados em 2002, ou seja, no mesmo ano, conforme orientação ali contida. Dessa forma, enganaram-se o senhor Meirelles e o tributarista consultado por VEJA, cujo nome não foi divulgado. No entanto, o engano não reduz a oportunidade nem o brilho da reportagem. Parabéns.
José Roberto Robazza
Técnico em tributação
São Carlos, SP

Já que para Lula "et caterva" não interessa, pelo menos para o povo brasileiro seria de grande valia saber se o senhor Meirelles pagou o imposto de transmissão sobre bens imóveis (ITBI), devido pela aquisição do terreno de 1 centavo de real, registrado no cartório somente nove anos depois de tê-lo adquirido. É que, após passados mais de cinco anos, os espertos que escondem do Fisco a transação celebrada em caráter particular tentam depois na Justiça se livrar do pagamento daquele tributo, alegando caducidade do direito do Erário de cobrá-lo. Como a matéria não está pacificada na jurisprudência e sobre ela os juristas estão divididos, não são poucos os magistrados que têm dado guarida àquela ladina alegação. Será que o senhor Meirelles usou dessa manobra?
Paulo Araújo
Auditor do Tesouro Municipal
Recife, PE

Claro que Henrique Meirelles tem salvação. Antes dele salvamos Benedita (Caso Argentina), Berzoini (Anciãos), Zé Dirceu (Caso Waldomiro). Salvamos até "vampiros". Por que iríamos dar as costas a Casseb e Meirelles? Nosso estoque de bóias é muito grande. Cá entre nós, já pensou se isso ocorresse no governo FHC? Eu não queria estar por perto.
Antonio Carlos Ribeiro
Vitória da Conquista, BA

 

Conselho Federal de Jornalismo

O regime de força (ou aquele que pretende sê-lo) precisa calar aqueles que podem criticá-lo, confrontá-lo ou punir seus favoritos. A história mostra que primeiramente se avança sobre a imprensa e, a seguir, sobre o Judiciário. Com relação ao Judiciário, um bom começo é o controle externo, agregado ao impedimento de investigações pelo Ministério Público, mais a "lei da mordaça". Para a imprensa, o bom começo é o projeto que o governo acabou de mandar ao Congresso Nacional propondo a criação do Conselho Federal de Jornalismo. Como se percebe, apenas se inverteu aqui a ordem de ataque, primeiro sobre o Judiciário independente e a seguir sobre a imprensa livre. Vamos ver se finalmente a imprensa começa a perceber que, para ser livre, necessita de um Judiciário independente.
Manoel Justino Bezerra Filho
Juiz do 1º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo e professor universitário
São Paulo, SP

É inacreditável que o PT, num passado recente tão crítico e denuncista, agora queira colocar mordaça na imprensa. Quem não se lembra do caso Eduardo Jorge, alimentado por muitos anos pelo procurador Luiz Francisco e pelo PT e que até agora não provou nada, apenas fazendo com que o acusado pedisse demissão do cargo que ocupava? Tentaram inclusive envolver o presidente Fernando Henrique, tendo sido pedido até seu impeachment. É triste ver o presidente Lula e o ministro José Dirceu, que tiveram problemas no período revolucionário, partir agora para a censura e criticar a oposição, achando que as acusações ao senhor Meirelles são simplesmente questões eleitoreiras.
José Roberto Evangelista Marques
Santos, SP

Com esse projeto de lei encaminhado ao Congresso, a censura poderá voltar. Só nos restará a possibilidade de elogiar o governo, pois o mesmo não tem humildade suficiente para escutar algumas verdades. Liberdade aos jornalistas!
Alex Vilanova
Por e-mail

 

Carly Fiorina

Excelente a entrevista da presidente da HP, Carly Fiorina (Amarelas, 11 de agosto). Ela nos mostra que o caminho das pedras é o empreendedorismo, a educação e que o sucesso vem principalmente para as pessoas que mantêm o foco nas oportunidades. A maioria mantém o foco em suas limitações e por conseqüência não consegue nada. O passatempo nacional é falar de crises, de coisas negativas e de violência. É mais fácil dar tiro no dedão que na Lua.
Gilclér Regina
Maringá, PR

Na entrevista com Carly Fiorina é citada a importância de criar um ambiente propício aos negócios. Esse ambiente que envolve transparência e integridade deve ainda estar baseado no mérito. Isso é tudo o que o governo do presidente Lula não aplica na administração do país. Ou indicar sindicalistas sem conhecimento ou competência para gerir a coisa pública é algo baseado na meritocracia?
Edivelton Tadeu Mendes
São Paulo, SP

 

Lya Luft

Diz-se que Chico Buarque entende, como ninguém, a alma feminina. Lya Luft, em seu Ponto de vista "Para honrar um pai" (11 de agosto), passou a ser o Chico da alma masculina. Parabéns a VEJA por manter uma mulher desse nível intelectual.
Lenisio Bragante
Professor do curso médico da UFPB
João Pessoa, PB

Fantástico artigo. Cheguei a me emocionar com o conteúdo, pois lutei muito para ter a guarda de meu filho de 2 anos, pelo qual sou completamente apaixonado. Sofri todo tipo de humilhação e perseguição, mas graças a Deus consegui. Sou um pai que lava, passa, cozinha, troca fraldas. Faço todas as tarefas que uma mãe faz e conciliei meu horário de trabalho com minha vida em geral para ficar totalmente disponível para meu filho e poder educá-lo. Agradeço a Deus quando leio escritos como esse da senhora Lya Luft e vejo que existe a possibilidade de essa realidade antiquada mudar, pois a imagem do pai apenas provedor está caindo por terra.
Eduardo Almeida
Por e-mail

Com clareza, Lya Luft definiu a importância da mulher-mãe ao introduzir junto aos filhos o amor, a ternura e o carinho do homem-pai. Foi um bálsamo para aqueles pais que se vêem afastados do amor de seus filhos pela inabilidade de algumas mulheres.
Virgilio Ometto Filho
São Paulo, SP

 

Sérgio Abranches

O artigo "O debate errado" (Em foco, 11 de agosto), de Sérgio Abranches, traduz a triste realidade nacional, em que a busca do imediatismo e da vantagem pessoal prevalece em detrimento do bem comum. Estas duas frases do articulista são lapidares: "A sociedade está perdendo as referências. Transgride regras elementares de convivência sem atentar para o dano coletivo que este comportamento traz". Conviria acrescentar que os que mais transgridem são os que deveriam zelar pelas leis, pelas normas, pela ética e pela moral. Como conseqüência, levam os demais cidadãos a emulá-los e a ter a certeza da impunidade. Talvez aí esteja a solução. Acabar com a impunidade fazendo a lei valer para todos. Poderemos dar um passo importante nas próximas eleições escolhendo candidatos com perfil de estadista, e não de demagogo-populista.
Pedro Gärtner
Rio de Janeiro, RJ

 

Ecoterrorismo

Engraçado: enquanto uns são extremos na tentativa de salvar qualquer tipo de vida animal ("A ameaça dos ecoterroristas", 11 de agosto), outros aparecem orgulhosos de matar animais por puro prazer ("Saindo do armário", 11 de agosto). Só posso lamentar não ter coragem para me tornar uma ecoterrorista, pois matar por prazer é simplesmente repugnante. Prova indiscutível de ignorância e crueldade. Numa época marcada por violência e devastação excessivas, esse tipo de pensamento (e comportamento) é tudo aquilo que estamos lutando para mudar.
Paola Ramazzotti
São Paulo, SP

 

Temporada de caça

Ao contrário do que se pensa, a proibição legal da caça gera o que temos hoje no Brasil: a extinção de espécies induzida por lei aparentemente protecionista. Como o Estado não consegue fiscalizar e ninguém se beneficia desses recursos, o caçador ilegal e furtivo está livre para agir. A fórmula para mudar essa situação é simples: implica a partilha das receitas. As taxas pagas pelos usuários, leia-se caçadores, são divididas entre o Estado, os operadores e as comunidades. Com isso, o governo pode investir mais na conservação dos ecossistemas; as agências de turismo, clubes de caça e donos de fazendas operam atividades lucrativas; e a população local (indígena ou não) recebe recursos necessários para melhorar de vida ("Saindo do armário", 11 de agosto).
Ivon Pires Filho, advogado
Consultor jurídico internacional da FAO/ONU
Recife, PE

Cumprimento VEJA por abordar a questão da caça amadora praticada no Rio Grande do Sul. Reafirmo minha posição de que a gestão científica realizada pelo Ibama, pela Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e pelo Grupo de Gestão de Fauna da Universidade Federal do Rio Grande do Sul encontra-se em patamares internacionais, únicos na América do Sul. Infelizmente a caça devidamente monitorada e regulamentada ainda segue submetida ao cerco permanente de pseudo-ecologistas urbanos, que não entendem a necessidade de utilizar racionalmente esse recurso natural e auto-sustentá-lo.
Alvaro Mouawad
Diretor executivo da Sociedade Brasileira para Conservação da Fauna
Porto Alegre, RS

 

PSL

A propósito da nota "Como se fosse novo" (Holofote, 4 de agosto), assinalo que o Partido Social Liberal (PSL) integra o quadro político brasileiro desde 1998 e atua em todas as unidades da Federação, devidamente reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral. Se somos inspiração para o "rejuvenescimento" de outra sigla, no caso o Partido da Frente Liberal (PFL), isso nos honra e nos enche de orgulho.
Emmanuel Gayoso
Presidente do PSL
Recife, PE

 

Diogo Mainardi

Rezo para que nenhum atleta olímpico brasileiro leia o artigo "As Olimpíadas do Pateta" (11 de agosto), de Diogo Mainardi. Tamanha insensibilidade não merece nenhuma atenção dos valorosos atletas nacionais, num momento tão importante da carreira deles.
Fábio Alexandre Pereira
Curitibanos, SC

O texto de Diogo Mainardi é impecável e retrata a realidade de forma irônica porém verdadeira. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi o novo visual. Até que enfim trocaram aquela foto antiga, de cara mal-humorada e cabelo fora de moda. Afinal, vemos que ele, além de talentoso, é um gato.
Víviam Zanoni Borré
Cariacica, ES

 

Eleições

VEJA em sua edição passada afirma que o candidato Paulo Maluf "mudou quatro vezes de partido antes de aterrissar no PP" ("Todos contra Marta", 11 de agosto). Maluf sempre esteve no mesmo partido conservador criado pelos golpistas de 64: a Arena, que apenas mudou de nome ao longo dos anos, primeiro para PDS, depois para PPR, a seguir para PPB e, finalmente, para PP.
Jayme Serva
São Paulo, SP

 

Guia

Sobre a reportagem "Bagagem na medida" (Guia, 11 de agosto), cabem uma retificação e algumas informações adicionais. A multa para excesso de bagagem nas companhias aéreas é de 1% do valor da passagem na classe econômica, e não na executiva. Fogos de artifício não podem ser transportados em vôos comerciais nem como bagagem despachada por ser explosivos. Para o transporte de armas, existe um compartimento especial na aeronave, nos casos em que há autorização e são cumpridas exigências da companhia aérea.
Naomi Nakamura
naomi703@ig.com.br

 

VEJA Especial Olimpíadas

Parabéns, senhores editores, pela bela edição (Especial Olimpíadas, agosto de 2004)! Valeu, VEJA! Sou assinante há mais de dez anos e fico feliz quando a revista traz na capa a figura de negros. Pude acompanhar quanto lutaram para ganhar esse espaço. Que bom seria vê-los brilhar conquistando mais espaços nesta sociedade brasileira carente de "modelos" negros em destaque não só no esporte mas em todos os âmbitos sociais.
Sandra Gonçalves
Marília, SP

 

CORREÇÕES: O congresso que discutirá o tema abordado na matéria "Feito sob medida" (11 de agosto) é o Congresso Paulista de Infectologia, e não o brasileiro, como foi publicado. O Projeto Portinari identificou 475 obras falsas no processo de elaboração do Catálogo Raisonné do artista, que inclui 4 991 obras ("Portinari por inteiro", 11 de agosto). Os casos em estudo somam 45.

 

A FATALIDADE DO TUBARÃO

Depois de ler a reportagem "O terrorismo da pobreza" (11 de agosto), que mostra como as fatalidades que se abatem sobre o Terceiro Mundo causam mais vítimas que aquelas ocorridas nos países desenvolvidos, o leitor Marcelo Szpilman, biólogo e diretor do Instituto Ecológico Aqualung, observou: "Será que as fatalidades dos ataques de tubarão que eventualmente ocorrem no litoral de Pernambuco podem também ser correlacionadas?". Ele mesmo fornece a resposta: "Na Flórida, entre 1990 e 2003, houve 311 ataques de tubarão, com três mortes (índice de fatalidade de 1%). Nesse mesmo período, no litoral de Pernambuco ocorreram 39 ataques, com treze mortes (índice de fatalidade de 33%, sendo de 36% na Praia de Boa Viagem, no Recife)". Szpilman compara esses índices com a média mundial, de 12%, e constata que o Recife tem a maior taxa de fatalidade do mundo. E conclui, reforçando a tese da reportagem de VEJA: "Ainda que existam outros fatores influenciando essa estatística macabra, já se sabe perfeitamente que na maioria dos casos a diferença entre a vida e a morte da vítima de ataque de tubarão está na agilidade do resgate e no correto e eficiente atendimento de primeiros socorros. Significa disponibilidade de recursos e infra-estrutura".

 

OS TRIBUTOS COBRADOS NO BRASIL


A "Relação dos tributos cobrados no Brasil", que aparece na foto publicada nas páginas 44 e 45 de VEJA ("Sobra pouco dinheiro...", 28 de julho), despertou o interesse de uma dezena de leitores. Roberto Mateus Ordine, diretor superintendente da Distrital Centro da Associação Comercial de São Paulo, informa que "a foto publicada na reportagem é do Feirão de Impostos, exposição promovida pela Associação Comercial de São Paulo no Pátio do Colégio". No site www.acsp.com.br há outras informações sobre o feirão. Júlio César Zanluca, leitor de Curitiba, indica aos interessados no assunto o link www.portaltributario.com.br/tributos.htm, que relaciona os tributos que atingem o brasileiro.

 

O SINGLE DIGITAL


Luiz Carlos Assis Iasbeck, professor da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília, e outros catorze leitores estranham a informação de que o cantor sertanejo Ralf Richardson da Silva "reinventou" o disco single ("A invenção de Ralf", 4 de agosto). "A fim de dar os créditos a quem realmente merece, informo que a idéia de fazer um CD single, com quatro músicas a preço baixo, é da banda Exxotica (www.exxotica.com.br), que, em agosto de 2003, lançou o primeiro CD do gênero, a 2,99 reais. O apelo da época era justamente o mesmo de que o gênio caipira Ralf se apropriou como sendo dele: abaixo a pirataria", escreveu Iasbeck. A idéia pode ter sido adotada anteriormente pela banda citada pelos leitores, mas infelizmente para eles a patente foi requerida por Ralf.

 
 
 
 
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