BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2017

18 de julho de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Contexto
Holofote
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Livros
Sabor do tempo

Um passeio pela história da boa mesa,
nas crônicas do jornalista J. A. Dias Lopes


Jerônimo Teixeira

 
Roberto Setton
Dias Lopes: da massa de 4 000 anos aos sundaes de Elvis Presley

VEJA TAMBÉM
Exclusivo on-line
Trecho do livro

Em sua campanha no Egito, Napoleão encontrou tempo para uma frase de efeito diante dos monumentos mais famosos do lugar: "Do alto dessas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam", teria dito aos seus soldados. Ele não precisaria viajar tão longe. Houvesse parado na Itália para uma excursão gastronômica, e não militar, Napoleão teria quatro milênios de história no prato de macarrão ou espaguete: uma das crônicas de A Rainha que Virou Pizza (Companhia Editora Nacional; 368 páginas; 42 reais) fala justamente de um fio de massa encontrado em uma escavação arqueológica em Lajia, na China, cuja idade estimada é de 4 000 anos. O livro do jornalista J. A. Dias Lopes – diretor de redação da revista Gula, colunista gastronômico do jornal O Estado de S. Paulo e ex-editor de VEJA – é um saboroso passeio por milênios de história culinária.

Publicados originalmente em Gula e no Estado de S. Paulo, os textos do livro foram organizados cronologicamente, compondo uma espécie de painel histórico informal (o mesmo formato, aliás, de outro livro do autor, A Canja do Imperador). Os temas vão da evolução dos talheres aos hábitos alimentares de figuras históricas como o rei inglês Henrique VIII (cuja cintura chegou a ter mais de 1,5 metro de diâmetro) ou de celebridades como Elvis Presley (outro glutão, que só comia porcarias calóricas como cachorro-quente e sundae). Cada crônica é acompanhada de uma receita que lhe diz respeito. O texto sobre Sarah Bernhardt (gourmet refinada e caloteira inveterada, pois nunca pagava a conta dos restaurantes nos quais jantava), por exemplo, traz a receita de codornas que ganhou o nome da legendária atriz francesa. Caso semelhante é o da pizza margherita, criada pelo pizzaiolo Raffaele Esposito em homenagem a Margherita di Savoia, a rainha que virou pizza do título. Os ingredientes da cobertura – manjericão, mozzarella e tomate – prestam homenagem às cores da bandeira italiana, verde, branco e vermelho.

Escritores, artistas, reis e políticos desfilam suas preferências pelo livro. O presidente Juscelino Kubitschek era fã de baba-de-moça, doce que também fazia as delícias da princesa Isabel e do escritor José de Alencar. O último texto da coletânea examina os gostos de Bento XVI. Por muito tempo fiel ao apfelstrudel, sobremesa típica de sua Alemanha natal, feita com maçã, o papa acabou se rendendo ao italiano tiramisù. A Rainha que Virou Pizza demonstra que, além de deliciar o paladar, a boa mesa pode estimular o cérebro.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |