Os videogames estão
aí há tanto tempo que já foram incorporados
pelas famílias e, a bem da verdade, divertem pais e
filhos. Já a rapidez e a naturalidade com que as meninas
passaram a brincar de casinha na internet ainda desorientam
muitos pais. Os sites com bonecas virtuais estão entre
os dez mais visitados pelas crianças brasileiras, segundo
pesquisa do Ibope//NetRatings. Só a Mattel, fabricante
da Barbie e da Polly, duas das bonecas mais populares, mantém
três sites em português. Há vários
com personagens que só existem on-line e muitas páginas
com a mesma finalidade dentro de outros sites. Existe também
uma infinidade de sites americanos, como o Cartoon Doll Emporium,
mas uma parte deles cobra para dar acesso amplo.
O faz-de-conta
com bonecas, com a menina representando o papel de mãe
ou professora, é uma experiência universal. Ao
brincar com uma boneca, ela costuma repetir aquilo que observa
a mãe fazendo na rotina diária. Tirar e colocar
a roupa da boneca, aprender a escolher cores e modelos, a
pentear o cabelo e a pintar as unhas é uma forma de
se preparar para a vida adulta. Na internet, o fascínio
da brincadeira é o mesmo, o que muda é a forma
de fazê-lo. Uma vantagem é a variedade de roupas
e acessórios disponíveis on-line, muito além
do que qualquer menina pode ter em casa. Apesar de possuir
a lanchonete, a loja esportiva, o salão de beleza e
incontáveis roupinhas da Barbie, a carioca Clara Alexandre
Nader, 9 anos, prefere brincar com a boneca na tela do computador.
"Dá para montar uma pessoa diferente a cada momento,
como uma boneca igual a mim ou à minha mãe",
diz a menina.
Oscar Cabral
BARBIES
GUARDADAS
Dona de variados acessórios para bonecas, Clara
Nader, de 9 anos, prefere a versão virtual: "Posso
criar a boneca do jeito que eu quero"
Quando brinca de boneca com as amiguinhas, uma menina avança
no seu aprendizado social. Uma brincadeira de computador é,
obviamente, mais solitária. Mas nem por isso menos
estimulante. A "casinha" on-line também exige inventividade
e participação efetiva da criança. "A
intimidade com a tecnologia que ela ganha ao brincar na internet
é um fator positivo", diz a pedagoga carioca Tania
Zagury, autora do livro Educar sem Culpa. "A brincadeira
on-line e a tradicional são complementares. Cabe aos
pais dosar o tempo dedicado a cada uma delas", aconselha.
É o que faz a publicitária paulistana Nancy
Raimundo, mãe de Ana Beatriz, de 9 anos. Todos os dias,
a menina coloca um relógio ao lado do computador e
visita os sites Dolls, Disney e Polly. Ao fim de trinta minutos,
ela desliga o aparelho e vai fazer outras coisas. Vale até
brincar com bonecas de verdade.