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18 de julho de 2007
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Especial
O faz-de-conta das
bonecas virtuais

Meninas descobrem nova e fascinante "casinha" na internet


Denise Dweck

Lailson Santos
TEMPO CONTADO
Por decisão da mãe, Ana Beatriz, 9 anos, só pode brincar nos sites de bonecas trinta minutos por dia, cronometrados no relógio

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Os videogames estão aí há tanto tempo que já foram incorporados pelas famílias e, a bem da verdade, divertem pais e filhos. Já a rapidez e a naturalidade com que as meninas passaram a brincar de casinha na internet ainda desorientam muitos pais. Os sites com bonecas virtuais estão entre os dez mais visitados pelas crianças brasileiras, segundo pesquisa do Ibope//NetRatings. Só a Mattel, fabricante da Barbie e da Polly, duas das bonecas mais populares, mantém três sites em português. Há vários com personagens que só existem on-line e muitas páginas com a mesma finalidade dentro de outros sites. Existe também uma infinidade de sites americanos, como o Cartoon Doll Emporium, mas uma parte deles cobra para dar acesso amplo.

O faz-de-conta com bonecas, com a menina representando o papel de mãe ou professora, é uma experiência universal. Ao brincar com uma boneca, ela costuma repetir aquilo que observa a mãe fazendo na rotina diária. Tirar e colocar a roupa da boneca, aprender a escolher cores e modelos, a pentear o cabelo e a pintar as unhas é uma forma de se preparar para a vida adulta. Na internet, o fascínio da brincadeira é o mesmo, o que muda é a forma de fazê-lo. Uma vantagem é a variedade de roupas e acessórios disponíveis on-line, muito além do que qualquer menina pode ter em casa. Apesar de possuir a lanchonete, a loja esportiva, o salão de beleza e incontáveis roupinhas da Barbie, a carioca Clara Alexandre Nader, 9 anos, prefere brincar com a boneca na tela do computador. "Dá para montar uma pessoa diferente a cada momento, como uma boneca igual a mim ou à minha mãe", diz a menina.

Oscar Cabral
BARBIES GUARDADAS
Dona de variados acessórios para bonecas, Clara Nader, de 9 anos, prefere a versão virtual: "Posso criar a boneca do jeito que eu quero"


Quando brinca de boneca com as amiguinhas, uma menina avança no seu aprendizado social. Uma brincadeira de computador é, obviamente, mais solitária. Mas nem por isso menos estimulante. A "casinha" on-line também exige inventividade e participação efetiva da criança. "A intimidade com a tecnologia que ela ganha ao brincar na internet é um fator positivo", diz a pedagoga carioca Tania Zagury, autora do livro Educar sem Culpa. "A brincadeira on-line e a tradicional são complementares. Cabe aos pais dosar o tempo dedicado a cada uma delas", aconselha. É o que faz a publicitária paulistana Nancy Raimundo, mãe de Ana Beatriz, de 9 anos. Todos os dias, a menina coloca um relógio ao lado do computador e visita os sites Dolls, Disney e Polly. Ao fim de trinta minutos, ela desliga o aparelho e vai fazer outras coisas. Vale até brincar com bonecas de verdade.

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