Policarpo Junior,
que assume a chefia da sucursal de Brasília a partir
desta semana, é um dos jornalistas mais felizes naquela
especialidade mágica do jornalismo que no futebol equivale
ao gol. Fala-se aqui do furo, a obtenção da
informação exclusiva e relevante que muda o
rumo da vida política nacional. Aliás, Junior,
42 anos, casado, pai de três filhos, queria mesmo era
ser jogador de futebol. Isso foi antes de se decidir pelo
jornalismo, carreira que começou no rádio, com
breve passagem pela televisão, até vir para
VEJA em 1989. Até hoje, de vez em quando, Junior lamenta
não ter seguido a carreira nos gramados. Garante que,
com a explosão dos preços dos passes dos craques,
hoje estaria rico. Nenhum amigo acredita.
No campo do jornalismo,
Junior marcou tantos golaços que é difícil
fazer um retrospecto. Foi dele a reportagem que, em 1993,
derrubou toda a Comissão de Orçamento e provocou
um terremoto que varreu os parlamentares corruptos reunidos
sob a alcunha adequada de "Anões do Orçamento".
No governo de Fernando Henrique Cardoso, Junior levantou os
fatos do "Caso Marka", em que banqueiros de investimento obtiveram
informação privilegiada sobre a desvalorização
do real. Mais tarde, revelaria que a Abin de FHC bisbilhotava
a vida de adversários políticos. No governo
Lula seu primeiro grande tento foi a reportagem-resumo da
corrupção oficial, aquela em que um alto funcionário
dos Correios aparece em uma fita de vídeo embolsando
uma propina. É também de Policarpo Junior a
entrevista gravada em que um militante revela como transportou
dólares vindos de Cuba para a campanha petista em 2002.
O "Renangate" começou há seis semanas com uma
reportagem de Junior sobre as relações de Renan
Calheiros com um lobista.
Junior substitui
um profissional extraordinário, André Petry,
45 anos, cinco filhos. Gaúcho de Arroio Grande, Petry,
exceto por um curto intervalo, está em VEJA desde 1990.
Como editor de Política em São Paulo, coordenou
as apurações que levariam ao impeachment do
presidente Fernando Collor. Petry, uma encarnação
do bom senso, chefia a sucursal de Brasília há
dez anos. Enquanto se prepara para vôos mais altos e
continua escrevendo sua coluna em VEJA, será editor
especial da revista.