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Edição 1 709 - 18 de julho de 2001
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LIVROS

Punhalada no Escuro, de Lawrence Block (tradução de Maria Helena Rodrigues de Souza; Companhia das Letras; 194 páginas; 24,50 reais) – Autor de quase cinqüenta novelas, romances e livros de contos, Lawrence Block é um dos grandes nomes da literatura policial americana. Ele escreve aquelas histórias de mistério feitas para ler de uma tacada só, sem grandes pretensões. Só que Block tem um diferencial: poucos escritores do ramo souberam criar personagens tão marcantes. O principal deles é o hilário detetive nova-iorquino Matthew Scudder, protagonista de Punhalada no Escuro. Trata-se de um investigador calhorda, que consome uísque como água, é grosseiro com as mulheres e tem o péssimo hábito de pagar propina aos tiras que lhe arranjam serviços – nesse caso, solucionar o brutal assassinato de uma garota.

América – Clássicos do Conto Norte-Americano, de vários autores (tradução de Celso M. Paciornik; Iluminuras; 256 páginas; 39 reais) – Entre meados do século XIX e início do século XX, escritores americanos como Edgar Allan Poe e Henry James ajudaram a definir a feição daquilo que viria a ser o conto contemporâneo. Essa coletânea tem o mérito de recuperar relatos curtos produzidos no período, alguns de escritores pouco conhecidos por aqui, como o naturalista Sherwood Anderson. Mas há também textos famosos de autores célebres, a começar por James e Poe. Jack London, do clássico juvenil Caninos Brancos, está representado com O Pagão. Já Herman Melville, criador de Moby Dick, comparece com Benito Cereno. Há algumas falhas de revisão no livro. Mas elas não comprometem o resultado final.

Rubaiyat, de Omar Khayyam (tradução de Manuel Bandeira; Ediouro; 148 páginas; 20 reais) – Os poemas em forma de quadra escritos no século XI pelo poeta persa Omar Khayyam – conhecidos como "rubaiyats" – compõem uma das obras mais populares da literatura árabe. Ao longo dos séculos, o Ocidente produziu inúmeras versões desses textos. A opção do grande modernista brasileiro Manuel Bandeira foi manter-se o mais fiel possível à musicalidade e à simplicidade presentes no original. A bela edição dos 170 poemas agora sai num colorido volume com capa dura e papel de boa qualidade. Para sintetizar o bucolismo e a sensualidade dos versos de Khayyam, nada melhor do que recorrer a uma de suas quadras amorosas: "Mas tantas rosas me consolam, / Tantos lábios se me oferecem! / Deixa o teu alaúde, as aves / Começam a cantar, querida...".

 

DISCOS

The Gunman and Other Stories, Prefab Sprout (EMI) – O compositor inglês Paddy McAloon, líder do Prefab Sprout, é um aficionado da cultura de massa americana. Ele já batizou um disco de sua banda de Steve McQueen, em homenagem ao ator famoso, e compôs canções dedicadas a Elvis Presley e Frank Sinatra. No novo CD do grupo, ele flerta com a cultura caipira dos Estados Unidos. O autor de When Love Breaks Down, uma das grandes baladas dos anos 80, se entrega aos banjos, steel guitars e àquela melancolia típica dos caubóis do Texas. A maioria das canções foi escrita para um seriado da TV inglesa sobre um pistoleiro. O programa não vingou, mas McAloon lançou o CD mesmo assim, com pepitas como I'm a Troubled Man.

Dear Louis, Nicholas Payton (Universal) – O mito Louis Armstrong acaba de ganhar outra homenagem. Dessa vez, seu autor é o jovem trompetista Nicholas Payton, de 27 anos. Dear Louis traz algumas das principais canções de Armstrong. Payton, no entanto, evitou recriar os arranjos originais. Colocou idéias novas em clássicos como Hello, Dolly (que g0anhou uma batida bossa nova) e incrementou as celebradas Potato Head Blues e Mack the Knife. O disco, que conta com a colaboração da vocalista Dianne Reeves e do pianista Dr. John, ainda traz uma composição do próprio Payton – a canção-título, que faz jus ao talento do homenageado.

Divulgação
Payton: homenagem a Armstrong

 

TELEVISÃO

Mae, em Santa Não Sou: impagável

Reis do Riso (segunda a domingo, às 22h, no Telecine Classic) – O ciclo traz sete comédias de estilos bem diferentes, produzidas na época do cinema em preto-e-branco. Na segunda, a pedida é Os Gênios da Pelota, com os irmãos Groucho, Chico, Harpo e Zeppo Marx. Em Santa Não Sou, programado para terça, a impagável Mae West faz par romântico com Cary Grant. O pacote inclui ainda sucessos de O Gordo e O Magro (Paixonite Aguda, quarta), W. C. Fields (O Turbulento, quinta), Bob Hope (Castelo Sinistro, sexta) e Jack Benny (A Tia de Carlitos, sábado). Para fechar, no domingo, a dupla Abbott e Costello satiriza os filmes de terror em Às Voltas com Fantasmas, que conta com a participação de Bela Lugosi, o mais célebre dos intérpretes de Drácula.


LITERATURA BRASILEIRA

Para Sempre
Ana Maria Machado;
Record;
159 páginas;
17 reais

Famosa por suas obras infantis, a carioca Ana Maria Machado, que acaba de receber o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, também se sai bem quando faz literatura adulta. Tanto assim que não é simples classificar seu novo livro, Para Sempre. Oficialmente, ele é o primeiro volume de uma série de novelas da editora Record sobre o tema amor. Bem pesadas as coisas, talvez seja mais correto descrevê-lo como um longo ensaio em que recursos ficcionais são empregados de maneira esperta e farta. Um tema percorre o livro de ponta a ponta: o do amor eterno. Para discuti-lo, a autora cita textos clássicos, discorre sobre eles, provoca o leitor com idéias. Mas Ana Maria também compõe, por assim dizer, seus próprios casos de estudo – personagens e situações nas quais o que está em jogo é a vida e a morte do amor. Nesse ponto vêm à tona os dotes da romancista.

Há três histórias no livro, vividas em diferentes tempos e condições sociais. Susana e Nelson se conheceram nos anos 40 e formam um casal à moda antiga: ela cuida da família, ele é o macho provedor. Antônia e Daniel se apaixonaram nos anos 70. São independentes, esclarecidos – daqueles que apreciam "discutir a relação". Finalmente, temos a doméstica Zezé e o eletricista Ewerton: com eles, o texto não fica restrito à classe média. Há passagens ficcionais excelentes, como o capítulo 5, em que Nelson explica como se apaixonou por uma moça mais nova e assim pôs a perder seu casamento. O tom de voz autoritário e as noções intrigantes de honra de homens nascidos há setenta ou oitenta anos são capturados com precisão e graça pela autora. Mas, em geral, a narrativa é a traços largos. Ana Maria freqüentemente a abandona e se volta ao leitor, para discutir um mito grego ou fazer um comentário irônico. E, como quem defende uma tese, ela até chega a uma conclusão sobre o seu tema. O amor eterno existe ou não? Para os pobres casais da história, a resposta é negativa. Mas o livro não é assim tão pessimista.

Carlos Graieb

   
 





Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.

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