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LIVROS
Punhalada
no Escuro, de Lawrence Block (tradução de Maria
Helena Rodrigues de Souza; Companhia das Letras; 194 páginas; 24,50
reais) Autor de quase cinqüenta novelas, romances e livros
de contos, Lawrence Block é um dos grandes nomes da literatura
policial americana. Ele escreve aquelas histórias de mistério
feitas para ler de uma tacada só, sem grandes pretensões.
Só que Block tem um diferencial: poucos escritores do ramo souberam
criar personagens tão marcantes. O principal deles é o hilário
detetive nova-iorquino Matthew Scudder, protagonista de Punhalada no
Escuro. Trata-se de um investigador calhorda, que consome uísque
como água, é grosseiro com as mulheres e tem o péssimo
hábito de pagar propina aos tiras que lhe arranjam serviços
nesse caso, solucionar o brutal assassinato de uma garota.
América
Clássicos do Conto Norte-Americano, de vários
autores (tradução de Celso M. Paciornik; Iluminuras; 256
páginas; 39 reais) Entre meados do século XIX e início
do século XX, escritores americanos como Edgar Allan Poe e Henry
James ajudaram a definir a feição daquilo que viria a ser
o conto contemporâneo. Essa coletânea tem o mérito
de recuperar relatos curtos produzidos no período, alguns de escritores
pouco conhecidos por aqui, como o naturalista Sherwood Anderson.
Mas há também textos famosos de autores célebres,
a começar por James e Poe. Jack London, do clássico juvenil
Caninos Brancos, está representado com O Pagão.
Já Herman Melville, criador de Moby Dick, comparece com
Benito Cereno. Há algumas falhas de revisão no livro.
Mas elas não comprometem o resultado final.
Rubaiyat,
de Omar Khayyam (tradução de Manuel Bandeira; Ediouro;
148 páginas; 20 reais) Os poemas em forma de quadra escritos
no século XI pelo poeta persa Omar Khayyam conhecidos como
"rubaiyats" compõem uma das obras mais populares da literatura
árabe. Ao longo dos séculos, o Ocidente produziu inúmeras
versões desses textos. A opção do grande modernista
brasileiro Manuel Bandeira foi manter-se o mais fiel possível à
musicalidade e à simplicidade presentes no original. A bela edição
dos 170 poemas agora sai num colorido volume com capa dura e papel de
boa qualidade. Para sintetizar o bucolismo e a sensualidade dos versos
de Khayyam, nada melhor do que recorrer a uma de suas quadras amorosas:
"Mas tantas rosas me consolam, / Tantos lábios se me oferecem!
/ Deixa o teu alaúde, as aves / Começam a cantar, querida...".
DISCOS
The
Gunman and Other Stories, Prefab Sprout (EMI) O compositor
inglês Paddy McAloon, líder do Prefab Sprout, é um
aficionado da cultura de massa americana. Ele já batizou um disco
de sua banda de Steve McQueen, em homenagem ao ator famoso, e compôs
canções dedicadas a Elvis Presley e Frank Sinatra. No novo
CD do grupo, ele flerta com a cultura caipira dos Estados Unidos. O autor
de When Love Breaks Down, uma das grandes baladas dos anos 80,
se entrega aos banjos, steel guitars e àquela melancolia típica
dos caubóis do Texas. A maioria das canções foi escrita
para um seriado da TV inglesa sobre um pistoleiro. O programa não
vingou, mas McAloon lançou o CD mesmo assim, com pepitas como I'm
a Troubled Man.
Dear
Louis, Nicholas Payton (Universal) O mito Louis Armstrong
acaba de ganhar outra homenagem. Dessa vez, seu autor é o jovem
trompetista Nicholas Payton, de 27 anos. Dear Louis traz algumas
das principais canções de Armstrong. Payton, no entanto,
evitou recriar os arranjos originais. Colocou idéias novas em clássicos
como Hello, Dolly (que g0anhou uma batida bossa nova) e incrementou
as celebradas Potato Head Blues e Mack the Knife. O disco,
que conta com a colaboração da vocalista Dianne Reeves e
do pianista Dr. John, ainda traz uma composição do próprio
Payton a canção-título, que faz jus ao talento
do homenageado.
Divulgação
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| Payton:
homenagem a Armstrong |
TELEVISÃO
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| Mae,
em Santa Não Sou: impagável |
Reis
do Riso (segunda a domingo, às 22h, no Telecine Classic)
O ciclo traz sete comédias de estilos bem diferentes, produzidas
na época do cinema em preto-e-branco. Na segunda, a pedida é
Os Gênios da Pelota, com os irmãos Groucho, Chico,
Harpo e Zeppo Marx. Em Santa Não Sou, programado
para terça, a impagável Mae West faz par romântico
com Cary Grant. O pacote inclui ainda sucessos de O Gordo e O Magro (Paixonite
Aguda, quarta), W. C. Fields (O Turbulento, quinta), Bob
Hope (Castelo Sinistro, sexta) e Jack Benny (A Tia de Carlitos,
sábado). Para fechar, no domingo, a dupla Abbott e Costello
satiriza os filmes de terror em Às Voltas com Fantasmas, que
conta com a participação de Bela Lugosi, o mais célebre
dos intérpretes de Drácula.
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LITERATURA
BRASILEIRA
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Para
Sempre
Ana
Maria Machado;
Record;
159 páginas;
17 reais
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Famosa
por suas obras infantis, a carioca Ana Maria Machado, que acaba
de receber o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira
de Letras, também se sai bem quando faz literatura adulta.
Tanto assim que não é simples classificar seu novo
livro, Para Sempre. Oficialmente, ele é o primeiro
volume de uma série de novelas da editora Record sobre o
tema amor. Bem pesadas as coisas, talvez seja mais correto descrevê-lo
como um longo ensaio em que recursos ficcionais são empregados
de maneira esperta e farta. Um tema percorre o livro de ponta a
ponta: o do amor eterno. Para discuti-lo, a autora cita textos clássicos,
discorre sobre eles, provoca o leitor com idéias. Mas Ana
Maria também compõe, por assim dizer, seus próprios
casos de estudo personagens e situações nas
quais o que está em jogo é a vida e a morte do amor.
Nesse ponto vêm à tona os dotes da romancista.
Há
três histórias no livro, vividas em diferentes tempos
e condições sociais. Susana e Nelson se conheceram
nos anos 40 e formam um casal à moda antiga: ela cuida da
família, ele é o macho provedor. Antônia e Daniel
se apaixonaram nos anos 70. São independentes, esclarecidos
daqueles que apreciam "discutir a relação".
Finalmente, temos a doméstica Zezé e o eletricista
Ewerton: com eles, o texto não fica restrito à classe
média. Há passagens ficcionais excelentes, como o
capítulo 5, em que Nelson explica como se apaixonou por uma
moça mais nova e assim pôs a perder seu casamento.
O tom de voz autoritário e as noções intrigantes
de honra de homens nascidos há setenta ou oitenta anos são
capturados com precisão e graça pela autora. Mas,
em geral, a narrativa é a traços largos. Ana Maria
freqüentemente a abandona e se volta ao leitor, para discutir
um mito grego ou fazer um comentário irônico. E, como
quem defende uma tese, ela até chega a uma conclusão
sobre o seu tema. O amor eterno existe ou não? Para os pobres
casais da história, a resposta é negativa. Mas o livro
não é assim tão pessimista.
Carlos
Graieb
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