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Edição 1 709 - 18 de julho de 2001
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]

 

O que une Garotinho e Collor

 
Sergio Dutti
Fábio Motta/Ag. Estado
Collor e Garotinho: fenômenos parecidos

O horror maior de todos os presidenciáveis é ser comparado a Fernando Collor. Não raro a comparação atinge Ciro Gomes, que solta cobras e lagartos quando ela é feita. Agora, é a vez de Garotinho. O cientista político Marcos Coimbra, da Vox Populi, uma fera na análise de pesquisas de opinião, descobriu que o perfil médio do eleitorado que sustenta o fenômeno Garotinho é o mesmo que Collor possuía um ano antes da eleição de 1989: um eleitor de classe média baixa e de periferia e pouco escolarizado. É aquele brasileiro que se entusiasma por uma mensagem de oposição difusa, do tipo "sou contra tudo que está aí".

 

TELECOMUNICAÇÕES

Grampo correndo solto

A Telecom Itália mandou fazer uma varredura telefônica em sua sede carioca. E descobriu uma escuta clandestina no ramal que atende ao departamento jurídico da empresa. Havia alguém, portanto, interessadíssimo em bisbilhotar as conversas dos advogados dos italianos. O grampo foi instalado dentro dos equipamentos da Telemar. Aliás, o Rio de Janeiro virou a capital nacional do grampo.

 

GOVERNO

Embate via e-mail

Pedro Parente e David Zylberztajn andam se estranhando. Parente não gostou das críticas feitas pelo diretor-geral da ANP, que discordou, via e-mail, da divulgação do plano B para o racionamento de energia. E disse isso ao próprio Zylberztajn. Também via correio eletrônico.

Quarentena exemplar

Quase um ano depois de deixar uma diretoria do Banco Central, Sérgio Werlang – autor dos estudos para a criação das metas de inflação levadas a ferro e fogo pelo BC – deu por encerrada sua quarentena. Está oferecendo serviços de consultoria a vários bancos. Um raro exemplo, junto com Gustavo Franco, de alguém que não deixa o BC à noite e amanhece o dia como banqueiro privado.

 

PROPAGANDA

De olho na Propeg

A britânica WPP, um dos maiores grupos mundiais da área de propaganda, botou na mesa da Propeg uma proposta para comprá-la. A Propeg, uma das dez maiores agências do país e uma das últimas ainda de capital nacional, já estudava duas outras ofertas.

 

ECONOMIA

Farra de dólares

O Banco Brascan foi acusado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, numa denúncia oferecida à Justiça na semana passada, de ter remetido ilegalmente para o exterior o equivalente a 80 milhões de dólares. A montanha de dinheiro foi amealhada no auge da desvalorização do real, em 1999. Numa palavra, trata-se do velho e sempre presente crime do colarinho-branco.

Um gigante à venda

Tem um banco estrangeiro com mandato de venda da Embratel fazendo visitas a grandes grupos de telecomunicação instalados no país. Por enquanto, um reconhecimento de terreno.

A ascensão de Agnelli

Quem conhece bem os corredores do poder no Bradesco vê na unção de Roger Agnelli à presidência da Vale do Rio Doce mais um degrau em sua escalada ao topo do bancão. O comando da supermineradora pode ser um passo importante no xadrez da sucessão de Lázaro Brandão, atual manda-chuva do Bradesco. Mas que ninguém fique ansioso: não é nada para já.

Assédio

O banco BNP anda conversando muito com a parte de gestão de recursos do Lloyds, que administra 7 bilhões de reais no país.

 

INTERNET

Huck na Globo.com

Luciano Huck fechou por 1 milhão de reais a transferência de seu site do portal Zip.Net para o Globo. com, de onde será também consultor de criação.

Cuidado com eles!

Um funcionário descontente sempre foi capaz de fazer estragos. Na era da informação, pode produzir mais prejuízos ainda – e seus patrões estão mortos de medo disso. Uma pesquisa feita pela Módulo, a maior empresa de segurança de redes do país, fez uma extensa pesquisa com altos executivos. Descobriu que 53% deles consideram os funcionários insatisfeitos como a maior ameaça à segurança da informação. Ou seja, eles poderiam estar por trás da invasão das redes de computadores das próprias companhias em que trabalham. Os hackers, tradicionais vilões da internet, aparecem em quinto lugar no estudo.

 

Percepção de gênio

Claudio Rossi

Di Genio: em cima do lance


O bem informado João Carlos Di Genio não é só o maior empresário de ensino do país. É também um sujeito de sorte. Às vésperas de o MEC baixar um decreto tirando a autonomia das universidades para oferecer novas vagas aos cursos de medicina, o que ocorreu na segunda-feira passada, ele produziu um lance de rara felicidade – para ele, bem entendido. O Diário Oficial da União publicou um aditamento a um edital de junho, que anunciava as vagas da universidade de Di Genio, a Unip, para o vestibular de 2002. Nesse complemento a Unip comunicou a criação de 1 000 vagas para os cursos de medicina em onze cidades. Medicina, aliás, é um curso que a Unip nunca oferecera aos alunos.

 

DITADURA

Amor à causa da repressão

Dois homens visitaram meses atrás o Arquivo Público do Rio de Janeiro, interessados em saber tintim por tintim tudo sobre os arquivos do Dops, que lá estão guardados. Mostraram-se preocupados com a conservação e o acesso que se estava dando aos documentos produzidos pela polícia política do Rio de Janeiro. Ao final, aparentemente aliviados, confessaram: durante anos, foram eles, policiais da repressão, que cuidaram daquele material.

 

RELIGIÃO

O surpreendente ateísmo baiano

Qual é a capital brasileira com o maior porcentual de ateus? Uma pesquisa nacional recém-saída do forno feita pelo Ibope/TGI chegou a uma resposta surpreendente. Em Salvador, com suas 365 igrejas e capital nacional do candomblé, apenas 84% acreditam em Deus. Um porcentual bem abaixo da média brasileira (90%) e da capital mais crente – Recife, onde 93% da população tem fé em Deus.



 
 


Colaborou Ronaldo França

   
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