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Desvio de rota
Os danos
para a criança
que respira só
pela boca
Alexandra
Martins
Crianças
que têm dificuldade de respirar pelo nariz e o fazem somente pela
boca estão sujeitas a problemas sérios de saúde,
embora muitos pais nem se dêem conta da ocorrência da situação.
Esse é o alerta dos médicos da primeira clínica do
país especializada no assunto, o Centro de Referência Respirador
Bucal, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São
Paulo. "Os danos decorrentes vão desde dificuldades na fala e excesso
de salivação até a presença de defeitos na
posição dos dentes e alterações faciais associadas,
passando pelo prejuízo ao desempenho escolar", explica o médico
Luc Weckx, um dos coordenadores da iniciativa. No organismo humano, em
condições normais, o ar deve transitar pelo nariz para chegar
aos pulmões. Caso isso não aconteça, o caminho passa
a ser a boca, mas o indivíduo tem de se adaptar às circunstâncias,
com alterações na posição da língua,
na firmeza do lábio, no hábito de mastigar, bem como no
encaixe dos dentes de cima com os de baixo. Os motivos que levam uma pessoa
a respirar somente pela boca são vários: rinite alérgica,
desvio de septo nasal, inflamação das amígdalas ou
a glândula adenóide avantajada. "É fundamental determinar
a causa exata para escolher o tratamento mais adequado", diz Luc Weckx.
Em cada caso, busca-se resolver o problema que está na origem.
Se for, por exemplo, a rinite, empregam-se medicamentos. Desvio de septo,
amigdalite ou adenóides exigem cirurgia. Alguns exercícios
orais também devem ser praticados. Dependendo do paciente, é
necessário o uso de aparelho ortodôntico, já que há
um redesenho da boca. No centro recém-criado, o paciente tem a
possibilidade de ser atendido por profissionais das quatro especialidades
médicas que geralmente envolvem a busca de solução:
o otorrino, o alergista, o fonoaudiólogo e o ortodontista. A dona-de-casa
Ana Lúcia Oliveira de Castro, de São Paulo, tem dois exemplos
de respirador bucal na família, os filhos Gabriel e Bárbara.
Hoje com 14 anos, Gabriel inicialmente sofria de rinite e inchaço
de adenóide. Chegou a ter rosto alongado com pele flácida,
além de má oclusão dos dentes. "Como ele não
dormia direito, o rendimento escolar ficou prejudicado, mas hoje, com
o tratamento, respira normalmente", Ana Lúcia conta.
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