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Edição 1 709 - 18 de julho de 2001
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Desvio de rota

Os danos para a criança
que respira
só pela boca

Alexandra Martins

Crianças que têm dificuldade de respirar pelo nariz e o fazem somente pela boca estão sujeitas a problemas sérios de saúde, embora muitos pais nem se dêem conta da ocorrência da situação. Esse é o alerta dos médicos da primeira clínica do país especializada no assunto, o Centro de Referência Respirador Bucal, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. "Os danos decorrentes vão desde dificuldades na fala e excesso de salivação até a presença de defeitos na posição dos dentes e alterações faciais associadas, passando pelo prejuízo ao desempenho escolar", explica o médico Luc Weckx, um dos coordenadores da iniciativa. No organismo humano, em condições normais, o ar deve transitar pelo nariz para chegar aos pulmões. Caso isso não aconteça, o caminho passa a ser a boca, mas o indivíduo tem de se adaptar às circunstâncias, com alterações na posição da língua, na firmeza do lábio, no hábito de mastigar, bem como no encaixe dos dentes de cima com os de baixo. Os motivos que levam uma pessoa a respirar somente pela boca são vários: rinite alérgica, desvio de septo nasal, inflamação das amígdalas ou a glândula adenóide avantajada. "É fundamental determinar a causa exata para escolher o tratamento mais adequado", diz Luc Weckx. Em cada caso, busca-se resolver o problema que está na origem. Se for, por exemplo, a rinite, empregam-se medicamentos. Desvio de septo, amigdalite ou adenóides exigem cirurgia. Alguns exercícios orais também devem ser praticados. Dependendo do paciente, é necessário o uso de aparelho ortodôntico, já que há um redesenho da boca. No centro recém-criado, o paciente tem a possibilidade de ser atendido por profissionais das quatro especialidades médicas que geralmente envolvem a busca de solução: o otorrino, o alergista, o fonoaudiólogo e o ortodontista. A dona-de-casa Ana Lúcia Oliveira de Castro, de São Paulo, tem dois exemplos de respirador bucal na família, os filhos Gabriel e Bárbara. Hoje com 14 anos, Gabriel inicialmente sofria de rinite e inchaço de adenóide. Chegou a ter rosto alongado com pele flácida, além de má oclusão dos dentes. "Como ele não dormia direito, o rendimento escolar ficou prejudicado, mas hoje, com o tratamento, respira normalmente", Ana Lúcia conta.

 
 
   
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