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JOÃO
PAULO DOS REIS VELLOSO
Presidente do conselho do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais
(Ibmec)
O peso terá de ser desvalorizado, sob pena de a Argentina
continuar indefinidamente em crise. A desvalorização
poderá vir dentro de dias ou semanas. O Brasil, assim como
outros países da América Latina e da Europa, já
foi afetado pela crise argentina. No curto prazo, o problema dificulta
a obtenção de financiamentos externos e o equilíbrio
do balanço de contas correntes do Brasil. A desvalorização
do peso aproximará a moeda dos dois países e criará
uma situação mais estável a longo prazo. |
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MAILSON
DA NÓBREGA
Ex-ministro da Fazenda e sócio da empresa de consultoria
Tendências, de São Paulo
O peso não será desvalorizado. Um dia o problema
terá de ser resolvido, mas não se sabe quando. No momento
do colapso argentino, se ele vier, o dólar no Brasil poderá
chegar a 3 reais, os juros futuros, que hoje estão em 25%,
poderão atingir 35%. O consumidor ficará inseguro. Mas
esse movimento não durará mais de duas semanas. O Brasil
nunca esteve tão preparado para uma crise externa como agora.
Com câmbio flutuante, o governo não precisa queimar reservas
em tempos de crise. |
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PAUL
SINGER
Professor de economia da Universidade
de São Paulo
Não será nada surpreendente se a Argentina desvalorizar
o peso. O primeiro passo já foi dado com a criação
do câmbio especial para comércio exterior. Poderá
ocorrer a qualquer momento. Logo após a desvalorização
do peso haverá uma pressão sobre o câmbio e a
taxa de juros no Brasil, mas com o tempo a situação
se acalmará. Com câmbio flutuante, a cotação
do peso em relação ao dólar deverá ficar
próxima à cotação do real em relação
ao dólar. |
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CELSO
MARTONE
Professor de economia da Universidade
de São Paulo
A desvalorização do peso pode acontecer no curto prazo
ou demorar um pouco mais. Mas antes disso a Argentina declarará
moratória de sua dívida externa. Para o Brasil, seria
melhor que a Argentina desvalorizasse logo sua moeda, pois a crise
contagia a economia brasileira, que já enfrenta problemas internos,
como a crise de energia. Uma vez que a situação brasileira
é melhor que a argentina, depois da desvalorização
do peso a economia do Brasil se recuperará rapidamente. |
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EDUARDO
GIANNETTI DA FONSECA
Professor de economia do Instituto Brasileiro
de Mercado de Capitais (Ibmec)
A Argentina não conseguirá manter-se com o câmbio
irreal. Como a situação está muito ruim, é
possível que o câmbio seja liberado logo. O Brasil tem
de torcer por um desfecho rápido da crise argentina. Isso porque
a prorrogação da crise contagia o Brasil. Os investidores,
que já estão inseguros com o problema energético
e com a proximidade da sucessão presidencial, ficam mais ariscos
ainda por causa da crise argentina. |
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ODAIR
ABATE
Economista-chefe do banco Lloyds em São Paulo
Existe
o risco de desvalorização. O governo está tentando postergar a decisão
e poderá decretar moratória antes de liberar o câmbio. É impossível
prever. É como perguntar ao médico de um paciente terminal quanto
tempo ele vai viver. Uma solução para o problema argentino, seja qual
for, será boa para o Brasil. A agonia lenta traz prejuízo no campo
inflacionário, com a alta no dólar e nos juros, no nível de atividade
econômica e até no calendário eleitoral. |
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GUSTAVO
FRANCO
Ex-presidente do Banco Central e economista da PUC do Rio de Janeiro
A
possibilidade de desvalorização é remota. A Argentina
vem resistindo. É mais provável que se decrete moratória
para evitar a desvalorização cambial. Os brasileiros
estão dando importância demasiada à crise econômica
argentina. O problema brasileiro é resultante de circunstâncias
negativas na economia dos Estados Unidos, do Japão e da Europa
e também da crise energética. A Argentina tem um peso
na crise brasileira, mas não é tão significativo. |
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EDMAR
BACHA
Consultor sênior do banco BBA e presidente da Associação
Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid)
A
Argentina pode desvalorizar o peso. A situação está
difícil. Se piorar, o câmbio pode ser liberado antes
mesmo das próximas eleições de outubro. A alternativa
seria a dolarização. O Brasil tem uma dinâmica
econômica diferente da Argentina, mas o país será
atingido por qualquer movimento feito pelo vizinho. Isso porque os
grandes investidores sempre associam os dois países. Sem a
desvalorização ou a dolarização, Brasil
e Argentina passarão um longo período de agonia. |
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ARTURO
PORZECANSKI
Economista-chefe para mercados emergentes do ABN Amro Bank em Nova
York
O
peso não será desvalorizado. O custo seria alto e o
benefício, pequeno. No curto prazo, a única providência
que deve ser tomada para contornar o problema é o corte de
despesas. As conseqüências da crise argentina no Brasil
são sérias. Empresas, bancos e governos já estão
tendo dificuldade em obter empréstimos. No caso de a Argentina
decretar moratória uma questão que está
em debate os investidores externos ficarão temerosos
de que o Brasil siga o exemplo. |
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CLARICE
MESSER
Diretora titular do departamento de pesquisas econômicas
da Federação das Indústrias de São Paulo
Não
haverá desvalorização. A Argentina adotará
uma cesta de moedas para balizar o valor do peso. Ainda neste ano,
a Argentina deverá declarar moratória da dívida
externa para evitar a desvalorização da moeda. Enquanto
não se resolve a questão argentina, o Brasil é
contaminado. Seja qual for a solução dada à crise
econômica, quanto mais cedo ela vier, mais cedo terminará
a incerteza no Brasil. Num primeiro momento, o impacto pode ser negativo,
mas a situação deve melhorar rapidamente. |
Fotos Paulo Jares, Rogério Montenegro, Claudio
Rossi,
Régis Filho, Oscar Cabral, Kathia Tamanaha/AE, Antonio Milena
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