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Edição 1 709 - 18 de julho de 2001
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JOÃO PAULO DOS REIS VELLOSO
Presidente do conselho do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec)

O peso terá de ser desvalorizado, sob pena de a Argentina continuar indefinidamente em crise. A desvalorização poderá vir dentro de dias ou semanas. O Brasil, assim como outros países da América Latina e da Europa, já foi afetado pela crise argentina. No curto prazo, o problema dificulta a obtenção de financiamentos externos e o equilíbrio do balanço de contas correntes do Brasil. A desvalorização do peso aproximará a moeda dos dois países e criará uma situação mais estável a longo prazo.
MAILSON DA NÓBREGA
Ex-ministro da Fazenda e sócio da empresa de consultoria Tendências, de São Paulo

O peso não será desvalorizado. Um dia o problema terá de ser resolvido, mas não se sabe quando. No momento do colapso argentino, se ele vier, o dólar no Brasil poderá chegar a 3 reais, os juros futuros, que hoje estão em 25%, poderão atingir 35%. O consumidor ficará inseguro. Mas esse movimento não durará mais de duas semanas. O Brasil nunca esteve tão preparado para uma crise externa como agora. Com câmbio flutuante, o governo não precisa queimar reservas em tempos de crise.
PAUL SINGER
Professor de economia da Universidade
de São Paulo

Não será nada surpreendente se a Argentina desvalorizar o peso. O primeiro passo já foi dado com a criação do câmbio especial para comércio exterior. Poderá ocorrer a qualquer momento. Logo após a desvalorização do peso haverá uma pressão sobre o câmbio e a taxa de juros no Brasil, mas com o tempo a situação se acalmará. Com câmbio flutuante, a cotação do peso em relação ao dólar deverá ficar próxima à cotação do real em relação ao dólar.
CELSO MARTONE
Professor de economia da Universidade
de São Paulo

A desvalorização do peso pode acontecer no curto prazo ou demorar um pouco mais. Mas antes disso a Argentina declarará moratória de sua dívida externa. Para o Brasil, seria melhor que a Argentina desvalorizasse logo sua moeda, pois a crise contagia a economia brasileira, que já enfrenta problemas internos, como a crise de energia. Uma vez que a situação brasileira é melhor que a argentina, depois da desvalorização do peso a economia do Brasil se recuperará rapidamente.
EDUARDO GIANNETTI DA FONSECA
Professor de economia do Instituto Brasileiro
de Mercado de Capitais (Ibmec)


A Argentina não conseguirá manter-se com o câmbio irreal. Como a situação está muito ruim, é possível que o câmbio seja liberado logo. O Brasil tem de torcer por um desfecho rápido da crise argentina. Isso porque a prorrogação da crise contagia o Brasil. Os investidores, que já estão inseguros com o problema energético e com a proximidade da sucessão presidencial, ficam mais ariscos ainda por causa da crise argentina.
ODAIR ABATE
Economista-chefe do banco Lloyds em São Paulo


Existe o risco de desvalorização. O governo está tentando postergar a decisão e poderá decretar moratória antes de liberar o câmbio. É impossível prever. É como perguntar ao médico de um paciente terminal quanto tempo ele vai viver. Uma solução para o problema argentino, seja qual for, será boa para o Brasil. A agonia lenta traz prejuízo no campo inflacionário, com a alta no dólar e nos juros, no nível de atividade econômica e até no calendário eleitoral.
GUSTAVO FRANCO
Ex-presidente do Banco Central e economista da PUC do Rio de Janeiro

A possibilidade de desvalorização é remota. A Argentina vem resistindo. É mais provável que se decrete moratória para evitar a desvalorização cambial. Os brasileiros estão dando importância demasiada à crise econômica argentina. O problema brasileiro é resultante de circunstâncias negativas na economia dos Estados Unidos, do Japão e da Europa e também da crise energética. A Argentina tem um peso na crise brasileira, mas não é tão significativo.
EDMAR BACHA
Consultor sênior do banco BBA e presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid)

A Argentina pode desvalorizar o peso. A situação está difícil. Se piorar, o câmbio pode ser liberado antes mesmo das próximas eleições de outubro. A alternativa seria a dolarização. O Brasil tem uma dinâmica econômica diferente da Argentina, mas o país será atingido por qualquer movimento feito pelo vizinho. Isso porque os grandes investidores sempre associam os dois países. Sem a desvalorização ou a dolarização, Brasil e Argentina passarão um longo período de agonia.
ARTURO PORZECANSKI
Economista-chefe para mercados emergentes do ABN Amro Bank em Nova York

O peso não será desvalorizado. O custo seria alto e o benefício, pequeno. No curto prazo, a única providência que deve ser tomada para contornar o problema é o corte de despesas. As conseqüências da crise argentina no Brasil são sérias. Empresas, bancos e governos já estão tendo dificuldade em obter empréstimos. No caso de a Argentina decretar moratória – uma questão que está em debate – os investidores externos ficarão temerosos de que o Brasil siga o exemplo.
CLARICE MESSER
Diretora titular do departamento de pesquisas econômicas da Federação das Indústrias de São Paulo

Não haverá desvalorização. A Argentina adotará uma cesta de moedas para balizar o valor do peso. Ainda neste ano, a Argentina deverá declarar moratória da dívida externa para evitar a desvalorização da moeda. Enquanto não se resolve a questão argentina, o Brasil é contaminado. Seja qual for a solução dada à crise econômica, quanto mais cedo ela vier, mais cedo terminará a incerteza no Brasil. Num primeiro momento, o impacto pode ser negativo, mas a situação deve melhorar rapidamente.


Fotos Paulo Jares, Rogério Montenegro, Claudio Rossi,
Régis Filho, Oscar Cabral, Kathia Tamanaha/AE, Antonio Milena



   
 
   
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