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Acredite: é
de fábrica!
Chegam
ao país as bicicletas
no estilo Harley-Davidson

Joana Calmon
Divulgação

Uma
lowrider típica: banco comprido, buzina, farol e estepe
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A indústria
de bicicletas não pára de produzir modelos cada vez mais
leves e velozes, confeccionados com materiais de última geração,
como fibra de carbono e titânio. Por ironia, no momento o grande
objeto do desejo de consumidores do mundo inteiro anda na contramão
dessa tendência: ele vem equipado com um pesado quadro de ferro,
tem sistema de freios antiquado e dificilmente atinge velocidade superior
a 30 quilômetros por hora. Nesse caso, o que importa é o
visual, e não o desempenho. Com desenho inspirado nas míticas
motos Harley-Davidson que ficaram famosas no filme Sem Destino, um
clássico da contracultura dos anos 60, essas novas bicicletas têm
um estilo inconfundível. Não costumam ter marcha nem freio
(para brecar, é preciso pedalar para trás), vêm em
cores fortes e brilhantes e todos os detalhes são cromados ou banhados
a ouro. O guidão é alto e o garfo é longo, com a
roda dianteira lá na frente, tal e qual em uma motocicleta antiga.
Os bancos são compridos e possuem encosto. Sentado, o motorista
fica a cerca de 40 centímetros do chão metade da
altura de uma bicicleta normal. "São ideais para quem gosta de
passear devagar e de forma bastante confortável", afirma o ciclista
paulista Paulo Eduardo Dias, 22 anos, proprietário de uma lowrider,
nome com que foi batizado esse tipo de bicicleta. "A bordo de uma dessas,
é impossível passar despercebido nas ruas", completa ele.
Depois de
fazerem sucesso nos Estados Unidos e na Europa, as lowriders chegam agora
ao Brasil em diversas opções. Algumas saem de fábrica
com espelhos retrovisores, buzina, farol dianteiro e estepe. Existem até
em forma de triciclo. Por enquanto, os modelos importados são oferecidos
por preços a partir de 800 reais e só podem ser comprados
por encomenda. "De tão bonitas, tem gente que pendura na parede
de casa", conta o aficionado Antônio Carlos Dias. Com medo de que
a febre lá de fora contagie o mercado nacional, alguns fabricantes
locais já destilaram seu veneno preventivo contra as lowriders.
Argumentam que podem até ser bonitas, mas lembram um pouco os modelos
caseiros muito comuns no interior do país. Referem-se a certo ar
caipira, para ser mais claro. Outros fabricantes, mais precavidos, decidiram
se mexer em vez de criticar. Desde o ano passado, uma pequena fábrica
paulista, a Homer Bike, fabrica um modelo batizado de "Harley". A produção
começou de forma artesanal e hoje já alcança a média
de 500 bicicletas vendidas por mês.
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