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Edição 1 709 - 18 de julho de 2001
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Os desafios do Brasil

Fabio Motta/AE
Armínio: o Brasil está com os fundamentos em dia

O Brasil aprendeu com a crise russa que confusões financeiras não respeitam distâncias. Aprendeu com a crise asiática, ocorrida um ano antes, que o mercado financeiro não distingue países segundo o tamanho das economias. Quando a Malásia e a Tailândia quebraram, dois micro-PIBs da região, o Brasil teve de preparar às pressas um pacote de medidas – entre elas, uma que dobrou os juros da noite para o dia como forma de proteger o real contra os especuladores internacionais. Chegou a vez de extrair uma lição de uma crise em curso na casa do vizinho, logo ali, na Argentina.

Já deu para perceber que, diferentemente das crises anteriores, esta chega num momento em que o Brasil já fez boa parte da lição de casa. A reforma na Previdência saiu pela metade, mas a ameaça de colapso no sistema está adiada. O ajuste fiscal não chegou ao fim, mas o tema já foi enfrentado. Muitos setores antes dominados por empresas estatais, como a telefonia, já estão em mãos privadas, gerando lucros e serviços de qualidade superior. Na semana passada, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, reuniu-se em Nova York com banqueiros de investimentos. Nos encontros, mostrou dados sobre a solidez da economia nacional. O Brasil, de fato, nunca esteve tão preparado para uma crise como agora.

Isso não significa que o país esteja blindado contra vendavais. Além de limitações de ordem conjuntural, como as exportações que não sobem e a crise energética, há barreiras muito sérias a transpor. Duas delas foram apresentadas na semana passada em pesquisas da ONU. A primeira está na lista que avalia o avanço tecnológico dos países. O Brasil está mal, em 43º lugar na relação. No topo aparecem as nações onde as descobertas tecnológicas são rapidamente incorporadas à vida das pessoas. A outra pesquisa trata do Índice de Desenvolvimento Humano e mostra que o Brasil não consegue vencer o desafio de diminuir a distância entre ricos e pobres. Enquanto houver um fosso tecnológico e social, o Brasil jamais será um país sólido. Veja reportagens.

 
 
   
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