Uma
pesquisa recente quantificou algo que há tempos se observa no ambiente
empresarial: reuniões consomem a metade da jornada de trabalho de um típico
executivo brasileiro e muitas vezes não chegam a lugar nenhum.
O
dado, revelado numa pesquisa feita pelo Instituto Tríade do Tempo com base
em 2 000 entrevistas, mostra que o Brasil, nesse quesito, se assemelha aos Estados
Unidos. Os funcionários brasileiros costumam descrever tais encontros como
"martírios intermináveis". Para as empresas, por sua vez,
o número de horas desperdiçadas em reuniões improdutivas
causa outra espécie de prejuízo este, financeiro. Estima-se
que uma companhia de porte médio gaste algo como 1 milhão de reais
por ano para manter seu quadro de executivos em encontros desnecessários.
Com base nessa e em outras pesquisas, a pedido de VEJA, um grupo de especialistas
reuniu os erros mais comuns cometidos em reuniões de trabalho, especialmente
tediosas quando são dominadas por clichês corporativos (abaixo,
os preferidos dos oradores). A seguir os comentários.
Erro:
não cabe nem mais uma mosca na sala O
que dizem as pesquisas: 30% dos presentes não têm relação
direta com o assunto discutido, muito menos poder para pôr as decisões
em prática O que funciona: limitar o grupo a dez pessoas.
É o suficiente para que cada participante fale por cerca de dez minutos
e ainda assim o encontro tenha uma duração razoável. Caravanas
de funcionários resultam em discussões superficiais e tomam o dobro
do tempo para chegar ao mesmo lugar
Erro:
o chefe desanda a falar O que
dizem as pesquisas: 25% do tempo consumido numa reunião se deve a assuntos
laterais, sem nenhum vínculo com aquele que levou ao encontro nem um interesse
genuíno para a empresa O que funciona: distribuir aos convocados
uma espécie de roteiro, com temas e tempo previsto para a exposição
de cada um. Parâmetros como esses são uma maneira de demarcar os
limites para os mais prolixos e diminuir o tédio dos ouvintes
Erro:
sobra assunto, mas ninguém ouve O
que dizem as pesquisas: 70% dos oradores trazem à tona assuntos demais
e reservam para o final justamente aquele que motivou a reunião. A essa
altura, a concentração dos participantes já caiu à
metade O que funciona: não apresentar mais do que três
temas por encontro limite médio de atenção numa situação
dessas e fazer o básico: começar pelo mais importante. O
intervalo do café também está associado a maior eficácia
da reunião
Erro:
uma reunião leva a outra e o
assunto nunca se resolve O que dizem as pesquisas: executivos
de grandes empresas brasileiras permanecem cinco horas por dia numa sala de reunião.
O excesso se deve à falta de objetividade: sem conclusão, um encontro
costuma levar a outro O que funciona: deixar para fazer uma grande reunião
apenas quando o tema envolve diferentes áreas da empresa. Fora isso, é
mais eficaz para assuntos circunscritos a um setor resolver as questões
entre o chefe e um ou dois subordinados algo básico, porém
pouco aplicado
Erro:apresentação "chata" O
que dizem as pesquisas: esse é o adjetivo mais usado por 60% dos executivos
ao descrever os encontros aos quais costumam comparecer. Eles afirmam: "Reunião
dá sono" O que funciona: planejar reuniões de não
mais de uma hora e meia e tentar alterar o formato de idade da pedra com medidas
simples. Uma delas é encurtar as apresentações visuais, descritas
com o mesmo enfado dedicado a um mau orador. A outra é designar alguém
com quem se revezar na exposição: dois timbres de voz atraem mais
atenção do que um só. E (talvez a mais eficaz de todas) jamais
apagar a luz
Corra
dos chavões
Reuniões
são ambientes propícios à repetição de clichês
do mundo corporativo. Na tentativa de rebuscar o português, eles só
causam prejuízo à clareza de idéias e à própria
correção no emprego do idioma. Exemplos comuns:
Agregar valor Lugar-comum,
é empregado para dar sentido positivo a tudo: idéias, lugares e
pessoas
Consensar Verbo
utilizado em reuniões para se referir a uma eventual unanimidade, não
existe no dicionário
Realizar No
jargão corporativo, virou sinônimo de dar-se conta, perceber
tal qual no inglês (to realize)
Operacionalizar Por
que não fazer, executar ou praticar?
Pensar
fora da caixa Numa reunião, é o mesmo que ser criativo. A
expressão surgiu na década de 60 com a popularização
de um jogo muito usado por empresas de recrutamento. Para chegar à pontuação
máxima, era preciso olhar para fora dos limites de um quadrado
Você é bom de reunião?
O
teste a seguir, elaborado com base em pesquisas coordenadas pelo consultor em
reuniões (sim, essa é uma especialidade) Christian Barbosa, classifica
os oradores em três tipos. Saiba em qual você se enquadra:
RESULTADO
Até 8 pontos Tipo:
aniquilador de reuniões Com você, elas são tudo, menos
produtivas e atraentes. A cada nova convocação, provavelmente
sua equipe se sente desmotivada com a iminente perspectiva de perder tempo
De 9 a 16 pontos Tipo:
aprendiz Suas reuniões são razoavelmente bem-sucedidas: estimulam
a equipe e chegam a algum lugar. Objetividade, no entanto, ainda não é
sua maior qualidade
Acima
de 17 pontos Tipo: especialista Você não despreza
as técnicas básicas de uma boa reunião: organiza temas, controla
o tempo e mira objetivos. Raridade em seu meio, pode (e deve) passar o conhecimento
adiante
Maurilio
Clareto
A
executiva Adriana Tieppo: já foi "aniquiladora", hoje é
"aprendiz"