Marcada para 2011 a
primeira missão privada
para a Estação Espacial em órbita da Terra
Duda Teixeira
Fotos NASA
Sergey Brin, do Google, experimenta
a gravidade zero: com reserva feita para voar para a Estação
Espacial (à dir.)
Desde que o milionário
americano Dennis Tito se tornou o primeiro turista espacial,
em 2001, a indústria do lazer espacial vem se desenvolvendo
a conta-gotas. Apenas mais quatro curiosos tiveram a chance
de ver a curvatura da Terra da janela de uma espaçonave
em órbita. O número é pequeno não
porque falte investimento ou gente disposta a pagar 20 milhões
de dólares por uma viagem. Milionários do mundo
todo fazem fila por uma aventura dessas. A razão para
que tão pouca gente tenha experimentado a ausência
de gravidade é que nas atuais viagens espaciais há
espaço para um único turista, normalmente obrigado
a compartilhar suas impressões do passeio com cosmonautas
russos. Além disso, é preciso sempre esperar o
próximo vôo da nave russa Soyuz, que visita a Estação
Internacional Espacial apenas uma vez a cada seis meses. As
opções começam a melhorar. Na semana passada,
a companhia americana Space Adventures anunciou que vai construir
até 2011 uma nova espaçonave em parceria com a
agência espacial russa, com dois lugares para turistas.
Um terceiro será reservado para um cosmonauta russo,
que fará as vezes de piloto de luxo, o motorista da nave.
Em janeiro, o inglês Richard Branson, dono da Virgin e
uma das 300 pessoas mais ricas do mundo, mostrou o projeto da
SpaceShipTwo, a espaçonave com a qual pretende levar
seis turistas de cada vez para um vôo suborbital. Duzentos
bilhetes já foram vendidos. A empresa européia
EADS também anunciou que está criando um ônibus
espacial com quatro lugares para turistas.
Galatic
Projeto da SpaceShipTwo, com seis
lugares: sob o patrocínio do dono da Virgin
O mais novo entusiasta
do turismo espacial é um dos fundadores do Google, o
americano Sergey Brin. Ele pagou 5 milhões de dólares
para a Space Adventures. O dinheiro ficará guardado e
servirá como reserva em um vôo espacial no futuro.
"Acredito muito na exploração e no desenvolvimento
comercial da fronteira espacial e estou aguardando a possibilidade
de ir para lá", disse Brin na semana passada. Por
enquanto, a Space Adventures é a única companhia
a fazer turismo espacial, treinando os futuros viajantes e alugando
os assentos na Soyuz. A viagem até a Estação
Espacial Internacional dura oito dias e a empresa reservou lugares
em mais cinco viagens da nave. O acordo, porém, tem dado
problemas. Anatoly Perminov, diretor da agência espacial
russa, já fez repetidas críticas aos turistas
inoportunos e ameaçou acabar com a brincadeira daqui
a dois anos. A espaçonave que será construída
com a Space Adventures deverá acalmar essas críticas.
A entrada em operação de outras companhias também
diminuirá a dependência em relação
aos russos. A Federação de Vôos Espaciais
Particulares, fundada em 2005, já possui dezoito empresas
associadas. No fim da próxima década, estima-se
que 15.000 passageiros farão a viagem por ano. Eles desembolsarão
1% do que pagam os milionários pela aventura hoje. Certamente
não haveria espaço suficiente na Soyuz para essa
verdadeira farofa sideral.